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24 de julho de 2013

Os Churequeros de Manágua, por Luiz Maximiano

Retrato de Luiz Maximiano.

Luiz Maximiano, 35 anos, é um dos jovens fotógrafos brasileiros que não se contentaram com a possível segurança do fotojornalismo tradicional. Aproveitou-se da possibilidade de emancipação jornalística típica de nosso tempo, na qual fotógrafos não precisam de veículos para viabilizar coberturas, e investiu em projetos pessoais. O ensaio que ilustra este post, Os Churequeros de Manágua,é um deles, e tornou-se um dos 60 selecionados entre os mil inscritos para o Lumis Festival for Young Photojournalism de 2010, sediado em Hannover, na Alemanha. Luiz foi o único latino-americano premiado. Não por acaso, o trabalho é um fiel retrato da pobreza em que vivem centenas de habitantes do continente. La Chureca, gíria em espanhol para “lixão”, é um local de eliminação de resíduos domésticos e industriais localizado em Manágua, na Nicarágua. Das cerca de mil pessoas que lá residem e trabalham, garantindo seu sustento com o que encontram no lixo, metade são menores de 18 anos.

Foto: Luiz Maximiano.

Foto: Luiz Maximiano.

Foto: Luiz Maximiano.

Paranaense de Assis Chateubriand, Maximiano formou-se em Comunicação Social na ESPM de São Paulo. Escolheu a fotografia por acaso, em 2003, quando mudou-se para Amstedam, Holanda, e arrematou uma Canon AE-1 usada no eBay, por 40 dólares. “Trabalhava na área de comunicação de uma ONG e nas horas vagas devorava livros sobre fotografia. Fotografava em preto e branco, revelando minhas fotos num laboratório improvisado em meu quarto”, recorda.

Foto: Luiz Maximiano.

Foto: Luiz Maximiano.

Foto: Luiz Maximiano.

Em 2007, ainda na Holanda, foi eleito a revelação do ano no concurso Canonprijs, da Canon, seu passaporte para publicar na imprensa internacional. Desde então, colaborou com publicações como Time, Newsweek e The Wall Street Journal. Mais tarde, em 2011, conquistou o Prêmio Abril de Jornalismo, tornando-se repórter assíduo de Veja e outras revistas da Editora Abril, como Bravo!, Info e Alfa. No ano passado, obteve o primeiro lugar no International Photography Awards, na categoria Meio Ambiente, na qual competiu com nomes como Paolo Pellegrin, da Magnum.

Foto: Luiz Maximiano.

Foto: Luiz Maximiano.

Foto: Luiz Maximiano.

Maximiano tem em seu portfólio importantes coberturas, a maioria realizada de forma independente, como a guerra no Afeganistão, tumultos raciais em Myanmar, epidemia de HIV na África do Sul, confrontos na Europa Oriental e crise social na América Latina. Em 2012, esteve no Cairo e na Faixa de Gaza. De acordo com ele, além do perigo, o mais difícil em se cobrir uma guerra são os custos. “É muito caro pagar por hospedagem, água, comida e comunicação em um lugar desses e os grandes veículos brasileiros dificilmente vão querer bancar alguém por semanas ou meses, que é o tempo necessário para fazer um bom material”, afirma. Ainda assim, Luiz Maximiano não descarta voltar às zonas de confronto caso encontre alguma boa história: “Vou numa boa, mesmo que do meu bolso”.

Foto: Luiz Maximiano.

Foto: Luiz Maximiano.

Foto: Luiz Maximiano.

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