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7 de julho de 2015

Richard Mosse: imagens que revelam o invisível

 

 

“A beleza é uma das principais formas de fazer as pessoas sentirem algo. É a peça mais afiada na caixa de ferramentas. Se você representa situações de guerra de uma maneira bela – e às vezes elas são mesmo belas –, isso cria um problema ético na mente do espectador. É ótimo, pois leva o público a pensar na sua percepção e nas condições de produção daquelas imagens.” Assim, o fotógrafo irlandês Richard Mosse explica sua abordagem na série Infra, com imagens obtidas no Congo entre 2012 e 2013.

 

 

 

As fotografias foram feitas com o filme Kodak Aerochrome (cuja produção já foi descontinuada pela marca), que registra a clorofila presente em vegetações vivas. O suporte transforma a floresta tropical congolesa numa paisagem com certo ar surreal.

 

 

 

A técnica serve como metáfora para mostrar o invisível, explica o fotógrafo, referindo-se à morte de milhões de pessoas no Congo ao longo das últimas décadas. A mesma abordagem foi utilizada em vídeos, apresentados na instalação de Mosse intitulada The Enclave, que mostra as movimentações de tropas rebeldes no Congo e o dia a dia desesperador de quem vive no país.

 

 

 

Cenas de violência extrema foram presenciadas pelo fotógrafo, bem como traumas coletivos deixados pelos conflitos. A impossibilidade de dar conta, em imagens, de tanto sofrimento, é uma das motivações do fotógrafo.

 

 

 

Outro aspecto que chama a atenção é a postura dos soldados que aparecem na série. Segundo Mosse, a posição desafiadora de fato reflete o incômodo ao serem fotografados. Entretanto, ao mesmo tempo que essa faceta se revelava, vinha à tona também a expressividade dos militares – mais um jogo dialético da série.

 

 

 

Nascido em 1980 na Irlanda, Mosse vive atualmente em Nova York. Fez mestrado em fotografia na Yale Art School, em 2008. A instalação The Enclave fez parte da Bienal de Veneza de 2013. Outro reconhecimento importante de sua carreira é o prêmio Deutsche Börse, obtido em 2014.

 

 

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