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Posts tagged ‘irã’

6
out

“Tirar fotos é retirar do desconhecido aquilo que resiste e se recusa a vir à luz”, Jean Gaumy.

Autorretrato de Jean Gaumy.

Nascido em agosto de 1948 em Pontaillac, na França, e vinculado à Magnum desde 1977, Jean Gaumy começou sua carreira como escritor e fotógrafo, trabalhando, também, em projetos cinematográficos. Sua obra costuma abordar o tema do isolamento humano e é aclamada em todo o mundo.

Foto: Jean Gaumy.

Foto: Jean Gaumy.

Educado em Toulouse e Aurillac, começou a trabalhar como fotógrafo freelancer parar pagar por seus estudos universitários em Rouen. À convite de Raymond Depardon, tornou-se membro da agência Gamma em 1973, após integrar a Viva por um breve período. Desde o princípio, parte importante de sua produção tem como tema o confinamento. Em 1975, começou a trabalhar em duas grandes séries que ajudaram a projetar seu nome internacionalmente e se tornaram livros, L’hôpital (1976) e Les Incarcérés (1983). Sem precedentes, ambos expuseram a fragilidade dos sistemas de saúde e prisional na França e impulsionaram reformas. Gaumy foi, à propósito, o primeiro profissional a receber permissão para fotografar as prisões do país. Ele também foi o pioneiro ao ter acesso ao campo de treinamento da milícia feminina Basij, no Irã – e é essa a origem de uma de suas mais famosas fotos, tirada durante uma prática de tiros.

Foto: Jean Gaumy.

Foto: Jean Gaumy.

Durante quatro anos, Gaumy visitou o Irã por seis ou sete vezes, documentando desde fatos cotidianos até os momentos mais tensos da Guerra Irã-Iraque. “Para mim, foi uma oportunidade de descobrir o verdadeiro significado do que o país era”, define. “Abbas me disse para não acreditar em qualquer coisa que lia nos jornais e ele estava perfeitamente certo”.

Foto: Jean Gaumy.

Foto: Jean Gaumy.

Em 1984, fez seu primeiro filme, La Boucane, indicado ao prêmio César em 1986, e permaneceu trabalhando em projetos de cinema. Em 2005, dedicou-se à documentação da vida em um submarino nuclear para o filme Sous Marin passando quatro meses a bordo, debaixo d’água. Depois, começou um trabalho que o levou aos mares do Ártico, mais precisamente às terras contaminadas de Chernobyl e Fukushima, seguindo uma abordagem fotográfica considerada mais contemplativa, ligada ao estilo de seus numerosos trabalhos sobre o confinamento humano. Para o mesmo projeto, iniciou uma série de paisagens de montanhas.

Foto: Jean Gaumy.

Foto: Jean Gaumy.

12
fev

Ali Mobasser: uma história familiar a partir de documentos oficiais

 

 

Ali Mobasser apropria-se de fotos de documentos obtidas entre os 7 e 55 anos de sua tia, Afsaneh Mobasser, para narrar, na série Box 3, uma história de vida e de uma relação marcada por deslocamentos e aproximações. Afsaneh tinha uma vida privilegiada no Irã, desde seu nascimento, em 1957, até 1979. Seu pai era até então um general que chefiava a polícia do país, com forte atuação política. Com a Revolução Iraniana no final da década de 1970 e temendo perseguição, Afsaneh e seu pai deixam o país, rumo a Putney (sudoeste de Londres) – despedindo-se antes da mãe de Afsaneh, que morreria de câncer, aos 47 anos, logo após a Revolução.

 

 

 

 

Já na Europa, Afsaneh viveria a partir do início dos anos 1980 com seu irmão – pai do fotógrafo, que recentemente se divorciara, nos Estados Unidos, da mãe de Ali. Poucos anos depois, o próprio fotógrafo era mandado pela mãe para a Inglaterra, onde viveria na mesma casa que a tia e o pai.

 

 

 

 

Retomando a trajetória de Afsaneh por meio de documentos, Ali revela a passagem do tempo e sonda a experiência subjetiva de sua tia ao longo dos anos, modificando o uso oficial ao qual se destinavam as imagens. Aborda a relação dos indivíduos com o Estado, subvertendo o caráter classificatório das fotografias. E ao reconstruir a história de sua tia, reflete também sobre sua história pessoal e sobre a história do Irã.

 

 

 

 

Ali Mobasser pertence à segunda geração de iranianos vivendo no Reino Unido. Nasceu em 1976, em Maryland, Estados Unidos, partindo para a Europa aos oito anos. Graduou-se em artes pela Kingston University e trabalha como fotógrafo. Casou-se na Inglaterra e tem um filho. Sua tia, Afsaneh, faleceu aos 56 anos, em 2013, em decorrência de uma hemorragia cerebral.