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10 de setembro de 2014

Os retratos sonoros de Daryan Dornelles

Retrato de Daryan Dornelles

Em texto publicado na edição 6 da revista Zum, Richard Avedon faz uma interessante reflexão sobre os retratos: “A questão é que não é removendo a superfície que o artista consegue chegar a seu objetivo maior, a verdadeira natureza do modelo. A superfície é tudo o que o artista tem. Ele só consegue ir além da superfície trabalhando com a superfície. Tudo o que ele pode fazer é manipular essa superfície – o gesto, a veste, a expressão – de maneira radical e correta”. O entendimento de Avedon talvez sirva para qualquer retrato, inclusive, para toda fotografia, e também nos ajuda a pensar no trabalho do fotógrafo carioca Daryan Dornelles.

Foto: Daryan Dornelles

Foto: Daryan Dornelles

Como fotografar quem vive da exposição de sua imagem? Como trabalhar com as superfícies que atores e músicos oferecem ao olhar do público, da imprensa, e claro, dos fotógrafos? Seguindo o comentário de Avedon, talvez seja inevitável escapar da atuação diante da câmera. Mas de que forma se pode manejar a atuação para ir além da atuação dos fotografados?

Foto: Daryan Dornelles

Foto: Daryan Dornelles

Certamente não há uma fórmula, mas há de se convir que basta observar uns poucos retratos e conseguimos identificar fotógrafos que dominam a arte de se aproximar dos seus personagens. Daryan é um deles. Com uma extensa produção editorial, seu trabalho passou a ser requisitado por algumas das figuras mais conhecidas do país.

Foto: Daryan Dornelles

Foto: Daryan Dornelles

Aos 43 anos, Daryan lançou recentemente o livro Retratos sonoros, que compila fotografias de astros da música brasileira. Além das imagens para divulgação e capas de cds dos músicos, o fotógrafo também se dedica à produção de imagens para revistas, retratando atores, escritores, modelos e outras figuras conhecidas pelo grande público.

Foto: Daryan Dornelles

Foto: Daryan Dornelles

As fotos de Daryan movem a relação que temos com os artistas fotografados e nos reconectam às experiências que tivemos com as obras de cada um deles. Superfícies que ressoam vozes, ritmos, falas – talvez aí o porquê da sonoridade que o fotógrafo atribui aos seus retratos.

Foto: Daryan Dornelles

Foto: Daryan Dornelles

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