Skip to content

Posts tagged ‘fotografia de rua’

13
mar

O cotidiano abstrato de Saul Leiter

 

Em uma frase, o fotógrafo da Magnum Alex Webb sintetiza a produção fotográfica de Saul Leiter: “…uma excepcional habilidade para extrair situações complexas da vida cotidiana, imagens que ecoam a abstração da pintura e que, simultaneamente, retratam o mundo de forma límpida.” No post de hoje, apresentamos um pouco desse olhar, que mescla simplicidade e sofisticação em imagens que sempre desafiam a interpretação de quem as observa.

 

 

 

O comentário de Webb, publicado no obituário da revista The New Yorker (após o falecimento de Leiter, em 2013), reúne palavras que à primeira vista podem soar contraditórias: complexidade e forma límpida, abstração e cotidiano. Mas se analisarmos as imagens, logo percebemos a capacidade do fotógrafo de articular esses conceitos em sua poética.

 

 

 

É como se Leiter lançasse pistas para o espectador – não à toa os reflexos são um elemento recorrente em suas fotografias, bem como silhuetas e transparências.

 

 

 

Nascido em Pittsburgh (Pensilvânia, EUA), Saul Leiter iniciou sua carreira nos anos 1940, nas ruas de Nova York. Na década seguinte, teve seu trabalho reconhecido por Edward Steichen, quem o incluiu em exposições do MoMa na década de 1950. Leiter tornou-se um importante fotógrafo de moda, mantendo em paralelo sua dedicação à fotografia de rua. Somente nos anos 1990 sua produção de imagens em cores ganhou maior notoriedade – grande parte dela era guardada por Leiter, sem vir a público.

 

 

4
abr

Conversas Mudas, de Eliane Heuser

Foto: Laura Aldana

A exposição Conversas Mudas, da fotógrafa Eliane Heuser, apresenta dípticos em que se constroem diálogos entre as imagens a partir de um jogo entre elementos, formas e cores. O desenvolvimento dos trabalhos exibidos na mostra – que segue até 25 de abril, no Solar dos Câmara da Assembleia Legislativa –  teve início quando Eliane fez o Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul.

Foto: Eliane Heuser

Eliane tem um interesse particular por figuras humanas em objetos estáticos, tais como manequins e estátuas. São essas figuras que aparecem nos dípticos, acompanhadas de fotografias que retratam objetos variados – uma escala Pantone, copos, uma xícara e uma poltrona, para citar alguns deles.

Foto: Eliane Heuser

Os dípticos dão espaço a associações diversas. Distintas camadas de leitura emergem do trabalho de montagem realizado pela fotógrafa. A combinação das imagens em certa medida dá movimento às formas humanas, que passam a se relacionar com espaços e objetos situados em outros contextos.

Foto: Eliane Heuser

O professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Clóvis Dariano destaca o crescimento de quem realiza o Curso Anual, no que se refere ao domínio e a experimentação da linguagem fotográfica. “É muito interessante acompanhar o desenvolvimento dos fotógrafos que fizeram o curso. Principalmente em relação à parte conceitual dos trabalhos”, observa.

Foto: Eliane Heuser

Bióloga, com mestrado e doutorado em Botânica pela UFRGS, e professora da PUCRS ao longo de 16 anos, Eliane Heuser possui experiência com fotografia desde a década de 1970. Ministra cursos relacionados à fotografia da natureza e recentemente participou da exposição coletiva Fotógrafas Gaúchas, no Canela Foto Workshops 2013.

Foto: Eliane Heuser

Exposição Conversas Mudas, de Eliane Heuser
Período: de 2 a 25 de abril de 2014
Local: Solar dos Câmara da Assembleia Legislativa – Sala J.B. Scalco (acesso pela entrada principal do Palácio Farroupilha)
Endereço: Praça Marechal Deodoro (Praça da Matriz), 101 – Centro – Porto Alegre/RS
Visitação: de segunda a sexta-feira, 08h30-18h30 (exceto feriados)
Entrada franca

26
mar

Explorando a luz e os recursos da câmera

Foto: William Moreira

A Turma A do Curso Anual de Fotografia da ESPM-Sul levou para a rua, na última terça-feira, os conhecimentos adquiridos nas primeiras aulas do Módulo de Formação, iniciado no mês de março. Na disciplina Prática Convergente I, ministrada pelo professor Guilherme Lund, os estudantes testam em situações reais os aprendizados de fundamentos básicos da operação do equipamento fotográfico – entre eles, o uso de diferentes tipos de foco, profundidade de campo e sensibilidade, e o manejo da fotometria.

Foto: William Moreira

O cenário escolhido para a prática foi o Cemitério da Santa Casa, fundado em 1850 e conhecido por abrigar túmulos de personalidades da cultura e da política do Rio Grande do Sul, como Borges de Medeiros, Júlio de Castilhos e Teixeirinha. O local, que atrai a atenção de historiadores e arquitetos, foi escolhido por favorecer os experimentos com situações ricas de exposição à luz.

Foto: William Moreira

Os alunos produziram fotografias que priorizavam, de forma alternada, altas e baixas luzes em um mesmo ambiente. Além disso, puderam observar as diferenças que ocorrem de acordo com a modalidade de foco e a lente escolhida para cada captura. Lund explica que o domínio da técnica vai sendo constantemente apurado. Saber articular esses conhecimentos e explorar as variáveis da captura é fundamental para quem deseja articular a linguagem da fotografia.

Foto: William Moreira

“A luz é a matéria-prima da fotografia. É importante saber interpretá-la, antever como a câmera vai captar determinada luminosidade. Pequenas variações fazem muita diferença. Muitas vezes percebemos uma luz interessante, mas estamos vendo com os nossos olhos, e não nos damos conta de como a câmera irá captá-la”, analisa o professor.

Foto: William Moreira

Embora o fotômetro das câmeras sugira valores de luminosidade que podem funcionar bem para diversos propósitos, aos poucos o fotógrafo desenvolve um olhar mais crítico sobre as informações oferecidas pelos equipamentos. O profissional passa então a se apropriar desses dados para construir o discurso que deseja. “Uma determinada luz não está certa nem errada, depende da intenção do fotógrafo, do que se quer valorizar na imagem”, explica Lund.

Foto: William Moreira

Atuando há cerca de três anos como fotógrafo de eventos e em trabalhos de estúdio, Isac Ribeiro, aluno da Turma A, está aproveitando o curso para aperfeiçoar e sistematizar o conhecimento que adquiriu no mercado. “O curso dá atenção a detalhes que antes eu não percebia”, conta. A turma integra também profissionais que estão construindo novas carreiras. É o caso de Carolina Mascia, advogada durante mais de 10 anos, que agora trabalha com Marketing. “Quero levar a fotografia mais a sério. Pretendo aos poucos descobrir um nicho para atuar como fotógrafa”, conta. E acrescenta: “A organização das aulas teóricas com práticas para complementar é essencial”.

Confira o making of completo da aula no nosso Flickr.