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5 de julho de 2012

Weegee e a alma suja de Nova Iorque

Retrato de Arthur Fellig a.k.a. Weegee

Weegee, pseudônimo de Arthur Fellig, foi, para muitos, um fotógrafo a frente de seu tempo, tanto pelo caráter célere e instantâneo de suas imagens quanto por seu conteúdo aterrador. Conhecido pela força e a crueza dessas fotografias em preto e branco, ele atuou no Lower East Side de Nova Iorque como fotojornalista durante as décadas de 1930 e 1940. Seu estilo foi desenvolvido enquanto acompanhava e documentava os serviços de emergência da cidade, registrando com personalidade cenas ora cotidianas, ora de crimes, acidentes, miséria e morte. O impacto dessa forma de fazer fotografia urbana chegou ao cinema: inicialmente em curtas autorais, depois em colaborações com diretores como Jack Donohue e Stanley Kubrick.

Lovers with 3-D glasses at the Palace Theatre, 1943. Foto: Weegee.

Heatspell, 1938. Children sleeping on the fire-escape. Foto: Weegee.

Nascido na Ucrânia em 1899 e batizado de Ascher Fellig, mudou seu nome para Arthur quando emigrou aos Estados Unidos com sua família, em 1909. Em Nova Iorque, trabalhou em empregos pouco tradicionais até descobrir a fotografia, primeiro como assistente de um fotógrafo comercial. Em 1924, foi contratado como técnico de revelação para a Acme Newspictures, depois United Press International Photos, mas abandonou o trabalho para se tornar fotógrafo freelancer. Trabalhava à noite e competia com a polícia para ser o primeiro a chegar na cena do crime. Logo passou a vender suas fotografias para agências de notícias e tablóides como Herald Tribune, Daily News e New York Post.

Simply Add Boiling Water. Foto: Weegee.

Accident, 42nd Street at Third Avenue, 1946. Foto: Weegee.

A grande maioria de suas fotos foi feita com os mais básicos equipamentos e técnicas fotojornalísticas da época. Sem treinamento formal, Weegee era autodidata e revelava as fotos no porta-malas de seu carro, o que ampliava sua atmosfera de instantaneidade e exclusividade, característica, também, de toda a indústria dos tablóides. No final dos anos 1930, era o único repórter nova-iorquino autorizado a ter acesso à estação de rádio da polícia.

Em 1943, cinco de suas imagens foram incluídas na exibição Action Photography do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA); depois, elas foram contempladas na obra 50 Photographs by 50 Photographers, organizada por Edward Steichen. Nessa época, passou a fazer imagens publicitárias e editoriais para publicações como Life e Vogue.

The Critic, 1943. Mrs Cavanaugh and friend entering the opera. Foto: Weegee.

 

Top hat. Outside the Metropolitan Opera House, 1943. Foto: Weegee.

Naked City (1945), “cidade nua”, foi seu primeiro livro de fotografias. A obra inspirou o filme homônimo de Mark Hellinger, que conta a história do assassinato de uma modelo em Nova Iorque. Tanto a estética quanto a temática remete às imagens do fotojornalista, nas quais cenas patéticas de beberrões decadentes e cliques de personagens sofisticados tinham o mesmo peso: eram sempre explícitos, e até desagradáveis, mas nunca feios esteticamente. Seus temas que contemplavam freaks circenses, nudistas e moradores de rua também inspiraram o trabalho de Diane Arbus no início da década de 1960. Para alguns, Weegee pode ser visto como um equivalente americano para Brassaï, que fotografou de forma pioneira cenas de rua da noite parisiense.

Arrested for bribing basketball players, 1942. Foto: Weegee.

 

Two Offenders in the Paddy Wagon. Foto: Weegee.

Em 1957, depois de ser diagnosticado com diabetes, passou a morar com sua futura esposa, Wilma Wilcox, grande apoiadora de seu trabalho. Viajaram extensivamente pela Europa, onde Weegee trabalhou para o Daily Mirror e em projetos literários e cinematográficos até 1968. Nesse período realizou experimentos com distorções e fotografias panorâmicas. A mais famosa dessas imagens mostra Marilyn Monroe grotescamente distorcida e ainda assim reconhecível.

Weegee faleceu em Nova Iorque em 1968, aos 69 anos.

 

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