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23 de agosto de 2013

Zoe Strauss e as ruas como assunto e museu

Retrato de Zoe Strauss

Enquanto alguns fotógrafos, mesmo que sob um mesmo tema, viajam incansavelmente para fotografar, outros passam uma vida inteira dentro de seu próprio bairro. Certos fotógrafos vendem cópias de seus registros da miséria e da degradação humana por um alto valor. Outros, dedicam-se a levar a arte àqueles que não podem pagar por ela. Por suas escolhas, Zoe Strauss é uma figura estranha no mundo da arte: sua grande ambição é criar uma narrativa épica que reflita a beleza e a luta da vida cotidiana. E acessível a todos, personagens e espectadores de sua obra.

Foto: Zoe Strauss.

Foto: Zoe Strauss.

Nascida em 1970 na Filadélfia, Zoe Strauss foi a primeira de sua família a se graduar no ensino médio. Ganhou uma câmera no seu aniversário de 30 anos e começou a tirar fotos nos bairros marginais de sua cidade, assunto que se tornou central em sua obra. Nas ruas, Strauss fotografa o que golpeia seu interesse, com uma especial atenção aos detalhes esquecidos, e que costumam ser propositalmente evitados.

Foto: Zoe Strauss.

Foto: Zoe Strauss.

Seus personagens são principalmente membros da classe trabalhadora e aqueles considerados vadios ou delinquentes. Pessoas marcadas por cicatrizes, tatuagens e maquiagens que poderiam ser consideradas grotescas também costumam lhe despertar empatia, sendo retratadas de forma mais desafiadora do que dramática, como se dissessem: “é assim que sou, ou escolhi ser, me aceite ou me deixe”. Seu olhar também aborda a beleza não convencional da paisagem urbana, com ênfase à publicidade, os sinais escritos à mão e o grafitti. Às vezes, o comentário é irônico, como na imagem de uma “one dollar store”, loja de produtos baratíssimos, com uma placa: “Nem tudo custa 1 dólar”.

Foto: Zoe Strauss.

Foto: Zoe Strauss.

Foi em 1995, antes de fotografar, que Strauss começou o Philadelphia Public Art Project, uma organização-de-uma-mulher-só com o objetivo de dar aos cidadãos da Philadelphia acesso à arte em sua vida cotidiana. O envolvimento com a fotografia veio em 2000, como um instumento direto para representar os temas de seu interesse. “Quando comecei a fotografar, foi como se em um canto escondido de mim eu já estivesse esperando por isso”, contou. Em 2002, seu trabalho culminou em uma exposição anual chamada “Under I-95″, sediada na rodovia interestadual abandonada I-95, no Sul da Filadelfia. As imagens foram exibidas em pilares de concreto e fotocópias foram vendidas a 5 dólares cada. Um mapa codificado mostrava a listra de títulos disponíveis. Para Strauss, zonas urbanas marginalizadas e galerias de arte se complementam. Seu envolvimento com ambos os lugares é profundo: o museu é utilizado por ela como um lugar para o discurso cívico e as ruas são um lugar de interação social. Dez anos depois da exposição, as imagens mudaram de endereço, protagonizando uma mostra solo no Philadephia Museum of Art.

Foto: Zoe Strauss.

Foto: Zoe Strauss.

Strauss formou-se em Fotografia pela Royal Academy of Fine Arts de Ghent em 2009 e foi indicada para associar-se à Magnum em 2012. Em 2006, Strauss participou da Whitney Biennial. Em 2008, publicou seu primeiro livro, America.

Foto: Zoe Strauss.

Foto: Zoe Strauss.

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