Skip to content

12 de setembro de 2011

Referências de Raul Krebs: Joel-Peter Witkin

Retrato de Joel-Peter Witkin

Como Clóvis Dariano, tema do último post, o fotógrafo Raul Krebs também participou das aulas de experimentalismo do Curso de Fotografia da ESPM-Sul. Nelas, além de expor aos alunos fragmentos de seu trabalho autoral, também mostrou uma ampla coleção de referências: fotos de Man Ray, Eli Lotar, Lee Miller, Hans Bellmer, Pierre Boucher, Jacques-André Boiffard e Paul Elouard, apenas para citar alguns exemplos. Entre eles, Raul destaca o fotógrafo Joel-Peter Witkin e o perturbador conteúdo de suas imagens. Corpos mutilados e aleijados, símbolos sadomasoquistas, pedaços de cadáveres e ícones religiosos são alguns de seus principais objetos. Além da temática delicada, o trabalho de Witkin conta sempre com um acabamento artesanal que transcende a fotografia e transforma cada imagem em uma peça única.

Foto: Joel-Peter Witkin

Witkin nasceu em 1930 em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e começou a fotografar aos 17 anos. Suas imagens são cheias de referências a clássicos da pintura — a releitura de Velasquez é a grande favorita de Krebs — e à religião, temas que estudou com profundidade. Quando chegou a época de se alistar no exército, Witkin foi encarregado de documentar fotograficamente mortes acidentais ocorridas em treinamento. De acordo com ele, a experiência o endureceu de tal forma que o fez se alistar como fotógrafo no Vietnã. Mas pouco antes de ser chamado, tentou o suicídio e desistiu da experiência. Afastado do exército, voltou à fotografia artística, graduando-se em Arte pela Universidade do Novo México em 1976. Sua primeira exposição, em 1980, o colocou em foco de forma imediata. Se por um lado era elogiado pela densidade de sua obra, com fortes referências à morte, à dor e aos clássicos, por outro, foi atacado como blasfemo, sem pudor e sensacionalista.

Foto: Joel-Peter Witkin

Desde o princípio, o trabalho de Witkin é detalhista. Suas fotos começam como um esboço rabiscado e passam por uma minuciosa etapa de produção que inclui a procura dos objetos e personagens idealizados. A sessão em estúdio dura longas horas, bem como a pós-produção em laboratório, com manipulação direta sobre o negativo, propositalmente maltratado com agentes químicos.

Foto: Joel-Peter Witkin

Em 2009, Raul foi um dos 12 alunos selecionados para ter aulas com Witkin no Itaú Cultural de São Paulo. No projeto, os candidatos escolhiam com quem gostariam de ter aula e os próprios fotógrafos decidiam quem participaria pela avaliação de um portfólio. Além de Witkin, Joan Fontcuberta, Bernard Faucon e Martial Cherrier ministraram cursos. Raul escolheu Witkin justamente porque já conhecia seu trabalho: “Tenho ele como referência desde sempre. Nem acreditei que fui selecionado”, relembra.

Foto: Joel-Peter Witkin

Durante quatro dias inteiros de aula, Witkin expôs os por ques de seu trabalho mostrando, como recorda Krebs, praticamente foto por foto. Explicou todo o seu processo, sem se ater aos resultados, e ainda abordou o trabalho de outros fotógrafos.

Foto: Joel-Peter Witkin

Apesar da idade avançada, na época 70 anos, Witkin é recordado por Raul como jovial. E, ao contrário do que muitos podem pensar, ele não parece perturbado: “Eu também pensei que ele seria, mas ele não é. Ele é muito racional. Não é uma pervesão, ele não é doente. O corpo, para ele, é um objeto de trabalho”, conta. Raul ainda destaca que seu conceito de morte é muito diferente do que o da maioria das pessoas. Para Witkin, o corpo é só uma passagem, o que garante que ele consiga trabalhar com cadáveres, deficiências e anomalias com a naturalidade que o faz.

Foto: Joel-Peter Witkin

Read more from Sem categoria

Share your thoughts, post a comment.

(required)
(required)

Note: HTML is allowed. Your email address will never be published.

Subscribe to comments