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6 de novembro de 2012

Sobre formas e cores: Harry Gruyaert

Retrato de Harry Gruyaert. Foto: Monty May.

Por mais de 30 anos, o fotógrafo belga Harry Gruyaert registra as sutis vibrações cromáticas que saem de televisores orientais e ocidentais. Seu portfólio rico, também, em imagens originais de paisagens exóticas, da Bélgica ao Marrocos, da Índia ao Egito, tornou-o membro do time de fotógrafos da Magnum há quase três décadas. Formado na School for Photo and Cinema de Bruxelas em 1962, morou em Londres no final da década de 1960 e, ao perceber o poder da televisão no país, interessou-se por fazer um retrato da Inglaterra fotografando essas telas. Ainda que esses trabalhos sejam alguns dos que contém mais intensamente sua identidade, estão longe de serem os únicos em que sua assinatura está impressa.

Foto: Harry Gruyaert.

Foto: Harry Gruyaert.

Antes de optar em definitivo pela fotografia artística, Gruyaert trabalhou como freelancer nos ramos da moda e da publicidade, ao mesmo tempo em que exercia o cargo de diretor de fotografia na rede de televisão parisiense Flemish. Em 1969, realizou a primeira de diversas viagens ao Marrocos, e sua completa imersão nas cores e paisagens locais o renderam o Kodak Prize de 1976, além de culminarem na publicação de Morocco (1990). Longe de se render aos estereótipos do exoticismo, Gruyaert passou longos períodos, também, em cidades da Índia e do Egito. Suas imagens mostram esses países sob um ângulo peculiar, revelando cenários e atmosferas aparentemente impenetráveis. Sobre seu processo, avisa que nunca gosta de ler ou se informar sobre o destino em questão antes de viajar, opta por chegar sempre totalmente aberto e desavisado.

Foto: Harry Gruyaert.

Foto: Harry Gruyaert.

Outro de seus trabalhos que merece destaque é a cobertura dos Jogos Olímpicos de Munique em 1972. No mesmo ano, fotografou alguns dos primeiros voos do projeto espacial Apollo enquanto eram mostrados na televisão. Esse ensaio, que explorava com intensidade as cores da tela, ganhou o título de ‘TV Shots’ in Zoom e foi exibido na Delpire Gallery e na nova-iorquina Phillips de Pury & Co em 1974. O fotógrafo explica que, se ao nos depararmos com uma fotografia em preto e branco tentamos entender o que estava acontecendo entre as pessoas, com uma imagem colorida somos, antes, afetados pelos diferentes tons que expressam uma situação. “O objeto e sua cor são uma mesma coisa, o que, por sinal, é um dos princípios da teoria da percepção. Forma e cor são inseparáveis”, define.

Foto: Harry Gruyaert.

Foto: Harry Gruyaert.

Gruyaert entrou na Magnum Photos em 1981, mesmo ano em que Abbas integrou o time da agência. O fotógrafo conta que encontrou certa resistência do júri pelo fato de que muitas de suas imagens eram fotografias da televisão, com cores manipuladas. Ao falar sobre si, enfatiza sua opção pela liberdade da arte: ainda que goste de jornalismo e respeite a propaganda, critica a mediocridade de muitas das imagens publicadas em jornais e revistas, consideras, por ele, majoritariamente desinteressantes. “Arte em geral é sobre paixão, autoconhecimento”, define, “não se trata de demandas e clientes. Para mim, isso não é o suficiente, o que realmente importa, na arte e na fotografia, é a personalidade, a assinatura, o que se coloca de si”, expressa.

Foto: Harry Gruyaert.

Foto: Harry Gruyaert.

No corpo recente de seu trabalho, Gruyaert abandonou o processo em Cibachrome para abraçar a impressão digital, considerada por ele mais indicada para revelar os tons ricos encontrados em seus filmes. Para ele, o recurso abre novas possibilidades para sua obra, tornando-a mais próxima de sua intenção original: dar as próprias cores meios de afirmar sua existência.

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