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22 de março de 2013

Vida e morte na obra de Dieter Appelt

Dieter Appelt no seu estúdio em Berlim, 1990.

Após a Segunda Guerra Mundial, Dieter Appelt retornou com sua família à fazenda em que viviam e, para sua surpresa, encontrou corpos de soldados em decomposição os esperando nos campos do terreno. Essa experiência, de acordo com a crítica, foi fundamental na construção das bases estéticas e emocionais de seu trabalho. Appelt, um dos mais importantes fotógrafos alemães, integra um segmento vanguardista do país cuja produção artística é marcada pela forte influência do período pós-Guerra. Nascido em 1935, mescla em suas obras, fotografia, filme e performance e, atualmente, ministra aulas sobre esses três pilares na Berlin Academy of Fine Arts.

"First Hanging". Foto: Dieter Appelt.

"Eye Tower". Foto: Dieter Appelt.

Appelt cresceu no lado oriental do país durante a Segunda Guerra e, na década de 1960, começou a estudar fotografia e pintura. A partir dos anos 1970, influenciou-se pelos rituais de Joseph Beuys, passando a executar performances e a documentar seu desempenho através da fotografia. De acordo com ele, suas imagens e instalações vem de seus sentimentos e experiências próprias, mas também de seu desejo de expressar a agonia, a natureza decisiva de termos de nascer e morrer. “Se você realmente quer expressar alguma coisa”, ele diz, “você deve ser radical”.

"Headrest ". Foto: Dieter Appelt.

"Skull Machine". Foto: Dieter Appelt.

Duração e decadência são temas persistentes em suas fotos. Appelt costuma utilizar longas horas de exposição em uma tentativa de registrar os efeitos da passagem do tempo. Ao criar fotografias que mostram o próprio corpo coberto de pó ou envolvido por tiras de pano, revela sua preocupação com temas como a morte, o renascimento, a meditação e a transcendência, indo além dos usos convencionais do meio para dar a princípios abstratos uma forma fotográfica.
No final dos anos 1970, Appelt construiu torres cúbicas de galhos de árvores em uma remota ilha italiana e fez autorretratos dentro delas. Pontuando essa série de apresentações está uma de suas imagens mais famosas, “Der fleck auf dem spiegel, den der atemhauch schafft” (A mancha no espelho, feita pela respiração), de 1977. O fotógrafo afirma que se utiliza como modelo em suas próprias obras já que não poderia trabalhar com outras pessoas: algumas experiências vêm de dentro. “Eu não poderia exigir isso, essa resposta, de ninguém. Você não pode verbalizar certos sentimentos porque eles simplesmente não podem ser descritos em palavras”.

"Membranobject". Foto: Dieter Appelt.

"From Memory's Trace". Foto: Dieter Appelt.

Suas fotografias são exibidas extensivamente na Europa desde a década de 1970, contando com grandes exposições no Staatliche Museen zu Berlin, além de mostras individuais no Guggenheim Museum, em Nova Iorque, e no Art Institute de Chicago. Parte de sua obra também foi adquirida por grandes coleções internacionais, incluindo o Museu de Arte Moderna de Nova York, o Museu Victoria & Albert, de Londres, Centre George Pompidou, Paris, e The San Francisco Museum of Modern Art, na Califórnia.

"The Mark on the Mirror Breathing Makes". Foto: Dieter Appelt.

"The Spring". Foto: Dieter Appelt.

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