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28 de março de 2014

Carla Kogelman: Tempos da infância

Retrato de Carla Kogelman

[...]

E longas horas, junto ao grande tanque cinzento,
ajoelhar-se com um barquinho à vela;
esquecê-lo, porque com iguais
e mais lindas velas outros ainda percorrem os círculos,
e ter de pensar no pequeno rosto
pálido que no tanque parecia afogar-se – :
oh infância, oh fugazes lembranças.
Para onde? Para onde?

Rainer Maria Rilke, Infância [Kindheit], em O livro das imagens (1902) – tradução de Maria João Costa Pereira

Foto: Carla Kogelman

Foto: Carla Kogelman

Instantes da vida de crianças em um pequeno vilarejo austríaco compõem a série Ich bin Waldviertel [Eu sou de Waldviertel], da fotógrafa holandesa Carla Kogelman. O trabalho foi vencedor do prêmio World Press Photo 2014, na categoria Retratos do Cotidiano. Embora a série se aproxime de duas personagens, as irmãs Hannah e Alena, e de uma localidade em específico – Merkenbrechts, perto da fronteira da Áustria com a República Checa –, as fotografias nos apresentam a infância em tons mais universais, como um mundo repleto de movimento, brincadeiras e afetos.

Foto: Carla Kogelman

Foto: Carla Kogelman

Independente da calmaria do lugar, um pequeno vilarejo com 170 habitantes, é o próprio tempo da infância – não importa onde – que ganha evidência nas imagens. Um tempo sem fim, de tudo inventar, despreocupadamente.

Foto: Carla Kogelman

Foto: Carla Kogelman

Como no poema de Rilke que abre o texto, a fugacidade das lembranças da infância marca presença também na série de Carla – na forma de silhuetas prestes a desaparecer e de gestos sutis captados pela fotógrafa.

Foto: Carla Kogelman

Foto: Carla Kogelman

As imagens, por vezes, indicam que há muito mais fora do enquadramento, e nos dão a ver delas somente fragmentos. Assim, abrem espaço para a produção de sentidos a partir da nossa própria experiência.

Foto: Carla Kogelman

 

Foto: Carla Kogelman

As fotografias nos situam em espaços emocionais da infância e nos convidam para um olhar mais demorado, percorrendo detalhes das cenas. A proximidade em relação aos personagens da série torna possível estabelecer contato, por meio das imagens, com as nossas próprias lembranças.

Foto: Carla Kogelman

Foto: Carla Kogelman

Nascida em 1961, Carla Kogelman trabalhou com teatro por 25 anos. Em 2011, graduou-se na Foto Academie Amsterdam. Em 2012, o Szene Bunte Wähne, festival austríaco de teatro, encomendou a ela uma produção documental na região rural de Waldviertel, que empresta o nome ao título da série que vimos. 

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