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16 de maio de 2011

Relações sociais, memória e cidadania em foco na 5ª edição do FestFotoPoa

Foto: Divulgação FestiFotoPoA

Foto: Divulgação FestiFotoPoA

O FestFotoPoa 2011 reuniu, de 6 de abril a 1 de maio, cerca de 17 mil pessoas – entre elas visitantes, importantes autores, críticos, curadores e pesquisadores da área. No calendário de Porto Alegre desde 2007, o Festival Internacional de Fotografia já figura entre os festivais de foto mais importantes do país. Seu tema central nesta 5ª edição foi A Família – relações sociais, memória e cidadania.

Por contemplar diferentes linguagens e experimentações fotográficas, o FestFotoPoa pode ser definido como um festival multimídia. O objetivo de sua criação é justamente estimular o desenvolvimento da linguagem fotográfica frente às novas tecnologias digitais, além de apostar no debate sobre o patrimônio visual do país e formar uma vitrine para novos talentos da área. A partir de 2010, o Festival ampliou sua área física e ocupou todo espaço expositivo do Santander Cultural, contemplando mais artistas e possibilitando maior interação do público.

Além da mostra fotográfica, o evento desenvolveu um programa de ação educativa, realizando oficinas em pontos culturais da Capital. Estavam na programação fóruns, seminários, sessões de cinema, leituras de portfólio. Foram mais de 40 convidados nacionais e internacionais, entre fotógrafos, críticos, pesquisadores e publicadores, envolvidos de forma inédita no Fórum de Livros de Autor e nos seminários “Educação e Arte Contemporânea” e “Economia da Cultura”, que discutiram a fotografia como um produto de mercado e como um novo território de expressão na arte contemporânea.

Tributo a Luiz Carlos Felizardo

Retrato de Luiz Carlos Felizardo. Foto: Osvaldo Santos Lima

O fotógrafo homenageado deste ano foi o gaúcho Luiz Carlos Felizardo. A exposição, que funcionou como uma retrospectiva, reuniu cerca de 80 imagens representativas de suas quatro décadas dedicadas à fotografia. Felizardo cursou arquitetura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul de 1968 a 1972, ano em que passou a trabalhar exclusivamente como fotógrafo, destacando-se nas áreas da fotografia de paisagem e arquitetura, além de constantemente escrever sobre o tema. O fotógrafo colaborou com a revista Aplauso como colunista a partir 2001. Seus melhores textos viraram um livro, Imago, título homônimo ao da sua seção na publicação.
Para completar as homenagens, outro livro seu foi publicado: Fotografias de Luiz Carlos Felizardo, lançado durante o festival. A obra reúne 197 imagens do artista, em compilação inédita de estrutura trilíngue, com textos de Pedro Vasquez, Rubens Fernandes Junior e Paula Ramos. Estava disponível para venda na Biblioteca FestFotoPoA, mas pode ser comprado pelo e-mail producaofestfotopoa2011@gmail.com.

Exposição de Felizardo. Foto: Guilherme Lund

Biblioteca FestFotoPoA
A Biblioteca FestFotoPoA foi uma das grandes novidades deste ano, recheada e constantemente ampliada com doações feitas por fotógrafos, editoras e instituições culturais. Enquanto alguns livros estavam à venda, obras como Apreensões, de Bob Wolfenson, estavam disponíveis apenas para consulta. Bancos e mesas permitiam que os visitantes apreciassem os livros depois de conferir as exposições. Nomes da fotografia como Jane Evelyn Atwood, Claudio Edinger, Fifi Tong, Eurico Sales e Lélia Salgado – que disponibilizou uma coleção completa dos livros de Sebastião Salgado – também fizeram doações.
Para Carlos Carvalho, fotógrafo e coordenador do festival, com a Biblioteca FestFotoPoA e o Fórum Internacional de Livros de Fotografia de Autor, o festival abriu definitivamente o debate sobre o mercado editorial de livros de fotografia. “O assunto está rolando forte na internet e o Festival está com propostas com o Ministério da Cultura para inserir o livro de fotografia em uma cesta básica da cultura, para tornar o livro mais acessível ao público”, resume.

Biblioteca FestFotoPoA. Foto Vinícius Roratto

Marc Riboud e seus registros do mundo

Retrato de Marc Riboud.

Graças à parceria realizada entre a Aliança Francesa do Rio de Janeiro e a de Porto Alegre, a exposição Photographe, do fotógrafo Marc Riboud, ganhou espaço no Santander. Composta pelas 60 fotos mais representativas dos 50 anos de carreira do artista francês, a mostra justifica porque ele é considerado um dos grandes nomes do fotojornalismo mundial. São de sua autoria imagens famosas e marcantes, entre elas alguns de seus registros da China comunista, do Vietnã durante os anos de conflito e da descolonização de países africanos. Para os curadores, sua exposição marcou tanto pelo resgate da historiografia contemporânea do mundo quanto pela sensibilidade impressa na composição de cenas do cotidiano.
Riboud esteve no Brasil convidado pelo FestFotoPoA em 2009, quando passeou pela cidade e lotou o auditório do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo para contar suas histórias.



Os álbuns de família do FestFotoPoa

Se os trabalhos expostos de Felizardo e Riboud ajudam a difundir obras de autores já consolidados, as coleções dedicadas ao tema desta edição, A Família – relações sociais, memória e cidadania, priorizam nomes contemporâneos ou menos conhecidos. A fim de mostrar que, quando realizada em território próprio, a fotografia muitas vezes interliga momentos da história familiar com a história humana, o FestFoto apostou em narrativas que apontam possíveis caminhos para a compreensão de hábitos, costumes e códigos sócio-culturais. Nesta perspectiva, funcionavam os três eixos expositivos da edição: convivência, memória e cidadania.
Ainda dentro desta temática, a mostra Álbum de Família buscou mostrar como a intimidade familiar pode romper códigos de comportamento e interferir na cena fotografada, oferecendo a possibilidade de descoberta de um olhar mais autoral e de uma produção pouco conhecida de profissionais veteranos. Com curadoria de Rubens Fernandes Junior, foram disponibilizadas obras de Nair Benedito, João Urban, Luis Humberto, Geraldo de Barros, Otto Stupakoff, Thomaz Farkas, Mario Cravo Neto e Bob Wolfenson. Imagens históricas de Júlio Calegari e Virgilio Calegari foram disponibilizadas pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, de Caxias do Sul.


Uma foto vale mais que mil fotógrafos

Foto: Divulgação FestFotoPoA

Em sua segunda edição, o evento que reúne fotógrafos às margens do Rio Guaíba repetiu o clima de encontro e celebração da fotografia. Em 2011, o FestFotoPoA lançou o projeto “Eu fui, eu vou”, uma referência ao retrato coletivo realizado na cidade de Ouro Preto (MG), em 1987. Na ocasião, os principais nomes da fotografia brasileira foram fotografados juntos durante a VI Semana Nacional de Fotografia – InFoto Funarte.

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Segundo o fotógrafo Carlos Carvalho, em 2011, o festival conseguiu unir duas coisas que buscava desde o princípio: “Tivemos uma programação de projeções que atendeu o tema do Festival, mas também se relacionou com o que está sendo debatido no campo da fotografia. O festival não cresceu apenas em tamanho, ele conseguiu atingir uma dimensão real de fórum de debates. Temas como educação e arte contemporânea, economia da cultura e patrimônio interessam não apenas à fotografia, mas a qualquer setor que quer pensar a sociedade hoje em dia”.

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