Skip to content

12 de dezembro de 2014

Uma festa de seres desejantes, por Gui Mohallem

Retrato de Gui Mohallem

No interior dos Estados Unidos, uma celebração pagã – o Beltane, festividade celta realizada entre o equinócio da primavera e o solstício de verão, um marco para comemorar a fertilidade agropastoril. É nesse cenário que o fotógrafo mineiro Gui Mohallem concebe o ensaio Welcome home, com imagens prenhes de mistério e sensualidade.

Foto: Gui Mohallem

Foto: Gui Mohallem

“Foi ao desenvolver a série que entendi pela primeira vez a importância da experiência para o meu trabalho. Isso obviamente já acontecia, mas ficou mais evidente, durante a produção da série, que as imagens nunca existiram como tese, mas eram resultado direto das experiências internas que aconteciam durante as vivências”, conta o fotógrafo.

Foto: Gui Mohallem

Foto: Gui Mohallem

A localização do lugar onde ocorre a celebração não é revelada, tampouco são identificados seus participantes. Tal cumplicidade com o ritual é pontuada por Gabriel Bogossian no texto curatorial que acompanha as imagens: “Mohallem não mimetiza a festa como alguém que se disfarça e se mistura ao exotismo alheio; olha-a de dentro como um dos que festeja, e o faz com a câmera; nada está externo, portanto, nada é invasivo; ouvimos as vozes e o hálito dos outros festejantes, pois a imagem se torna uma feitiçaria, que nos traz de volta o mundo, com o frescor de uma primeira vez”.

Foto: Gui Mohallem

Foto: Gui Mohallem

“As fotos aconteciam somente uma vez por ano, durante as celebrações do Beltane. Por isso, eu tinha o ano todo pra processar o que tinha vivido/fotografado”, relata o fotógrafo. A série transformou-se em uma publicação, financiada em grande parte pela venda de pôsteres – impressos em papel algodão – de uma das fotos que compõe o trabalho.

Foto: Gui Mohallem

Foto: Gui Mohallem

Concluída a publicação, e já alguns anos distante das visitas à festividade, Mohallem compreende a série como uma “jornada rumo ao Outro”. Nesse percurso, conta o fotógrafo, é necessário “entender o outro como sujeito (nunca como objeto), entender os encontros como encontros de dois sujeitos, dois seres desejantes”.

Comments are closed.