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Posts tagged ‘fotografia documental’

1
jun

“Não sou um artista. Sou um criador de imagens” Thomas Hoepker

Retrato de Thomas Hoepker.

Na semana passada falamos aqui sobre a mais controversa imagem do 11/9, assinada pelo fotógrafo alemão Thomas Hoepker. Não por acaso, trata-se da mais famosa de suas fotografias, debatida incansavelmente após sua publicação, em 2006. Mas o registro está longe de ser o único icônico em seu portfólio. São de sua autoria, também, os mais famosos registros já feitos de Muhammad Ali, além de diversas imagens de valor documental e antropológico feitas ao redor do mundo. E é sobre a importância do conjunto da obra desse veterano integrante da Magnum que pretendemos falar neste post.

Foto: Thomas Hoepker.

Foto: Thomas Hoepker.

Com uma carreira de mais de 50 anos, Thomas Hoepker especializou-se em reportagem, sempre elegante em seu uso de cores. Nascido em 1936, em Munique, estudou História da Arte e Arqueologia e entre 1960 e 1963 trabalhou como fotógrafo para as publicações Münchner Illustrierte e Kristall, cobrindo eventos nos cinco continentes. Em 1964, passou a trabalhar na Stern Magazine como repórter fotográfico, mesmo ano em que Magnum passou a distribuir suas imagens de arquivo – ele só se tornaria um membro pleno no fim da década de 1980. Entre as diversas áreas em que atuou, foi cinegrafista e produziu documentários para a televisão alemã. Na década de 1970, trabalhou em parceria com sua esposa, a jornalista Eva Windmoeller, primeiro na Alemanha, depois em Nova Iorque, para onde mudaram-se como correspondentes da Stern.

 

Foto: Thomas Hoepker.

Foto: Thomas Hoepker.

Hoepker se define como um fotógrafo de rua, vê o que acontece ao redor de si e fotografa. “Não existe o conceito de premeditado, de pré-arranjado. Na minha visão, esse é o interessante da fotografia: recortar uma parte da realidade e capturar momentos adequados para serem documentados de forma memorável”. Ainda em suas palavras, a receita certa para produzir esses registros possui apenas quatro ingredientes: um bom olhar, tempo, paciência e, confessa, pura sorte.

Foto: Thomas Hoepker.

Foto: Thomas Hoepker.

De 1978 a 1981, Hoepker foi diretor de fotografia para a edição americana da Geo. O fotógrafo também atuou como Diretor de Arte para a Stern em Hamburgo entre 1987 e 1989, ano em que se tornou membro pleno da Magnum, que presidiu entre 2003 e 2006. Para ele, a mítica agência permanece a mais interessante do mundo desde sua fundação, em 1947, graças ao seu constante esforço em manter sua tradição e abraçar novas e pioneiras ideias. “Isso se deve em grande parte às contribuições de nossos jovens fotógrafos, especialmente interessados em combinar a alta qualidade das imagens com as possibilidades dos meios de comunicação modernos”.

Hoje, Hoepker vive em Nova Iorque, onde filma e produz documentários para a TV em parceria com sua segunda esposa, Christine Kruchen.

Foto: Thomas Hoepker.

Foto: Thomas Hoepker.

25
mai

Bernd e Hilla Becher: oposição à ideia da fotografia como “arte do instantâneo”

Retrato de Bernd e Hilla Becher.

Bernd e Hilla Becher são fotógrafos, mas receberam em 1990 o Leão de Ouro da Escultura na Bienal de Veneza. As esculturas, ali, eram representadas por suas fotografias de paisagens industriais abandonadas, com formas duras, obsoletas e intrigantes que, não fossem os registros do casal alemão, permaneceriam anônimas. O trabalho da dupla começou em 1958. Casaram-se em 1961 e durante mais de cinco décadas criaram em imagens registros contundentes da era pós-industrial, poéticos justamente por serem tão objetivos.

Foto: Bernd e Hilla Becher.

Foto: Bernd e Hilla Becher.

O casal tornou-se conhecido por suas “tipologias”, esquemas de imagens em preto e branco com diversos exemplos de construções industriais. Para criá-las, viajavam para siderúrgicas e minas de diversos países, fotografando silos, reservatórios de gás, torres sinuosas de carvão e minério e os fornos onde elas desembocavam. Enquanto a composição revelava a simplicidade das formas, a riqueza de detalhes era quase enciclopédica. O que alçou o portfólio dos Becher ao status de arte é justamente a forma como extraiam as grandes estruturas de seus contextos iniciais, transformando cada frame em um novo objeto. Assim, parece ser justamente a frieza do olhar que confere às imagens sentimento. As condições e precauções técnicas tomadas antes do registro das edificações eram quase sempre as mesmas: céu nublado, luz opaca, muita profundidade de campo e perspectiva frontal.

Foto: Bernd e Hilla Becher.

Foto: Bernd e Hilla Becher.

A autoria era sempre assinada em parceria, afinal, não importava quem disparava: a composição era sempre detalhadamente definida por ambos antes do clique – bem como as futuras modificações. Falecido em 2007, Bernd nasceu em Siegen, em 1931, participou da restauração de igrejas, foi aluno de Otto Rössing e em 1957 começou a estudar na Academia de Artes de Düsseldorf. Já Hilla nasceu em Potsdam em 1934 e, depois de passar por uma formação fotográfica, fugiu em 1955 da Alemanha Oriental e começou a trabalhar em Hamburgo. Foi quando se mudou para Düsseldorf e começou a trabalhar com Publicidade que conheceu Bernd. Foram viver juntos em 1958 em Siegen, uma das mais antigas áreas industriais da Alemanha.

Foi de Bernd que nasceu o desejo de reproduzir as paisagens que via em Siegen que, com o declínio da indústria metalúrgica (substituída por siderúrgicas na região do Vale do Ruhr), progressivamente começavam a sumir. A ideia inicial foi reproduzi-las em desenhos. Como ponto de partida, começou a eternizar as minas desativadas com uma câmera de pequeno formato. Gradualmente, influenciado pela estética e o método de Hilla, passou a fotografar cada vez mais, revelando a tipologia da arquitetura da era industrial.

Foto: Bernd e Hilla Becher.

Foto: Bernd e Hilla Becher.

Em 1961, com a primeira câmera profissional em mãos, iniciaram suas expedições “arqueológicas” por paisagens da era pós-industrial não apenas na Alemanha, mas também na Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França e, posteriormente, Estados Unidos. A primeira exposição veio em 1963, em Siegen. E três anos mais tarde, sua Kombi foi transformada em um improvisado laboratório durante viagens pela Inglaterra e o País de Gales.

Para o professor e crítico de arte português David Santos, o trabalho desenvolvido pela dupla transformou de modo decisivo a fotografia contemporânea, além de ter um impacto considerável no Minimalismo e na Arte Conceitual dos anos 1970. Sua obra influenciou artistas como Laurenz Berges, Andreas Gursky, Simone Nieweg, Thomas Ruff, Thomas Struth e Petra Wunderlich, além do canadense Edward Burtynsky que também produz criações dentro de propostas semelhantes. Nas palavras do intelectual, “na pluralidade desumanizada dessas fábricas esquecidas e abandonadas, [...] os Becher revelam-nos fundamentalmente uma aura arqueológica incontornável, como se estivéssemos apenas perante mais um vestígio longínquo”.

Foto: Bernd e Hilla Becher.

Foto: Bernd e Hilla Becher.

18
mai

A visão do alto de Alex MacLean

 

Retrato de Alex MacLean

 

Ao explorar perspectivas aéreas, o fotógrafo norte-americano Alex MacLean apresenta um mundo de formas no limiar da abstração. Construções, ruas e estradas convertem-se em linhas, pontos, círculos, retângulos, losangos que compõem imagens por vezes semelhantes a pinturas.

 

 

 

Chama ainda mais atenção a técnica empregada pelo fotógrafo, conforme matéria da revista Wired: pilotando um Flight Design CT de dois assentos, ele realiza manobras de 45 graus, circundando a área escolhida para a captura e fotografando pela janela esquerda da aeronave. MacLean leva consigo duas câmeras e cinco lentes que variam de 27 a 400 mm.

 

 

 

Embora também fotografe paisagens rurais, percebe-se um forte interesse de MacLean por questões em torno das cidades, especialmente em relação a forma como o planejamento urbano configura áreas residenciais.

 

 

 

O olhar irônico e o ponto de abstração que se revelam nas imagens remetem às fotografias de Andreas Gurski. Assim como o fotógrafo alemão – nas imagens de um supermercado ou da Bolsa de Valores do Kuwait, por exemplo –, MacLean nos mostra um mundo um tanto surreal e abre possibilidades para pensarmos sobre o tempo em que vivemos.