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Posts tagged ‘Referências’

14
set

Susan Burnstine: imprevisibilidade e intuição

 

 

A fotógrafa norte-americana Susan Burnstine cria em suas imagens uma atmosfera fantasmagórica por meio de movimentos borrados, figuras disformes e paisagens nebulosas. Para criar atmosferas oníricas, aposta na imprevisibilidade de câmeras caseiras que ela mesma constrói.

 

 

 

“A série atual explora a forma pela qual o passado permanece conosco, como sombras. Essas imagens capturam memórias fugidias, como se captadas pelo canto do olho, desaparecendo no momento em que nos viramos”, conta a fotógrafa.

 

 

 

O processo de captura é um aspecto fundamental do trabalho de Susan: ela criou, à mão, 21 câmeras analógicas. A estrutura dos equipamentos, somada à atuação das lentes, torna o trabalho imprevisível e tecnicamente desafiador.

 

 

 

“As câmeras são primeiramente feitas de plástico, com partes de equipamentos vintage e objetos caseiros aleatórios. As lentes são feitas de plástico e borracha”, explica a fotógrafa.

 

 

 

“Aprender a superar as limitações dos equipamentos me levou a confiar no meu instinto e na minha intuição – as mesmas ferramentas fundamentais para interpretar os sonhos”, diz Susan, relacionando as questões técnicas do trabalho ao caráter onírico das imagens.

 

 

 

Nascida em Chicago, Susan Burnstine trabalha atualmente em Los Angeles. Sua produção fotográfica já circulou por espaços de exposição e revistas de diversos países. Mais do que uma ferramenta para fotografar e interpretar sonhos, a intuição, para ela, é um recurso fundamental para “explorar o invisível”.

 

 

22
jun

Nick Knight: ampliando as fronteiras visuais de moda

 

 

Um rápido olhar para as fotos de Nick Knight é suficiente para se ter noção de como seu trabalho se destaca na fotografia de moda. Não é à toa que suas imagens dão a cara de campanhas de marcas como Dior, Swarovski, Levi Strauss, Calvin Clein e Yves Saint Laureant. Além disso, nomes ilustres como Yohji Yamamoto, John Galliano e Alexander McQueen já foram clientes de Knight, considerado um criador que ampliou as fronteiras visuais da moda. No post de hoje, vemos suas cores vivas, figuras misteriosas e formas inusitadas.

 

 

Em entrevista à revista Ponystep, o fotógrafo fala sobre o ambiente que o inspirou no início de sua carreira. “Me pareceu tão fascinante o mundo da moda internacional nos anos 1980, tão diferente de tudo que qualquer pessoa estava vendo, que eu achava uma pena apenas seis pessoas em uma sessão de fotos poderem ver o que estava acontecendo”, lembra.

 


“Naomi Campbell tinha 16 anos na época, e Prince havia lhe dado uma fita de seu novo álbum. Então ela veste uma jaqueta escarlate incrível de Yohji Yamamoto… e o jeito como ela se move! Pensei: tanta gente deveria ver isso, porque é uma incrível obra de arte, moda, teatro, como você queira chamar”, completa Knight.

 

 

O fascínio pelo mundo da moda, no entanto, é acompanhado por uma postura crítica do fotógrafo em relação às noções hegemônicas de beleza. “Meu objetivo sempre foi forçar os limites do que é e não é belo”, conta o fotógrafo ao jornal britânico The Independent.

 

 

 

 “Ao invés de ser ampliada, nossa percepção de beleza se torna cada vez mais estreita. Para fazer dinheiro, a indústria gradualmente se limita ao mínimo denominador comum. No visão de quem lidera as grandes empresas, qualquer coisa que fuja ao ordinário vai assustar as pessoas. Mas qualquer um que tenha cérebro sabe que é a estranheza e imperfeição de uma pessoa que atrai as demais”, defende o fotógrafo.

 

 

4
mai

Steve McCurry e a busca pelo sublime

Retrato de Steve Mccurry.

“Busco o momento de descuido, quando a alma aflora, quando se registra a experiência gravada no rosto de uma pessoa. Trato de transmitir o que supõe ser essa pessoa, uma pessoa aprisionada em uma paisagem mais ampla, que poderíamos chamar a condição humana”
Steve McCurry

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Um dos principais nomes da fotografia contemporânea, Steve McCurry já foi pauta do blog por diversas vezes. Em uma dessas postagens, mostramos alguns dos mais emblemáticos retratos do autor da mais famosa capa da National Geographic. Na coleção de imagens contempladas nesse post, entretanto, voltamo-nos a alguns registros do continente asiático, um de seus assuntos prediletos. É de países como India – que o fotógrafo visitou nada menos que 75 vezes -, Sri Lanka, Miamar e Nepal que se originam todos eles.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Mesmo após quase 100 visitas à Índia, McCurry afirma sentir que apenas “arranhou a superfície” e permanece sua busca por boas histórias – muitas delas chegam de forma surpreendente. Um exemplo é a emblemática imagem de uma pedinte com um bebê no colo feita no trânsito, pela janela, em 1994. O fotógrafo relembra seu desconforto ao clicar, do conforto do carro alugado, ambos encharcados sob a chuva.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Se durante os anos 1990, trabalhando para a National Geographic, focou-se nas belezas do Sri Lanka e em suas contínuas tensões étnicas, nos anos 2000, procurou dar às imagens um viés diferente. Após a devastação do Tsunami de 2004, surpreendeu-se com a forma como a tragédia aproximou as pessoas em sua determinação de reconstruir o país destruído. E essa energia que transparece nas fotografias que fez da ilha nos últimos anos.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Em 1994, quando a demanda por roupas baratas no Ocidente já era insaciável, McCurry retratou uma gigante fábrica na Birmânia, com sua assustadora demanda de trabalho. A imagem materializa a sensação do fotógrafo de que as costureiras faziam parte de uma imensa máquina, acentuada pelas camisas cor-de-rosa que eram obrigadas a vestir.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.

Para a foto de um menino correndo em Jodhpur, na Índia, McCurry conta que ficou encantado com a luz de uma ruela ao entardecer, repleta de cores e tons de azul. Parou por ali e começou a clicar as pessoas passando, esperando pelo momento perfeito. Sua foto predileta foi a do menino pelo fato de que, em suas palavras, ele está “voando”: tem os dois pés acima do chão.

Foto: Steve McCurry.

Foto: Steve McCurry.