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1 de dezembro de 2017

Cem anos de Harry Callahan

Autorretrato. Foto: Harry Callahan

Pesquisar o acervo de fotografias deixado pelo norte-americano Harry Callahan (1912-1999) é conhecer as pessoas e lugares que ele amava. A sua aguda sensibilidade combinada com o experimentalismo incessante garantiu que, durante uma carreira de mais de 50 anos, ele sempre tenha encontrado novas maneiras de explorar temas pessoais, transformando a sua própria família e as cidades onde viveu em imagens capazes de fascinar um grande público.

Foto: Harry Callahan.

Eleanor and Barbara. Foto: Harry Callahan.

Se estivesse vivo, Callahan estaria comemorando seu centenário em 2012. Autodidata, ele se tornou fotógrafo amador no final dos anos 1930, quando adquiriu uma câmera e se uniu ao fotoclube da empresa Chrysler Motors de Detroit, onde trabalhava. Em 1941, influenciado por uma palestra de Ansel Adams, decidiu assumir a fotografia como profissão. Nos anos seguintes, Callahan chamou a atenção de grandes mestres da geração anterior à sua: László Moholy-Nagy o convidou para ensinar fotografia no Institute of Design (ID), em Chicago, e Edward Steichen selecionou suas fotografias para várias mostras no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque.

Eleanor and Barbara. Foto: Harry Callahan.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

A versatilidade de Callahan está ligada ao uso de diversas técnicas, como alto contraste, múltiplas exposições e desfocados. Além disso, ele trabalhou com filmes em preto e branco e colorido, em pequeno, médio e grande formato. Uma de suas práticas comuns era reduzir seu objeto a formas tão simples que este beirava a abstração, como se buscasse a essência visual das coisas. Seu objetivo, no entanto, estava mais próximo de descrever com o mínimo do que dissimular ou distorcer. O resultado, fotografias extremamente elegantes, atualmente está preservado em algumas das mais prestigiadas coleções de arte no mundo.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

Como professor, atividade que exerceu por boa parte de sua vida, Callahan aconselhava os alunos a seguirem seu exemplo enfocando temas familiares a cada um. No seu caso, isso significava fotografar a própria esposa e filha, assim como as ruas de cidades em que viveu e paisagens de lugares para onde viajava seguidamente. Dentro desse repertório, a presença da esposa Eleanor é especialmente frequente. Ela aparece nua ou vestida, na privacidade da sua casa ou em praças, em rios ou em meio a vegetação de florestas. A intimidade e confiança entre Callahan e Eleanor transparece nas fotos, que acabam revelando a força da relação que unia os dois. Em muitas imagens, Callahan mostra Eleanor e a filha do casal, Barbara, como pequenas figuras numa extensa paisagem rural ou urbana.

Eleanor and Barbara. Foto: Harry Callahan.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

O crítico John Szarkowski aponta que a maestria de Callahan estava na maneira como, durante décadas, ele foi capaz de expandir o potencial de assuntos banais ou íntimos encontrando novas formas de olhar para eles. Szarkowski, que comandou o departamento de fotografia do MoMA por mais de 30 anos, acredita que Callahan foi capaz de cumprir essa façanha porque a fotografia não era apenas a sua resposta às cenas que via, mas o próprio meio pelo qual ele vivenciava o mundo. A lógica da câmera estava sempre presente no seu olhar.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

Eleanor. Foto: Harry Callahan.

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