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22 de outubro de 2014

O invisível de Marlos Bakker

Retrato de Marlos Bakker

Resultado de mais de 100 madrugadas em 33 residências diferentes, a série não perturbe de Marlos Bakker retrata o que acontece nas noites de sono de mais de 60 pessoas. A motivação para o trabalho tem origem no interesse do fotógrafo pela invisibilidade. “Quando digo invisível estou me referindo ao que nossos olhos não podem captar por questões físicas: o que se dá muito rápido ou muito devagar, ou o que se dá na escuridão, por exemplo. Ou, indo além, invisível simplesmente porque seria inapropriado olhar por muito tempo, uma invasão de privacidade”, explica Marlos em seu site.

Foto: Marlos Bakker

Foto: Marlos Bakker

“Em poucos dias, várias situações que eu não imaginara se apresentaram: brigas de casais, filhos vindo dormir com os pais e acendendo as luzes do quarto, gente que dizia que ia dormir em casa mas mudando de ideia durante a madrugada, gente preocupada com o que deveria ter sido uma noite calma de foto ter surpreendentemente se transformado numa noite de sexo etc”, relata o fotógrafo.

Foto: Marlos Bakker

Foto: Marlos Bakker

Afora as surpresas – que incluem um cachorro que ia dormir com a dona sem que ela se desse conta –, Marlos percebeu o quanto a obtenção das imagens interferia no sono dos seus fotografados. “Muitas pessoas chegaram a sonhar com a câmera, a incluí-la no enredo dos seus sonhos de inúmeras maneiras diferentes (algumas vezes até eu apareci nos sonhos!)”, recorda.

Foto: Marlos Bakker

Foto: Marlos Bakker

O desenvolvimento do trabalho demandou testes e pesquisas até que se chegasse ao resultado esperado e tecnicamente viável. De início, Marlos pensou em utilizar equipamento digital. Desencorajado pela fabricante de sua câmera, devido ao longo tempo de exposição ao qual inicialmente submeteria o sensor – em torno de seis horas –, experimentou obter as imagens utilizando filme.

Foto: Marlos Bakker

Foto: Marlos Bakker

Imprevistos e esquecimentos, no entanto, fizeram o fotógrafo retornar ao digital, programando capturas com exposição de, no máximo, trinta minutos cada, conforme nova orientação do fabricante. As imagens dos bastidores revelam a infraestrutura necessária para realizar a série – e para trazer à tona aquilo que não vemos enquanto dormimos.

Making of.

Carioca, Marlos Bakker descobriu a fotografia no curso de Comunicação Visual da UFRJ. Mais tarde realizou cursos de extensão de fotografia, pintura, desenho e história da arte na Scuola Lorenzo de’ Medici, em Florença, e na UCLA, em Los Angeles. Seus projetos, ou “safáris fotográficos”, procuram invadir as ilhas de privacidade que ainda nos restam como uma maneira de discutir a sociedade contemporânea. Recentemente foi finalista de prêmios como Conrado Wessel (2014), Diário Contemporâneo de Fotografia (2014), Transatlántica Photo España AECID (2013) e Descubrimientos Photo España (2013), além de ter sido premiado com uma bolsa para participar da Bienal Fotofest 2014, em Houston.

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