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27 de outubro de 2017

Childrens of Dust: Eric Valli e a fotografia antropológica

Já falamos aqui e aqui sobre Eric Valli e sua abordagem antropológica da fotografia. Sua relação com a ciência social, aliás, vem da maneira intuitiva, íntima e nada etnocêntrica com que se envolve com as pessoas e lugares que visita, incorporando sempre os modos e a cultura locais como forma de melhor compreendê-los e, por consequência, retratá-los.  Se nas postagens anteriores mostramos sua documentação de diferentes tipos de colheitas do mel no Himalaia, hoje mostramos outro de seus mais emblemáticos ensaios: Childrens of Dust, segundo colocado no World Press Photo de 1988. “Filhos da poeira”, em tradução literal, mostra a rotina de crianças indianas trabalhando na construção de tijolos em uma olaria.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

“Meu ofício poderia ser definido como um construtor de pontes entre os homens. Os homens têm diferentes religiões, peles, culturas… mas os ossos são os mesmos. Não importa onde você está, as mesmas coisas te fazem rir. Somos iguais, mas viemos em diferentes caixas”.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

Eric Valli nasceu em Dijon, França, no ano de 1952. A forma pessoal com que  faz fotojornalismo vem do fato de que o próprio se define primeiro como um viajante, e apenas depois como fotógrafo. No cinema, terreno em que se aventura com sucesso, também tem como objetivo prioritário levar as histórias que encontra a outras praças. Para ele, esses são os meios que descobriu para dar um testemunho sobre as regiões surpreendentes que conhece, mas não se tratam de sua principal paixão. “Minha motivação é viver e conhecer pessoas… e depois vem a imagem”.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

A entrada de Valli no meio fotográfico se deu por acaso, quando aos 21 anos vivia no Himalaia, “perdido” (nas palavras do próprio), e mostrou suas imagens para alguns de seus amigos, que insistiram que ele as apresentasse a algum editor. De lá para cá, já possui mais de 15 livros publicados. Sua primeira câmera veio um pouco antes, aos 17 anos, como presente de seu pai, um pintor. Em entrevista publicada no site quesabede.com em 2006, o fotógrafo ainda se mostrava alheio à tecnologia digital. Seu equipamento permanecia uma velha Leica munida de Kodakchrome ou Ektachrome. “E quando a Kodak parar de fabricar filmes fotográficos?”, indaga o entrevistador. “O meio não importa, o que importa é que a foto transmita emoção e seja boa”, constata Valli.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

A revista australiana Smith publicou um perfil do fotógrafo quando, depois de anos na estrada, ele estabeleceu-se na capital francesa para se dedicar a trabalhos comerciais. A introdução tem tom dramático: “depois de uma vida nômade, escalando penhascos, vencendo doenças e tirando fotografias nos cantos mais solitários do planeta, o legendário Eric Valli só pensa se sobreviverá à vida em Paris”.

Foto: Eric Valli.

Foto: Eric Valli.

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