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Cláudia Andujar: Da fotografia à literatura

Cláudia Andujar teve uma vida bastante tensa e agitada. Em 1931, nasceu na Suíça. Pouco tempo mais tarde, perdeu o pai, judeu, em um campo de concentração. Como se não fosse o bastante, a jovem menina acabou perdendo a maior parte de sua família na Segunda Guerra Mundial. Por esse motivo, Cláudia se mudou para os Estados Unidos, onde se formou em humanidades na Hunter College e, mais tarde, trabalhou como intérprete na Organização das Nações Unidas (ONU). Lá, casou-se com Julio Andujar, refugiado da Guerra Civil Espanhola, mas acabou se divorciando poucos meses depois. Apesar disso, Cláudia resolveu manter o sobrenome do casamento para começar uma vida nova sem os tormentos da guerra.

Anos mais tarde decide se mudar para o Brasil, onde já vivia sua mãe. Dessa forma, teve a possibilidade de naturalizar-se brasileira e, a partir daí, Cláudia passa a desenvolver sua vida como fotógrafa, direcionada para a área do fotojornalismo. Não muito tempo depois de iniciar a carreira, recebeu a proposta de fotografar para a revista Realidade, que, na época, estava fazendo um especial sobre a Amazônia. Sua tarefa para a revista seria fotografar a tribo indígena dos Ianomâmi, bastante isolada das demais tribos da região. Nesse projeto, Cláudia alavancou sua vida profissional, ganhando reconhecimento após o trabalho.

Foto: Cláudia Andujar
Foto: Cláudia Andujar

Contudo, o projeto enquadrou-se em algumas práticas irregulares de leis de regulamentação territorial e, por isso, em 1978, Cláudia foi expulsa da região da tribo por ordem da FUNAI. Após o ocorrido, a fotógrafa viaja para São Paulo onde desenvolve estudos e grupos para a preservação da tribo Ianomâmi, o que culminou na criação na ONG Comissão pela Criação do Parque Ianomâmi, projeto que levou à demarcação das terras da tribo, oficializada em 1992.

Foto: Cláudia Andujar
Foto: Cláudia Andujar

Conforme a luta pelos direitos indígenas se intensificava, Cláudia diminuía sua participação na fotografia. No entanto, deixou uma vasta contribuição na literatura, publicando mais de dez livros – entre os quais Yanomami: A Casa, A Floresta, O Invisível (1998) e Amazônia (1978) – e também no cinema, com o lançamento do documentário Povo da Lua, Povo do Sangue: Yanomami (1972).

Foto: Cláudia Andujar
Foto: Cláudia Andujar
Foto: Cláudia Andujar

 Texto por Augusto Braga

04/02/2020

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