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10 de julho de 2013

Irmãos Vargas e a documentação dos tempos dourados de Arequipa

Retrato Irmãos Vargas

Nascidos em 1885 e 1887, respectivamente, na cidade de Arequipa, os irmãos fotógrafos Carlos e Miguel Vargas Zaconet participaram de uma época de ouro da fotografia peruana. No final do século XIX e início do século XX, as cidades de Lima, Cuzco e Arequipa foram responsáveis pelo desenvolvimento artístico do Peru. E este período teve grande significado para a história da fotografia na América Latina, diretamente ligada ao trabalho dos irmãos.

Em 1900, ainda no colégio, Carlos e Miguel fabricaram sua primeira máquina fotográfica, o que chamou a atenção do fotógrafo Máximo T. Vargas (apesar do sobrenome, Max não possuía relação familiar com Miguel e Carlos). Os irmãos passaram, então, a trabalhar em seu estúdio de fotografia.

Foto: Irmãos Vargas.

Foto: Irmãos Vargas.

Em 1912, os irmãos Vargas abriram seu próprio estúdio em Arequipa, local da primeira exposição com fotografias feitas em papel de nitrato, em 1913. Dois anos depois, conseguiram sua primeira mostra internacional coletiva, em São Francisco, Estados Unidos.

Na década de 1920, o estúdio dos irmãos Vargas recebia todos os tipos de artistas: poetas, escritores, dançarinos e atores. Embalados pela expansão e pelas correntes culturais da região (grupo Orkopata, em Puno, e Indigenistas, em Cuzco), Carlos e Miguel transformaram o estúdio em um centro de difusão cultural onde essas personalidades eram fotografadas e participavam de atividades intelectuais como debates, saraus, conferências e recitais.

Foto: Irmãos Vargas.

Foto: Irmãos Vargas.

As fotografias artísticas dos Irmãos Vargas foram reunidas recentemente na pinacoteca de São Paulo na exposição “Estúdio de Arte Irmãos Vargas – A fotografia de Arequipa, Peru  1912/1930”. O curador da mostra, Diógenes Moura comentou que “numa época em que a publicidade, a moda e o fotojornalismo estavam no início, os retratos eram o ponto alto dos estúdios em Arequipa, Lima e Cusco, e os Irmãos Vargas tornaram-se referência porque ‘revelavam a alma’ de cada um dos seus personagens”. Diógenes também destaca que as fotografias dos irmãos eram muito bem produzidas através de figurinos, objetos, móveis e acessórios de luxo. Recursos que construíam as cenas e faziam toda a diferença nos retratos.

Foto: Irmãos Vargas.

Foto: Irmãos Vargas.

Foi ainda nos anos 1920 que Arequipa teve um crescimento econômico latente por consequência de altos investimentos em infraestrutura e comércio na região, o que fomentou as exportações de lã e mineração na cidade. Assim, o poder aquisitivo da população aumentou e os estúdios fotográficos multiplicaram-se para atender à nova burguesia. Carlos e Miguel, no auge de sua produtividade, chegaram a realizar mais de 16 exposições de seu trabalho. O estúdio recebeu o título de “o melhor da América Latina”, segundo artigo do jornal The New York Herald. À medida que a fama dos irmãos crescia, os reconhecimentos surgiam em proporção.

Entretanto, a Grande Depressão de 1929 impactou, também, a economia peruana, o que acabou com parte da ousadia do estúdio. Adaptado à nova realidade, na qual a fotografia deixava progressivamente de ser um serviço de luxo, o espaço se tornou mais moderno, comercial e barato. O “Estúdio de Arte Vargas Hnos” (“Hnos”, uma abreviatura de “hermanos”) fechou em 1958, deixando recordações dos anos de glória da sociedade arequipenha.

Foto: Irmãos Vargas.

Foto: Irmãos Vargas.

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