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4 de agosto de 2017

Evgen Bavcar: o que há entre o fotógrafo e a fotografia?

 

 

Fotografia e visão parecem inseparáveis. Remetem-se uma a outra, seja quando falamos sobre a captura de imagens, seja quando as observamos. Há, no entanto, fotógrafos que se dedicam a esse ofício mesmo sem a capacidade de enxergar (ao menos no sentido mais estrito e físico desse verbo). No post de hoje, apresentamos um deles, Evgen Bavcar, talvez o mais famoso dessa fascinante linhagem de fotógrafos.

 

 

 

Esloveno naturalizado francês, Bavcar perdeu a visão gradualmente, ao longo de um período de oito meses, quando tinha apenas 12 anos. A cegueira decorreu de uma queda, que o deixou cego do olho esquerdo, e, mais tarde da explosão de uma mina, que feriu o direito. O início como fotógrafo se deu aos 16 anos, portanto, quando Bavcar já era cego.

 

 

 

“Narciso morreu afogado porque não compreendeu que entre ele e a imagem existe a água. Eu sei que entre eu e a imagem há o mundo, há a palavra dos outros, uma grande distância. Entre as imagens reais que tenho. Há uma distância intransponível de 40 anos de minhas recordações da Eslovênia”, conta o fotógrafo à revista Trópico.

 

 

 

Entre o fotógrafo e a imagem, o mundo, os outros, as palavras. De forma poética, Bavcar explica seu processo de trabalho – que nos leva a refletir sobre infindáveis questões relacionadas à fotografia. Com a ajuda de outras pessoas, Bavcar obtém informações sobre o que está acontecendo diante de sua câmera. Costuma trabalhar à noite, usando holofotes, de modo a facilitar o uso do foco automático – mesmo assim, nessa e em outras situações, consegue medir distâncias usando as mãos.

 

 

 

Nascido em 1946, Evgen Bavcar já participou de diversas exposições ao redor do mundo. No Brasil, tem um livro sobre a sua obra publicado pela Cosac Naify (Memórias do Brasil, 2003), organizado por Elida Tessler e João Bandeira. É também um dos entrevistados do documentário Janela da Alma (2001), dirigido por João Jardim e Walter Carvalho. Em seus depoimentos e nas análises a respeito do seu trabalho, ganham evidência reflexões em torno do olhar e da representação na fotografia.

 

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