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Posts tagged ‘preto e branco’

19
out

O conjunto de excluídos de Anders Petersen: O Café Lehmitz

Retrato de Anders Petersen

Retrato de Anders Petersen

Anders Petersen nasceu em 1944 na cidade de Estocolmo, na Suécia. Começou a estudar pintura no ano de 1961, em Hamburgo, na Alemanha. Aos 22 anos, teve contato com Christer Strömholm e sua obra. Strömholm foi seu professor, iniciando-o na fotografia.

Foto: Anders Petersen

Em 1967, Anders começa a fotografar um bar em Hamburgo, o Café Lehmitz. Suas fotos buscavam retratar os frequentadores do local: prostitutas, travestis, alcoólatras e viciados em drogas. “Lehmitz foi meu primeiro trabalho que levei a sério. Eu realmente me identifiquei com essas pessoas e sua situação, esse grupo que estava fora da sociedade. Eu os respeitava. Eu me senti fortemente ligado a eles”, contou em entrevista ao jornalista Simon Bowcock, do The Guardian.

Foto: Anders Petersen

“As pessoas do Café Lehmitz tiveram uma presença e uma sinceridade que eu sentia falta. Tudo bem estar desesperado, ser terno, ficar sozinho ou aproveitar a companhia dos outros. Houve um grande calor e tolerância neste cenário desprovido”, disse o fotógrafo ao Rosphoto.org.


Foto: Anders Petersen

As sessões duraram três anos e, em 1970, o fotógrafo realizou sua primeira exposição, contendo 350 fotografias ambientadas no Lehmitz.

Em 1978, o projeto virou livro e, hoje, é um dos mais conceituados da história da fotografia europeia. O músico Tom Waits utilizou uma foto de Petersen na capa do seu álbum “Rain Dogs”.

Foto: Anders Petersen

Seu trabalho no Café Lehmitz o tornou conhecido por suas fotografias em preto e branco, seu estilo documental e a busca por retratar o íntimo das pessoas. Petersen expôs internacionalmente e ganhou vários prêmios durante sua carreira.

Redigido por Luis Henrique Cunha
HUB ESPM-Sul 
14
set

Susan Burnstine: imprevisibilidade e intuição

 

 

A fotógrafa norte-americana Susan Burnstine cria em suas imagens uma atmosfera fantasmagórica por meio de movimentos borrados, figuras disformes e paisagens nebulosas. Para criar atmosferas oníricas, aposta na imprevisibilidade de câmeras caseiras que ela mesma constrói.

 

 

 

“A série atual explora a forma pela qual o passado permanece conosco, como sombras. Essas imagens capturam memórias fugidias, como se captadas pelo canto do olho, desaparecendo no momento em que nos viramos”, conta a fotógrafa.

 

 

 

O processo de captura é um aspecto fundamental do trabalho de Susan: ela criou, à mão, 21 câmeras analógicas. A estrutura dos equipamentos, somada à atuação das lentes, torna o trabalho imprevisível e tecnicamente desafiador.

 

 

 

“As câmeras são primeiramente feitas de plástico, com partes de equipamentos vintage e objetos caseiros aleatórios. As lentes são feitas de plástico e borracha”, explica a fotógrafa.

 

 

 

“Aprender a superar as limitações dos equipamentos me levou a confiar no meu instinto e na minha intuição – as mesmas ferramentas fundamentais para interpretar os sonhos”, diz Susan, relacionando as questões técnicas do trabalho ao caráter onírico das imagens.

 

 

 

Nascida em Chicago, Susan Burnstine trabalha atualmente em Los Angeles. Sua produção fotográfica já circulou por espaços de exposição e revistas de diversos países. Mais do que uma ferramenta para fotografar e interpretar sonhos, a intuição, para ela, é um recurso fundamental para “explorar o invisível”.

 

 

7
set

O olhar pictorialista de Kerik Kouklis

 

 

Com formação em música e geologia, Kerik Kouklis concebe imagens com uma forte influência pictorialista, que remetem a certas abordagens da fotografia entre o século 19 e início do século 20. E não somente em termos de linguagem: Kouklis é renomado pelo trabalho com processos analógicos daquela época e pelo uso de câmeras de grande formato. No post de hoje, trazemos algumas imagens produzidas pelo fotógrafo.

 

 

 

Uma atmosfera invernal perpasse muitas das fotografias de Kouklis. A presença humana é quase nula – uma mesa de piquenique vazia, um deque aparentemente abandonado –, reforçando a atmosfera melancólica das imagens.

 

 

 

As árvores se tornam elementos fundamentais, revelam-se de forma arquetípica, o que contribui para o caráter atemporal das fotografias. Da mesma forma que se situam de maneira imprecisa no tempo, tampouco trazem indícios de uma localização geográfica específica.

 

 

 

Nascido na Califórnia, Kerik Kouklis fotografa desde 1989, após uma longa carreira como geólogo. Desde o final dos anos 1990, seu trabalho passou a ganhar mais visibilidade, passando a integrar coleções privadas e de instituições como Museum of Fine Arts de Houston, Denver Art Museum e Hoyt Institute of Fine Arts (Pensilvânia, EUA). Além das exposições, realiza oficinas sobre processos analógicos de captura e revelação.