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Posts tagged ‘fotografia autoral’

1
jul

O povo Awá-Guajá, por Domenico Pugliese

 

 

O ensaio Awá: Alto Turiaçu, do fotógrafo italiano Domenico Pugliese, retrata o grupo do povo Awá-Guajá que habita a terra indígena Alto Turiaçu, no Maranhão. Além desse território, segundo informações da Funai, os Awá vivem em outras duas terras indígenas do estado, somando uma população de mais de 400 pessoas, também formada por grupos que vivem isolados.

 

 

 

 

 

 

Caçadores, os Awá necessitam de florestas vastas, pois percorrem grandes distâncias em busca de alimento – eles conhecem e dominam o território tendo como base os caminhos percorridos para caça. Essa forma de relação com a terra, no entanto, vem sofrendo diversas restrições, o que coloca em risco a sobrevivência dos Awá.

 

 

 

 

 

 

Com a pressão da colonização, os Awá movimentaram-se em direção aos rios Turiaçu, médio Gurupi e alto Caru, no Maranhão, onde viviam inimigos tradicionais – Kaa’por e Tenetehara. O encontro de característica belicosa foi um primeiro capítulo da redução de sua população, segundo a Funai. Mais tarde, na década de 1940, o desenvolvimento da produção de algodão empurrou novamente os Awá para outros locais, nos quais se expuseram ao contato com a sociedade nacional.

 

 

 

 

 

 

Na década de 1970, o fluxo migratório aumentou por conta da abertura das rodovias BR-316 e 222, o que levou a Funai a estabelecer contato com os Awá em 1979. A proteção dos indígenas se dá pela garantia de proteção territorial das áreas ocupadas. No entanto, há décadas os Awá lidam com invasões de posseiros, garimpeiros e madeireiros, que além de lhes roubar a terra, colocam os grupos em contato com doenças como a malária.

 

 

 

 

 

 

Nascido na Itália em 1967, Domenico Pugliese vive em Londres desde 1991. Estudou fotojornalismo na Hamlet College e é fotógrafo freelance desde 1999, dedicando-se a trabalhos documentais no continente americano, do México a Terra do Fogo.

 

15
jan

“Sinto saudade do processo e da beleza das imprevisíveis aberrações químicas”, George Whiteside

Retrato de George Whiteside

George Whiteside é considerado uma lenda no mundo da moda canadense, mas atualmente tem se dedicado a projetos pessoais de belas artes. Com uma predileção pelo monocromático e altamente ligado, ainda hoje, ao analógico, o fotógrafo tem um estilo forte, e consolidou sua assinatura em campanhas de moda antes de voltar às origens, a arte, com a fotografia como forma de expressão pessoal. Como mostra a seleção deste post, mulheres estão entre os temas centrais de sua obra, geralmente nuas em cópias acompanhadas de recortes, intervenções, ilustrações.

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Whiteside estudou Arte, e não Fotografia, quando terminou a escola, e imediatamente após a graduação abriu uma galeria com amigos chamada YYZ, em Toronto, que funciona até hoje. Alguns anos depois, passou a fotografar para algumas revistas, e em pouco tempo tornou-se tão requisitado que teve de se desligar do conselho administrativo. Permaneceu dando vazão à veia criativa autoral, mas intensificou a produção apenas recentemente.

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Em seu processo criativo, leva o público em consideração, sempre buscando dar a ele mais do que intuitivamente prevê que ele espere. Seu portfólio em moda é repleto de imagens pouco convencionais para a editoria, marcadas por uma identidade visual que muito remete ao seu trabalho autoral. É isso que faz com que seus ensaios sejam considerados atemporais quando o cenário é justamente o contrário: editoriais de moda são majoritariamente datados, costumam expirar seus prazos de validade pouco depois de saírem às bancas. George afirma ter sempre evitado o termo “tendência”. “Todos nós mudamos e evoluímos, mas eu nunca quis possuir uma imagem ‘extrema’. Meu trabalho segue esse senso de estilo clássico, sou mais influenciado pelo mundo artístico do que pelo da moda”.

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

A forma como mescla diferentes técnicas é outra de suas qualidades, mas, hoje, Whiteside não usa mais suas Polaroids com tanta frequência por falta de filmes: possui algumas caixas de 665, mas adoraria encontrar alguns Type 55, 4×5 ou 8×10. “Sinto saudade do processo e da beleza das imprevisíveis aberrações químicas”. O fotógrafo também interpreta que o aumento no número de fotógrafos de moda foi proporcional aos avanços da fotografia digital. “Antes, você realmente tinha que saber fotografar”, alfineta. Em suas palavras, a maior diferença entre a fotografia de moda de outrora e a de hoje é a falta de atenção aos detalhes e o menor esforço para criar uma história real. “O digital fez com que os orçamentos caíssem, e na maioria dos casos, a qualidade também. Odeio ver o incansável uso de bordas falsas de Polaroids em cada imagem”.

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

Foto: George Whiteside

23
jul

Quando as cores se encontram: Me Julie, por Annie Collinge

Já falamos aqui sobre o trabalho da fotógrafa inglesa radicada em Nova Iorque Annie Collinge, responsável por ensaios excêntricos e ricos em cores. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, nem sempre os personagens que protagonizam esses trabalhos se restringem ao mundo da fantasia. Uma de suas obras mais recentes retrata uma personalidade relativamente famosa, a designer de moda e artista Julie Verhoeven. Na definição do jornal britânico The Independent, o mundo da moda é repleto de figuras coloridas, mas Julie se destaca por se tratar de uma das mais caleidoscópicas. Como as fotografias de Annie, as obras que Julie assina são marcadas por doses generosas de surrealismo e psicodelia. A afinidade entre as duas aparece logo no título do ensaio, que poderia remeter a uma série de autorretratos: Me Julie.

Foto: Annie Collinge.

Foto: Annie Collinge.

Inspirada pela identificação de ambas com paletas de cores brilhantes, Annie conta que escreveu à Verhoeven sugerindo o ensaio. Foi no Natal de 2012 que se encontraram, em Londres, no estúdio da estilista, para um dia de cliques improvisados e experimentais. Da divertida brincadeira nasceu o trabalho em questão, repleto de gracejos, mas com alguns elementos melancólicos. Lírios de plástico e figurinos de arlequim dão um aspecto circense às imagens, mas contrastam com as expressões sérias e tristes da modelo. Para Annie, essas dicotomias ajudam a refletir sua personalidade: “Eu pensei que ela seria realmente efusiva, mas é uma das pessoas mais auto-depreciativas que você pode encontrar”, relembra.

Foto: Annie Colinge.

Foto: Annie Colinge.

Foto: Annie Colinge.

A produção dos retratos, assinada por Annie, foi justamente inspirada nas ilustrações de moda de Julie, que transformou-se em uma versão bizarra de seus próprios croquis. Mechas azuis e verdes, rosto e mãos pintadas, figurinos coloridos, corpo de boneca e objetos peculiares (como o par de peitos de borracha que se destaca em um dos cliques) construíram uma atmosfera que transita entre o infantil e o surreal.

Foto: Annie Colinge.

Foto: Annie Colinge.

Foto: Annie Colinge.