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5 de janeiro de 2012

Sobre delicadeza e plasticidade

Membro fundador do grupo vanguardista f/64 e conhecida por suas fotografias de nus, cenas urbanas e temas botânicos, a americana Imogen Cunningham nasceu em 1883, em Portland. Sua primeira câmera fotográfica foi comprada aos 18 anos, mas o interesse não durou muito e a peça foi vendida pouco depois.

Auto-retrato, 1909.

O desejo de tornar-se fotógrafa voltou em 1906, quando conheceu e maravilhou-se com o trabalho de Gertrude Kasebier. Assim, aconselhada por um professor, cursou Química na Universidade de Washington, em Seattle. A construção de uma base acadêmica forte foi fundamental para a qualidade e o rigor técnico de seus trabalhos. Para pagar as despesas, trabalhou como secretária e fez slides para o departamento de botânica. Seu trabalho de conclusão, intitulado “Processos Modernos de Fotografia”, fez sucesso e foi traduzido para outros idiomas.

Leaf Pattern, 1929. Foto: Imogen Cunningham.

Depois da graduação, Imogen trabalhou no estúdio de retratos de Edward S. Curtis, onde aprendeu as técnicas de impressão em platina e familiarizou-se com o lado prático da fotografia. Interrompeu a atividade em 1909, quando a fraternidade a que era vinculada no período universitário a presenteou com uma bolsa de estudos na Technische Hochshule, em Dresden, na Alemanha. Ao retornar, abriu seu próprio, e rapidamente bem sucedido, estúdio de retratos.

Frida Kahlo, 1931. Foto: Imogen Cunningham.

Imogen era a única fotógrafa entre os membros fundadores da Sociedade de Artistas de Seattle, realizando constantes exposições na cidade. Suas fotografias retratavam com suavidade cenas românticas – que, às vezes, eram protagonizadas por ela e seus amigos. Na época, publicou o artigo “A fotografia como uma profissão para mulheres”, incitando a classe feminina a construir carreiras. Nas palavras dela, não para superar os homens, mas para tentar fazer algo por si mesmas.

Two Girls In Shadows, 1944. Foto: Imogen Cunningham.

Quando casou-se, mais precisamente após o nascimento do primeiro de seus três filhos, Imogen mudou-se para a Califórnia. Seu marido, Roi Partridge, posou para uma série de fotografias de nus aclamadas pela crítica, mas rejeitadas pelo público. Cunningan só revisitaria o tema passados mais de 50 anos.

Depois de um longo período fotografando apenas seus familiares e as flores de seu jardim, Imogen aceitou sua primeira missão comercial, para o Ballet Adolph Bohn. Na mesma época, viu seu reconhecimento crescer, expondo no prestigioso Film and Foto Exhibition de Stuttgart, na Alemanha, e em museus de arte de Berkeley e São Francisco. Seus retratos da bailarina Martha Graham foram publicados na Vanity Fair, que a convidou para trabalhar como retratista de personalidades.

Martha Graham IV, 1931. Foto: Imogen Cunningham.

Foi em 1932 que fundou, em parceria com outros fotógrafos — entre eles Ansel Adams, Edward Weston e Willard Van Dyke —, o grupo f/64. Seu objetivo era alcançar a “fotografia pura”, sem derivados de qualquer outra forma de arte, dispensando artifícios técnicos ou de composição e a defendendo como uma legítima e auto-suficiente manifestação artística. A ênfase do coletivo era a busca de imagens nítidas, com imensa profundidade de campo — daí a origem do nome, f/64, abertura mínima do diafragma de lentes fotográficas.

Eikos Hands, 1971. Foto: Imogen Cunningham.

Nos anos 1940, passou a fotografar cenários urbanos como um projeto pessoal, paralelo ao trabalho comercial e à fotografia de estúdio. Na mesma década, tornou-se professora da California School of Fine Arts. Cunningham continuou fotografando até pouco antes de sua morte, em junho de 1976, aos 93 anos.

Imogen Cunningham e Twinka Thiebaud durante aula de fotografia de nu, em 1974. Foto: Judy Dater.

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