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14 de dezembro de 2012

Olivia Arthur, além do véu das mulheres orientais

Retrato de Olivia Arthur. Foto: Philipp Ebeling.

Nascida em 1980, a londrina Olivia Arthur é um dos mais recentes recrutamentos da Magnum. Com um trabalho focado nas mulheres do Oriente, revela com suas imagens aspectos dessas culturas nem tão conhecidos nos países ocidentais. Estudou Matemática na Universidade de Oxford e fotojornalismo na London College of Printing.

Foto: Olivia Arthur.

Foto: Olivia Arthur.

Ao completar o curso de um ano de fotojornalismo, Arthur partiu para Índia, onde de forma calma e meticulosa afinou o ofício que escolhera como profissão. Permaneceu em Nova Déli por dois anos e meio até mudar-se para a Itália, convidada para uma residência de um ano na Fabrica, estúdio de criatividade da Benetton de Oliviero Toscani. Além de assinar diversos trabalhos para a revista Colors, Olivia abriu uma galeria de fotos, a Fishbar, localizada em um restaurante vietnamita abandonado. “Foi um ótimo momento para mim, tive a oportunidade de trabalhar em algo mais substancial”, relembra. Nessa época, seu trabalho já revelava atenção aos contrastes entre Oriente e Ocidente, especialmente no que se refere aos costumes femininos. Com suas imagens, Arthur afirma, sempre pretendeu contar histórias. Por trabalhos publicados nessa época, recebeu os prêmios Inge Morath, National Media Museum e OjodePez-PhotoEspana.

Foto: Olivia Arthur.

Foto: Olivia Arthur.

Quando foi convidada para trabalhar na Arábia Saudita, abraçou a chance sem saber das dificuldades que enfrentaria nos meses iniciais. Até pouco tempo atrás, fotografar em público era ilegal na região. Sua presença só passou a ser encarada pelo povo com menos hostilidade quando os venceu no cansaço, tornando-se, ela e sua câmera, quase parte do cenário. As fotos que tirou nesse período estão reunidas no auto-publicado (sob o selo Fishbar) Jeddah Diary (2011), que já surgiu destinado a se tornar um item de colecionador.

Foto: Olivia Arthur.

Foto: Olivia Arthur.

“Todas as fotos que eu havia visto da Arábia eram de pequenas figuras negras caminhando pelas ruas, eu realmente queria fugir disso”, revela. Sua estratégia foi utilizar uma pequena câmera e mostrar as fotos às personagens. Ainda que mais relaxadas, elas permaneciam assustadas com a ideia de aparecerem, então o desafio se tornou encontrar uma maneira de esconder suas identidades sem que parecessem, nas palavras de Olivia, “fotos de criminosas”.

Foto: Olivia Arthur.

Foto: Olivia Arthur.

Atualmente, Arthur se restabeleceu em sua terra natal e trabalha para o jornal local The Hackney Gazette, além de realizar projetos pela Fishbar. Ainda assim, permanece visitando a Índia constantemente, com o patrocínio da fundação parisiense Jean-Luc Lagadere. Quando questionada sobre o por quê de, mesmo integrante do time da Magnum, optar por fotografar para um jornal local, dá em retorno outra pergunta, que sintetiza seu trabalho e seu método: “Por que razão as pessoas não se importariam com as pequenas histórias se são essas as que mais nos revelam sobre a maneira como as pessoas vivem?”.

Foto: Olivia Arthur.

Foto: Olivia Arthur.

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