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Posts tagged ‘retratos’

22
jun

Nick Knight: ampliando as fronteiras visuais de moda

 

 

Um rápido olhar para as fotos de Nick Knight é suficiente para se ter noção de como seu trabalho se destaca na fotografia de moda. Não é à toa que suas imagens dão a cara de campanhas de marcas como Dior, Swarovski, Levi Strauss, Calvin Clein e Yves Saint Laureant. Além disso, nomes ilustres como Yohji Yamamoto, John Galliano e Alexander McQueen já foram clientes de Knight, considerado um criador que ampliou as fronteiras visuais da moda. No post de hoje, vemos suas cores vivas, figuras misteriosas e formas inusitadas.

 

 

Em entrevista à revista Ponystep, o fotógrafo fala sobre o ambiente que o inspirou no início de sua carreira. “Me pareceu tão fascinante o mundo da moda internacional nos anos 1980, tão diferente de tudo que qualquer pessoa estava vendo, que eu achava uma pena apenas seis pessoas em uma sessão de fotos poderem ver o que estava acontecendo”, lembra.

 


“Naomi Campbell tinha 16 anos na época, e Prince havia lhe dado uma fita de seu novo álbum. Então ela veste uma jaqueta escarlate incrível de Yohji Yamamoto… e o jeito como ela se move! Pensei: tanta gente deveria ver isso, porque é uma incrível obra de arte, moda, teatro, como você queira chamar”, completa Knight.

 

 

O fascínio pelo mundo da moda, no entanto, é acompanhado por uma postura crítica do fotógrafo em relação às noções hegemônicas de beleza. “Meu objetivo sempre foi forçar os limites do que é e não é belo”, conta o fotógrafo ao jornal britânico The Independent.

 

 

 

 “Ao invés de ser ampliada, nossa percepção de beleza se torna cada vez mais estreita. Para fazer dinheiro, a indústria gradualmente se limita ao mínimo denominador comum. No visão de quem lidera as grandes empresas, qualquer coisa que fuja ao ordinário vai assustar as pessoas. Mas qualquer um que tenha cérebro sabe que é a estranheza e imperfeição de uma pessoa que atrai as demais”, defende o fotógrafo.

 

 

2
mar

Belo e bizarro em harmonia na obra de David LaChapelle

Retrato de David Lachapelle.

É pela marca autoral inexorável em suas imagens comerciais que David LaChapelle é um dos principais nomes da fotografia editorial e publicitária contemporânea, em especial americana. Os exagerados e ininterruptos estímulos da sociedade de consumo e o lado mais perverso e vampiresco da indústria do show business ganham, em suas imagens, uma leitura poética, escrachada, de contrastes assustadores e nuances surrealistas – ou, como o próprio prefere, hiper-realistas. Descoberto por ninguém menos que Andy Warhol (o que diz muito sobre as origens de sua veia tão pop quanto profunda, tão artística quanto comercial), o fotógrafo trabalhou durante duas décadas como retratista de celebridades, mas recentemente cansou das estrelas e decidiu se dedicar a outros assuntos.

Gisele Bündchen. Foto: David LaChapelle.

Angelina Jolie. Foto: David LaChapelle.

Ainda que a maior parte de sua carreira tenha sido focada na fotografia de celebridades, LaChapelle sempre conseguiu incluir em seus retratos profundas mensagens sociais. Nascido em 1969 na Carolina do Norte, estudou Artes Plásticas na North Carolina School of Artes, até rumar para Nova Iorque a fim de se dedicar às renomadas Arts Student League e Schoold of Visual Arts. Sua vida profissional começou em 1980, quando mostrou suas obras a galerias nova-iorquinas e atraiu o olhar de um maduro Andy Warhol, que o ofereceu seu primeiro emprego como fotógrafo na Interview Magazine. As fotos de estrelas hollywoodianas logo ganharam atenção, e, rapidamente, seu nome já figurava em uma variedade de publicações editoriais, como Vogue, Vanity Fair, GQ, Rolling Stone, i-D, além de em algumas das campanhas publicitárias mais marcantes de sua geração. Para suas lentes, posaram, apenas para citar alguns exemplos, Madonna, Tupac Shakur, Hillary Clinton, Muhammad Ali. Após estabelecer-se, decidiu tentar a sorte na direção de clipes, eventos ao vivo e documentários, colecionando prêmios também na área cinematográfica.

Dave Navarro e Carmen Electra. Foto: David LaChapelle.

Kirsten Dunst. Foto: David LaChapelle.

Seu testemunho de um mundo paralelo e surreal é transmitido em imagens que misturam glamour e comédia, beleza e bizarro. Para muitos, o que inclui o próprio, sua identidade começou a ser construída no momento em que tirou sua primeira fotografia, aos seis anos. De férias em Porto Rico com sua família, o pequeno David clicou a mãe, Helga, de biquini e segurando uma garrafa de Martini. Maravilhado pela imagem da matriarca tão bela, confiante, cativante, não largou mais a câmera. Ainda que o primeiro passo tenha sido dado quase de forma fotojornalística, o fotógrafo afirma tentar ir o mais longe possível da realidade em suas fotografias, já que “os sonhos deveriam fazer parte de qualquer cotidiano”. Essa atmosfera onírica que cria contribui para que suas fotografias sejam relacionadas a obras de artistas surrealistas, como Salvador Dalí. O absurdo desenhado em tinta, entretanto, LaChapelle reinventa em imagens digital e impecavelmente manipuladas. Outra comparação constante é feita em relação ao também fotógrafo Guy Bourdin, pelo uso glamuroso e pioneiro de cores e pelas situações inesperadas que inseriu na fotografia de moda.

Foto: David LaChapelle.

Foto: David LaChapelle.

Uma de suas mais elogiadas características é o talento para dirigir celebridades, inserindo-as de forma natural em contextos, situações ou poses polêmicas – como o celebrado clique de Angelina Jolie em estado de êxtase –, muitas vezes degradantes – como os cliques de Pamela Anderson repletos de referências à artificialidade de seu corpo. Pâmela, aliás, ao lado da plastificada Amanda Lepore, é uma de suas principais musas. Outra celebridade que assume um papel importante em sua trajetória é Britney Spears, que ainda na adolescência protagonizou um dos mais polêmicos ensaios de seu portfólio, ajudando a tornar suas capas para a Rolling Stone feitas nos anos 1990 itens de colecionador. Outra estrela, Madonna, foi a responsável por um ponto de virada em sua carreira. Numa tarde de 2005, enquanto discutiam o clipe de Hung Up pelo telefone, LaChapelle decidiu em um rompante afastar o celular do ouvido, deixando a cantora gritando do outro lado da linha. “Foi um momento libertador na minha vida, decidi que não faria mais aquilo”, declarou, anos mais tarde. Depois de um longo retiro recolhido em sua casa em Maui, no Havaí, lançou em 2012 um dos primeiros frutos dessa decisão, uma série de 10 fotografias de natureza morta exibidas em galerias de Nova Iorque, Londres, Milão e St. Moritz.

Foto: David LaChapelle.

Foto: David LaChapelle.

LaChapelle declara-se um fotógrafo capaz de ser inspirado por tudo, da história da arte à cultura de rua, passando pela selva havaiana em que vive. Ainda de acordo com o próprio, seu trabalho é em um só tempo amoroso e crítico, o que o permite projetar, também em sua obra autoral, uma imagem própria da cultura pop do século XXI. São essas características que facilitaram sua transição do mundo da moda e da fotografia de celebridades para a arte contemporânea. Entre seus livros publicados estão LaChapelle Land (1966), Hôtel LaChapelle (1999), LaChapelle, Artits & Prostitutes (2006) e, no mesmo ano, o gigantesco Heaven to Hell (2006).

25
jan

As alegorias e retratos de Julia Margaret Cameron

Não foi apenas para a economia e a política britânicas que a “Era Vitoriana” (1837 – 1901) foi sinônimo de prosperidade: a época também rendeu bons frutos no campo da cultura. Neste cenário, surgiu a obra de Julia Margaret Cameron (1815 – 1879).

Study of Beatrice Cenci, Model is May Prinsep, 1867. Foto: Julia Margaret Cameron.

The Parting of Sir Lancelot and Queen Guinevere, 1874. Foto: Julia Margaret Cameron.

The Kiss of Peace, 1869. Foto: Julia Margaret Cameron.

Cameron nasceu em 1815 em Calcutá, na Índia, onde seu pai, um oficial inglês da East India Company, levara a família à trabalho. Entre as irmãs, ela era considerada o “patinho feio” — mais tarde, Virgina Woolf a definiria como a talentosa dentre as três irmãs, no prefácio de sua primeira coleção de fotografias, publicada pela Hogarth Press em 1926.

The Red and White Roses, 1865. Foto: Julia Margaret Cameron.

The Whisper of the Muse, G.F. Watts and children, 1865. Foto: Julia Margaret Cameron.

Days At Freshwater, 1870. Foto: Julia Margaret Cameron.

Cameron foi educada na França, mas retornou à Índia para se casar com um jurista inglês. Em 1848, quando seu marido se aposentou, passou a morar na Inglaterra. Sua irmã Sarah Prinsep era proprietária de um estabelecimento frequentado por muitos dos mais importantes artistas e escritores da cena londrina, com quem Julia faria amizade.

The Day Spring, My Grandchild aged two years and three months, 1865. Foto: Julia Margaret Cameron.

Love in Idleness, 1867. Foto: Julia Margaret Cameron.

I Wait, 1872. Foto: Julia Margaret Cameron.

Por ser de família abastada, o envolvimento de Cameron com a fotografia foi sempre baseado no prazer, e não em outro tipo de necessidade. Ganhou sua primeira câmera já aos 48 anos, como presente de uma de suas filhas. Sua carreira decolou rápido. Em um ano, era membro das sociedades de fotografia inglesa e escocesa.

The Gardener's Daughter, 1867. Foto: Julia Margaret Cameron.

King Lear allotting his Kingdom to his three daughters, 1872, by Julia Margaret Cameron

Sua relação com a nova ocupação era muitas vezes obsessiva, movida por um anseio de, nas palavras dela, prender toda a beleza que existe. Fazia com que seus modelos posassem por horas a fio enquanto ela laboriosamente revestia e expunha cada chapa. O resultado era pouco convencional: suas imagens tinham uma dose de subjetividade, forte apelo cênico e iluminação peculiar. A maior parte de suas fotografias se enquadra em duas categorias: retratos e alegorias encenadas, inspiradas em obras religiosas e literárias. As imagens que fez de seus amigos famosos, entre eles Charles Darwin, ajudaram a torná-la conhecida.

Charles Darwin, 1969. Foto: Julia Margaret Cameron.

Sir John Herschel with Cap, 1867. Foto: Julia Margaret Cameron.

Julia Prinsep Stephen, sobrinha de Cameron, escreveu sua biografia, publicada na primeira edição do Dictionary of National Biography, em 1886. Stephen era, além do assunto favorito da fotógrafa, sua sobrinha e mãe de Virginia Woolf.