Skip to content

25 de setembro de 2013

“Pense enquanto fotografa”, Martin Munkácsi

Retrato de Martin Munkacsi.

Durante a maior parte de sua existência, Martin Munkácsi (1896 – 1963) viveu como um aventureiro. Munido de uma câmera por mais de três décadas, o fotógrafo húngaro deixou duas vezes seus lares em Berlim e, posteriormente, Nova Iorque, para fazer registros espontâneos de lugares distantes como Rio de Janeiro, Hawaii, Turquia e Sevilha. Sempre combinando a inventividade formal com o faro de repórter, tem nomes gabaritados entre seu time de admiradores, como Richard Avedon e Henri Cartier-Bresson. A foto abaixo, aliás, não é nada menos do que a imagem que inspirou Bresson a se dedicar plenamente à fotografia. Em 1932, na época um jovem fotógrafo amador que colecionava imagens de suas viagens e amigos, Bresson viu Three Boys at Lake Tanganyka, tirada em uma praia na Libéria, e sentiu a faísca que acendeu seu entusiasmo.

“De repente eu percebi que, ao capturar o momento, a fotografia era capaz de atingir a eternidade. É a única fotografia que me influenciou. Esta imagem tem tanta intensidade, tanta joie de vivre, uma miraculosidade que me fascina até hoje” Henri Cartier-Bresson sobre  Three Boys at Lake Tanganyka

Foto: Martin Munkacsi.

Foto: Martin Munkacsi.

Nascido Maermelstein Márton em 18 de maio de 1896, na Transilvânia, Munkácsi era apaixonado por futebol e inteligente o suficiente para fazer seus próprios brinquedos, como um par de patins. Segundo sua filha Joan, ele nunca perdeu essa energia inventiva e lúdica que marcava, também, sua obra. Fugiu de casa aos 11 anos, começou a trabalhar como pintor em Budapeste aos 16. Um ano depois, juntou-se a um jornal esportivo como repórter responsável por corridas de carros e partidas de futebol e acabou consagrando-se como fotógrafo de esportes. Na época, a fotografia de ação só poderia ser feita em ambientes externos e repletos de luz. Sua inovação foi fazer essas imagens sempre com composição meticulosa.

Foto: Martin Munkacsi.

Foto: Martin Munkacsi.

Um dia, em 1928, ao registrar sem querer cenas de uma briga fatal, Martin criou um documento importante no julgamento do assassino acusado, o que o rendeu considerável notoriedade e um emprego na Alemanha. Após viver por seis anos em Berlim, mudou-se para Nova Iorque para fugir do regime nazista. Lá, tornou-se mundialmente famoso como fotógrafo de moda nas revistas Harper’s Bazaar e Life. Clicava as modelos fora do estúdio, contrariando o padrão da época, e assinou um dos primeiros artigos sobre a fotografia de nus, que também incorporava corajosamente em seus ensaios. Para muitos, encarava a moda como quem registra eventos esportivos, com modelos ao ar livre, à vontade e em movimento.

Foto: Martin Munkacsi.

Foto: Martin Munkacsi.

Seu mantra não poderia ser mais simples: “meu truque”, escreveu em 1935, “consiste em descartar todos os truques” – o que transparece no ar espontâneo de seus registros. “Nunca coloque seus assuntos posando, deixe os agir e mover naturalmente”. A velocidade da era moderna e as novas possibilidades da fotografia o encantavam, especialmente no ar. Há em seu portfólio diversas fotografias aéreas, de escolas de voo, de um Zepellin, de passageiros de um barco acenando para sua câmera no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro.

Foto: Martin Munkacsi.

Foto: Martin Munkacsi.

Com o auge de seu prestígio, veio o declínio que começou com um ataque cardíaco em 1943. Com dificuldades em se adaptar à fotografia colorida e à renovação editorial das revistas após a Segunda Guerra Mundial, perdeu contratos e entrou em crise, tendo até mesmo que vender suas câmeras para vencer as despesas. Estava praticamente destruído, mas longe de estar esquecido, na época em que morreu.

Comments are closed.