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6 de setembro de 2016

Os autorretratos sensoriais de Edu Monteiro

 

 

Utilizando o próprio corpo, o fotógrafo Edu Monteiro concebe imagens em que materiais variados entram em contato com seu rosto. A série Autorretrato sensorial busca inspiração em trabalhos da artista plástica brasileira Lygia Clark – mais especificamente, uma máscara sensorial que, assim como em outras obras de Lygia, propunha o contato físico com objetos para fins de autoconhecimento.

 

 

 

 

“Produzo autotransformações em vez de usar os corpos dos outros, como faziam Clark e Oiticica. Ofereço meu próprio corpo e mente a experiências semelhantes com as que Lygia trabalhava no ‘arquivo de memórias’ dos seus pacientes: os seus medos e fragilidades, através do sensorial”, explica o fotógrafo, referindo-se à guinada terapêutica da produção artística de Lygia.

 

 

 

 

A série também dialoga com outras referências, sempre com um bom humor sutil que reúne materiais tão díspares como bichos de pelúcia, bananas, cigarros e até o que parece ser o casco de um tatu.

 

 

 

 

Algo de assombroso perpassa as imagens, como se víssemos um corpo deformado por alguma mutação. As fotografias abrem espaço para reflexões sobre as relações entre o ser humano e sua capacidade produtiva, nas quais o entorno se plasma no corpo do fotógrafo. De certa forma, é como se nos fosse revelada uma apropriação de mão dupla na qual também o fotógrafo se torna objeto.

 

 

 

 

Nascido em 1972, em Porto Alegre, Edu Monteiro vive no Rio de Janeiro desde 1998. Graduado em Comunicação Social pela Unisinos, Monteiro tem mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense e atualmente cursa o doutorado em Artes da UERJ.  Já realizou diversas exposições individuais e coletivas, atuando também como curador de exposições.

 

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