Skip to content

Posts tagged ‘cotidiano’

6
abr

“Minha foto preferida é aquela que ainda não fiz” Bruce Davidson

Retrato de Bruce Davidson.

Nascido em 1933, Bruce Davidson é um fotógrafo na corda-bamba. Entre o rigor da composição e o instinto, entre o policial e o infrator, entre o envolvimento pessoal com seus assuntos e a disciplina profissional, entre o instante que leva o espectador a um mundo de sonho e aquele que o devolve à realidade. Mais do que um contador de histórias fascinado por pessoas, trata-se de um dos mais influentes fotógrafos de nosso tempo. De forma intensamente pessoal, registrou com paixão e delicadeza personagens diversos, de um anão circense aos membros de uma gangue americana, dando ênfase às classes baixas nova-iorquinas, figuras centrais nas lutas por direitos civis nos anos 1960. Mesmo que a cidade de Nova Iorque seja o principal cenário de seus ensaios, foi em Paris que Davidson realizou seus primeiros trabalhos comerciais e conheceu Henri Cartier-Bresson. Dessa amizade, herdou a defesa da tradição preto e branco na reportagem e tornou-se membro do time da Magnum, agência onde está até os dias de hoje.

Foto: Bruce Davidson.

Foto: Bruce Davidson.

Fotógrafo nato, Davidson cresceu em Chicago e ganhou sua primeira câmera em 1940. Antes dos 10 anos, já fotografava as crianças que brincavam em um subúrbio da vizinhança, em Ilinóis. Conseguiu um emprego em um laboratório fotográfico na adolescência e se apaixonou definitivamente pelo ofício, lembrando de seu primeiro dia de trabalho com o mesmo entusiasmo quase 70 anos depois: “Uma luz brilhou, uma folha de papel foi colocada em uma bandeja d’água e uma imagem se formou. Isso me pegou e me puxou – esse processo misterioso. Foi um breve encontro, mas que carrego comigo até hoje”. Depois de alguns dias, acabou convencendo a mãe a construir um pequeno laboratório na garagem de casa, onde passava boa parte de seu tempo livre. Após estudar no Rochester Institute of Technology na Universidade de Yale, foi convocado para o exército e estabelecido em Paris, onde conheceu Henri Cartier-Bresson. Quando deixou o serviço militar, em 1957, Davidson trabalhou como fotógrafo freelancer para a revista LIFE até se tornar um membro definitivo da Magnum, um ano depois.

Foto: Bruce Davidson.

Foto: Bruce Davidson.

Apaixonado por sua inseparável Leica 28mm, vê na câmera uma ferramenta de trabalho pequena, leve e discreta. De acordo com Davidson, é graças a ela que consegue se aproximar tanto quanto necessário de seus assuntos e não influenciá-los enquanto clica. “Quero ser invisível e não quero ser agressivo de forma alguma. Isso significa silêncio e isso significa Leica”, contou, em entrevista. Foi pela discrição do material que conseguiu se infiltrar na gangue que o rendeu um de seus mais celebrados ensaios, “Brooklyn Gang”, que retrata um grupo de jovens rebeldes do distrito Brooklyn. A série foi feita nos primórdios dos anos 1960, bem como outros de seus ensaios seminais, “The Dwarf” e “Freedon Rides”. Em 1962, recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim e dedicou-se a documentar movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos. Logo depois, em 1963, ganhou sua primeira exposição solo no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).

Foto: Bruce Davidson.

Foto: Bruce Davidson.

Todos esses ensaios foram fruto de meses ou anos de dedicação. Para o melancólico retrato de um palhaço em “The Dwarf”, Davidson viveu como nômade em um grupo circense durante um ano. O fotógrafo explica que seu trabalho tem um efeito cumulativo: “Eu sou como uma espécie de serial killer, leva um longo tempo antes que eu possa compreender o que estou olhando.[...] Além disso, se você já entrou na vida de alguém, você tem que viver lá por um tempo”.

Foto: Bruce Davidson.

Foto: Bruce Davidson.

Depois de receber a primeira concessão para trabalhos fotográficos do National Endowment for the Arts, passou dois anos registrando as precárias condições de vida dos moradores de um condomínio em East Harlem, um dos mais pobres bairros nova-iorquinos. O trabalho foi publicado pela primeira vez em 1970 na Harvard University Press sob o título “East 100th Street” e depois expandido e republicado na St. Ann’s Press. Extremamente impactante, trata-se de uma das mais poderosas documentações da pobreza e da discriminação já registradas nos Estados Unidos. Causou controvérsia justamente pela proximidade de Davidson com os assuntos e tornou-se exposição, sediada no MoMA.

Foto: Bruce Davidson.

Foto: Bruce Davidson.

Em 1980, passou a arriscar-se, também, na fotografia colorida, dedicando-se a uma das temáticas que mais atrai fotógrafos nova-iorquinos, o metrô. “Subway” registrou a vitalidade e a efervescência do mais popular transporte público da Big Apple e foi publicado no Internacional Center of Photography em 1982. Dos anos 1990, vale destacar sua série sobre paisagens (também um novo desafio) do Central Park. Em 2006, voltou-se a uma temática distante da sua cidade predileta em “The Nature of Paris”, marcando um retorno à França, país sede de importantes episódios em seu crescimento como fotógrafo.

“Se eu estou procurando uma história, ela se encontra na minha relação com o assunto – é isso o que a história conta, mais do que o que a imagem mostra”
Bruce Davidson

Foto: Bruce Davidson.

Foto: Bruce Davidson.

4
nov

O cotidiano surpreendente de Tomasz Kulbowski

 

 

Apaixonado pela fotografia de rua, o polonês Tomasz Kulbowski explora o cotidiano em busca de instantes que nos mostram a riqueza de situações da vida nas cidades. Por vezes pego de surpresa, em outras à espreita de alguma cena inusitada, Kulbowski compõe uma constelação de imagens que dão a ver as relações das pessoas com o espaço.

 

 

 

 

Nas fotos de Kulbowski, o mobiliário urbano por vezes é um dos protagonistas, contribuindo para o humor presente em certas cenas. Há momentos em que não se sabe ao certo em que medida houve alguma interferência do fotógrafo. De qualquer forma, Kulbowski parece se interessar por tudo que é mínimo no cotidiano e que passa despercebido para a maioria das pessoas.

 

 

 

 

Nota-se também o papel da composição para que as imagens se tornem potentes. Mais do que situações peculiares por si só, o que valoriza os planos é o olhar cuidadoso do fotógrafo, que escolhe os elementos que entram em cena e se relacionam uns com os outros. Em algumas das fotografias, é como se Kulbowski, antes de fotografar, apenas se afastasse alguns passos – deslocamentos simples que ressignificam momentos ordinários.

 

 

 

 

Nascido em 1975, Tomasz Kulbowski mora atualmente em Lublin, na Polônia, após ter vivido em Londres e Sydney. Possui mestrado em  Cultura e Psicologia pela Universidade Marie Curie Sklodowska, de Lublin, e é um dos diretores de Eastreet, exposição e publicação que divulga o trabalho de fotógrafos dedicados a fotografia urbana no leste europeu.

 

 

26
fev

Shin Noguchi: fragmentos do cotidiano

 

 

“Pessoas vivendo suas vidas. Às vezes, desesperadamente; em outras, de forma solitária; também ajudando os demais, rindo, chorando.” No ensaio em andamento Something Here [Algo aqui], de Shin Noguchi, a complexidade da vida humana é observada por um olhar que persegue a simplicidade das coisas, momentos corriqueiros, fragmentos da rotina.

 

 

 

 

A ideia de “fragmento”, aliás, talvez seja a porta de entrada mais precisa para entender as fotos de Noguchi. A fragmentação por vezes se materializa em enquadramentos que cortam os corpos. Também na forma como as imagens explicam muito pouco de seus contextos, deixando ver apenas seus próprios enigmas. Como resume o título, ficamos com a impressão de que “algo acontece aqui”. As pistas, no entanto, são opacas – cabe ao espectador explorar os pedaços de narrativa que se apresentam.

 

 

 

 

Vivendo entre Tóquio e Kamakura, Japão, Shin Noguchi descreve sua fotografia de rua como uma tentativa de capturar momentos de beleza e excitação em meio fluxo da vida cotidiana. Já teve fotos publicadas em periódicos como Libération, Haaretz e The Independent.

 

 

 

19
jan

O urgente efêmero de Hannah Cooper McCauley

 

 

Com uma abordagem atenta ao que há de mais prosaico no cotidiano, a fotógrafa norte-americana Hannah Cooper McCauley desenvolve a série A Singular Sense of Urgency [Um singular sentido de urgência], em que encontramos um olhar que parece buscar mundos mágicos e misteriosos, revelados em objetos e situações cotidianas. “Aprendi cedo a aceitar as coisas que não podia entender, e acredito que isso influenciou muito o método e a construção das minhas imagens. Cresci acreditando no fantástico e na probabilidade de milagres acontecerem”, conta a fotógrafa.

 

 

 

 

Outro aspecto do trabalho de McCauley é a busca por instantes prestes a desaparecer. A ênfase na transitoriedade das coisas, na visão da fotógrafa, tem relação com sua biografia. “Muitas vezes, minha vida se pareceu com uma viagem repleta de paradas. Desde que nasci e já na faculdade, minha família mudou-se nos estados do Mississippi e do Alabama, pois meu pai era pastor batista. Em resposta a essa transição constante, desenvolvi uma mistura desconcertante de solidão e imaginação”, relembra.

 

 

 

 

Nascida em 1989, Hannah Cooper McCauley graduou-se em fotografia pela Jacksonville State University, com mestrado pela Louisiana Tech University. Já participou de diversas exposições individuais e coletivas e publicou seu trabalho em publicações especializadas como F-Stop Magazine e PHOTO+.

 

 

 

17
nov

O cotidiano docente de David McIntyre

 

 

O cotidiano mais banal de um professor universitário é o ponto de partida do ensaio When They’ve Gone [Quando eles partem, em livre tradução], do fotógrafo David McIntyre. Docente de fotografia na Edinburgh College, na Escócia, David lançou-se a um exercício: fotografar colegas seus nos momentos que se seguem às aulas.

 

 

 

 

“O projeto começou como um exemplo, para os alunos de início de curso, de como criar uma narrativa simples de retratos. Você não precisa ir muito longe, basta olhar ao redor”, conta o professor. O projeto contém outros dois ensinamentos, na visão de David: a forma como iluminação e composição bem pensadas contribuem para as imagens; e a importância de experimentar certa contenção na pós-produção, visando obter, desde a captação, todo o potencial das locações.

 

 

 

 

A série, em andamento, agora se expande para outros lugares do campus da faculdade e também a novos personagens – os alunos. Nas imagens do ensaio, afora o objetivo mais didático que motivou a concepção do trabalho, revela-se o interesse do fotógrafo por retratar instantes de introspecção, com personagens imersos em seus pensamentos.

 

 

 

 

David McIntyre leciona fotografia há oito anos na Edinburgh College. Atuou como fotógrafo de música e moda de revistas como Wallpaper e ID, realizando também trabalhos para agências de publicidade britânicas. Em paralelo à sua atuação docente, desenvolve projetos pessoais influenciados por seus interesses em artes, literatura, política e música.

 

13
mar

O cotidiano abstrato de Saul Leiter

 

Em uma frase, o fotógrafo da Magnum Alex Webb sintetiza a produção fotográfica de Saul Leiter: “…uma excepcional habilidade para extrair situações complexas da vida cotidiana, imagens que ecoam a abstração da pintura e que, simultaneamente, retratam o mundo de forma límpida.” No post de hoje, apresentamos um pouco desse olhar, que mescla simplicidade e sofisticação em imagens que sempre desafiam a interpretação de quem as observa.

 

 

 

O comentário de Webb, publicado no obituário da revista The New Yorker (após o falecimento de Leiter, em 2013), reúne palavras que à primeira vista podem soar contraditórias: complexidade e forma límpida, abstração e cotidiano. Mas se analisarmos as imagens, logo percebemos a capacidade do fotógrafo de articular esses conceitos em sua poética.

 

 

 

É como se Leiter lançasse pistas para o espectador – não à toa os reflexos são um elemento recorrente em suas fotografias, bem como silhuetas e transparências.

 

 

 

Nascido em Pittsburgh (Pensilvânia, EUA), Saul Leiter iniciou sua carreira nos anos 1940, nas ruas de Nova York. Na década seguinte, teve seu trabalho reconhecido por Edward Steichen, quem o incluiu em exposições do MoMa na década de 1950. Leiter tornou-se um importante fotógrafo de moda, mantendo em paralelo sua dedicação à fotografia de rua. Somente nos anos 1990 sua produção de imagens em cores ganhou maior notoriedade – grande parte dela era guardada por Leiter, sem vir a público.

 

 

2
abr

Sara Naomi Lewkovicz: ao redor da violência doméstica

Retrato de Sara Naomi Lewkovicz

Fotojornalista já havia alguns anos e recém-ingressa no mestrado da Universidade de Ohio, Sara Naomi Lewkovicz começou a desenvolver um trabalho que documentava a história de um casal – Maggie e Shane. A série acabou se tornando, conta a fotógrafa, “um olhar mais profundo sobre as circunstâncias que transformam um relacionamento em um calvário e sobre o que acontece antes, durante, logo após e muito tempo depois de um episódio de violência”.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Maggie e Shane tiveram um envolvimento curto, porém intenso, antes de Shane ser preso – por envolvimento com drogas. No período em que estiveram separados pelas grades, conversavam todos os dias por telefone. Tão logo Shane saiu da prisão, eles começaram a namorar. Shane passou então a conviver também com Kayden e Menphis – filhos dela, frutos de um relacionamento anterior. Os quatro foram viver em um trailer, na localidade de Somerset, Ohio.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Conseguir um emprego era uma tarefa difícil para Shane, por causa de seu histórico. Ex-detento e passando por um processo de reabilitação devido ao uso de drogas, Shane tentava construir carreira como vocalista de uma banda de rock cristã. As dificuldades financeiras, no entanto, começaram a afetar o casal, que passou a discutir com mais frequência. A situação tornou-se ainda mais grave muito em seguida, sob o olhar da fotógrafa.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Depois de ir a um bar em Lancaster, Ohio, o casal teve uma discussão, pois Shane estaria flertando com outra mulher. Ao chegar à casa dos amigos na qual estavam hospedados, começaram a brigar. Em meio a gritos, Shane começou a agredir Maggie, puxando-a de um lado para o outro.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

“Ele tinha recolhido os nossos celulares. Tive que botar a mão em seu bolso para pegar o meu aparelho. Entreguei o telefone a outro adulto que estava na casa e pedi a ele que chamasse a polícia”, conta a fotógrafa. “Mas sabia que precisa seguir com a história e documentá-la em sua crueza”, explica. Nesse meio tempo, a filha de Maggie foi acordada pela briga e recusou-se a sair do lado da mãe. A polícia apareceu em seguida, e Shane foi levado para a delegacia.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

“Normalmente, vemos as vítimas de violência nas horas ou dias que se seguem aos abusos. Eu tive a possibilidade de passar um tempo com Maggie e seus filhos antes, durante e depois das agressões”, comenta Sara. “Meu próximo passo é viajar ao Alasca, onde Maggie vive atualmente com o marido – e onde vive também o pai das crianças –, para examinar os efeitos de longo prazo desse incidente no seu relacionamento atual, nas crianças e no seu próprio senso de indivíduo”, diz a fotógrafa.

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

Foto: Sara Naomi Lewkovicz

O objetivo da série, segundo Sara, é examinar os efeitos desse tipo de violência e retratar quem abusa, quem sofre os abusos e as crianças que  testemunham os acontecimentos. Nascida em Nova York, Sara Lewkowicz é mestranda do curso de comunicação visual da Universidade de Ohio. Vive atualmente em Londres, onde realiza parte dos seus estudos. É formada em jornalismo pela Universidade da Carolina do Norte. Já recebeu uma série de prêmios e teve fotos publicadas em diversos periódicos internacionais.

 

21
mar

Tanya Habjouqa: Prazeres ocupados

Retrato: Tanya Habjouqa

Cisjordânia. Palestina. Faixa de Gaza. A simples menção desses nomes nos remete a imagens de conflitos, atentados e intervenções militares. No entanto, o que acontece na vida diária de quem vive nesses lugares? Como se dá o cotidiano em uma região onde a violência – em um nível bélico – pode irromper a qualquer momento? Como se movimentar – ir ao zoológico, por exemplo – em territórios divididos e controlados ao extremo?

Foto: Tanya Habjouqa

Foto: Tanya Habjouqa

Há momentos em que, mais do que sobreviver, homens e mulheres demonstram um desejo de viver. Simplesmente viver. Com essas palavras a fotógrafa jordaniana Tanya Habjouqa descreve a série “Occupied Pleasures” [Prazeres ocupados], na qual lança um olhar para esses momentos da vida de palestinos que vivem na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental. “Há o mais forte desejo pelos menores prazeres, além de um senso de humor afiado a respeito dos absurdos produzidos por uma ocupação de 47 anos”, comenta a fotógrafa, que estudou no Texas, Estados Unidos, e atualmente vive em Jerusalém Oriental com seu marido – um palestino com cidadania israelense – e seus dois filhos.

Foto: Tanya Habjouqa

Foto: Tanya Habjouqa

Em uma das imagens que integra a série, uma mulher anda por um túnel estreito, carregando um bouquet de flores. O caminho de terra, com pouca iluminação, é uma via fundamental para muitos habitantes da Faixa de Gaza que precisam ir ao Egito – a fronteira entre os territórios já esteve fechada por ordem do governo egípcio. “Os túneis seguem sendo a principal passagem, inclusive para casamentos, que por vezes não aconteceriam se não fosse pelo ‘contrabando’ da noiva via túnel, nos casos em que as autoridades egípcias negam um pedido de trânsito”, explica a fotógrafa na legenda da imagem.

Foto: Tanya Habjouqa

Foto: Tanya Habjouqa

Os horizontes são recorrentes nas fotografias que compõem a série. Os elementos que traçam as linhas são ora os montes da região, ora o mar, e por vezes algo que não faz parte da paisagem natural: o muro da Cisjordânia, construído pelo Estado de Israel. Diante da barreira, no entanto, a vida cotidiana parece buscar formas de contornar as divisões, os cortes, as separações que os blocos de concreto introduzem na paisagem.

Foto: Tanya Habjouqa

Foto: Tanya Habjouqa

Nas imagens de Tanya surgem também momentos de vaidade que chamam a atenção para instantes corriqueiros em uma região mais lembrada pela destruição. Os espaços interiores e domésticos apresentados revelam homens exibindo seus músculos e meninas que se vestem e fazem as unhas para ir a um baile.

Foto: Tanya Habjouqa

Foto: Tanya Habjouqa

Fotógrafa freelance, Tanya Habjouqa possui mestrado em Mídia Global e Política do Oriente Médio pela Universidade de Londres (SOAS). Começou sua carreira no Texas – nesse período inicial documentou comunidades de migrantes de origem mexicana e a pobreza em áreas urbanas. Também trabalhou em zonas de conflito em países como Iraque, Líbano e Sudão. É fundadora do coletivo Rawiya, composto por cinco fotógrafas que atuam no Oriente Médio.

Foto: Tanya Habjouqa

Foto: Tanya Habjouqa