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26 de outubro de 2012

“Se você consegue sentir o cheiro da rua olhando para a foto, é uma fotografia de rua” Bruce Gilden

Retrato de Bruce Gilden. 1998.

Nascido em 1946 e membro da Magnum desde 1998, Bruce Gilden é um fotógrafo de rua conhecido por tirar fotos muito de perto. De acordo com o próprio, quanto mais velho ele fica, mais ele se aproxima.

Se a cidade de Nova Iorque é uma das grandes protagonistas desse blog, sede da cena vanguardista que buscava legitimar a fotografia como arte nos anos 1920 e, ainda hoje, um dos pontos mais efervescentes para amantes do ofício, Gilden é certamente um nome cujo trabalho é quase inexorável da cidade: sua inspiração é justamente a complexidade da grande metrópole moderna. Nascido e criado no Brooklyn, desenvolveu um olho afiado para observar comportamentos e padrões urbanos. Estudou Sociologia, mas seu interesse em fotografia cresceu após assistir o longa Blow-Up (1966), de Michelangelo Antonioni. A partir daí, começou a estudar à noite (e a sério) na New York School of Arts.

New York City. Foto: Bruce Gilden.

New York City. Foto: Bruce Gilden.

Sua curiosidade e fascinação por personagens fortes e peculiaridades individuais está presente em seu trabalho desde o início da carreira. Seu primeiro grande projeto, no qual trabalhou até 1986, tinha como foco Coney Island e os figurões que desfilam pela legendária praia nova-iorquina. Nos primórdios, Gilden também se dedicou a fotografar New Orleans no famoso festival Mardi Gras. Saiu da cidade em 1984 para trabalhar no Haiti, instigado principalmente pelos rituais de vudu.

New York City. Foto: Bruce Gilden.

New York City. Foto: Bruce Gilden.

Em junho de 1998, Gilden integrou o time da Magnum e voltou às raízes, reaproximando-se dos espaços urbanos, em especial das ruas de Nova Iorque. Esse trabalho culminou na publicação Facing New York (1992), e, mais tarde, em A Beautiful Catastrophe (2005). Mais perto do que nunca de seus assuntos, estabeleceu um estilo expressivo e teatral que muitas vezes parece ao público uma vasta “comédia dos costumes”. Para ele, Manhattan mudou fundamentalmente desde que começou a fotografar. Nas palavras dele, está mais homogênea do que em 1981, “o lugar era mais maluco. Hoje, parece a Disney”.

New York City. Foto: Bruce Gilden.

New York City. Foto: Bruce Gilden.

Em um vídeo publicado no YouTube, é possível desvendar seu método. Ele literalmente surpreende os retratados com o flash e a câmera no meio da rua. “As pessoas acham que eu não estou as fotografando, porque é muito rápido, parece que minha intenção é clicar o que está atrás delas”, explica. Para Gilden, o uso do flash é importante porque ele ajuda a visualizar seus sentimentos em relação a cidade: a energia, o stress, o movimento. “O que vejo são muitas pessoas andando totalmente perdidas em seus pensamentos. Elas não estão pretando atenção”. Sobre a predileção pelo preto e branco, é enfático: “Eu vejo em preto e branco”.

Recentemente, seu projeto After the Off, com textos do escritor irlandês Dermot Healey, explorou a Irlanda rural e sua mania de corridas de cavalos. Outro livro com enfoque estrangeiro, Go, consiste um olhar penetrante no lado escuro do Japão, com seus moradores de rua, quadrilhas e máfia, ocasionalmente contornados por clássicos clichês visuais da cultura nipônica.

New York City. Foto: Bruce Gilden.

New York City. Foto: Bruce Gilden.

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