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23 de maio de 2014

Tamas Dezso: instantes de um epílogo

Retrato de Tamas Dezso

No teatro antigo, um epílogo consistia na breve despedida de um ator, após o término da ação, pedindo desculpas por eventuais deslizes do espetáculo. Na literatura, o epílogo pode servir para esclarecer conteúdos e intenções, ao final de um conto ou de uma novela. No caso específico do romance, explica a totalidade de uma obra, encerrando-a por completo. O termo é tomado de empréstimo pelo fotógrafo húngaro Tamas Dezso para intitular a série Notes for an Epilogue [Notas para um epílogo], iniciada em 2011, que apresentamos aqui com imagens de outro projeto do fotógrafo: Here, Anywhere [Aqui, qualquer lugar], em andamento desde 2009. Em ambos os trabalhos, Dezso lança um olhar para o interior da Romênia, décadas depois da derrocada do comunismo no leste europeu.

Foto: Tamas Dezso

Foto: Tamas Dezso

“Queria mostrar o período de transição do país, ou seja, o tempo após o fim da ditadura comunista de Nicolae Ceausescu [presidente da Romênia de 1965 a 1989], posterior a sua execução e à revolução”, explica o fotógrafo. As imagens apresentam um mundo em ruínas e a vida cotidiana em meio a um contexto de dissolução.

Foto: Tamas Dezso

Foto: Tamas Dezso

As fotografias apresentam um lugar em transformação. “Mudança e continuidade coexistem de forma intrigante. A história possui duas linhas: por um lado, documentar o que restou do processo de industrialização; por outro, as tradições que desaparecem em vilarejos que perdem seus habitantes devido à migração para as cidades”, explica Dezso.

Foto: Tamas Dezso

Foto: Tamas Dezso

“Aqueles que vivem na reclusão do esquecimento se mesclam com a natureza, exibindo uma humildade herdada ao longo de gerações. Mesmo apressados pela modernização, eles vivem seus últimos dias com a mesma proximidade em relação à natureza dos seus antepassados. Colaborando com o tempo, põem abaixo de forma diligente os edifícios absurdos do seu entorno”, observa o fotógrafo.

Foto: Tamas Dezso

Foto: Tamas Dezso

“Na infância pude sentir a influência do poder soviético. Adulto, compreendi e interpretei seus efeitos sociais e intelectuais, e decidi registrar realidades escondidas, essenciais para entender o país em sua condição oscilante entre os mundos oriental e ocidental. Não observo esses miniuniversos com o objetivo de mapeá-los em uma totalidade. Desejo condensar certa arbitrariedade, escolhendo detalhes das encarnações de uma existência obsoleta”, explica.

Foto: Tamas Dezso

Foto: Tamas Dezso

Ao longo do trabalho no interior da Romênia, Dezso viaja acompanhado da escritora Eszter Szablyar, com quem planeja lançar um livro em 2015. Além das fotos, a publicação trará relatos da população sobre as transformações pelas quais o país passou nas últimas décadas.

Foto: Tamas Dezso

Foto: Tamas Dezso

“O tempo começa a solapar tradições centenárias, preservadas em pequenos vilarejos e em comunidades de algumas poucas casas, minando os bastiões da forçada era industrial comunista”, conta o fotógrafo.

Foto: Tamas Dezso

Foto: Tamas Dezso

Nascido em Budapeste (1978), Tamas Dezso desenvolve projetos documentais de longa duração voltados para as margens das sociedades da Hungria, da Romênia e de outras partes do leste europeu. Suas fotos foram publicadas em diversas publicações internacionais, tais como TIME, The New York Times, National Geographic, GEO, Le Monde Magazine, The Sunday Times, PDN, Ojo de Pez, HotShoe Magazine e The British Journal of Photography.

Foto: Tamas Dezso

Foto: Tamas Dezso

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