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24 de outubro de 2014

O tempo em suspensão de Marco A. F.

Retrato de Marco A. F.

Já não é mais verão, diz o título do ensaio de Marco A. F. O fotógrafo apresenta um olhar para a paisagem do litoral gaúcho – mais especificamente, da praia de Tramandaí –, onde algo parece ter acontecido, ao mesmo tempo guardando as possibilidades daquilo que se avizinha – quem sabe, na próxima estação.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

“Procuro, como um arqueólogo, recuperar o que se mantém – apenas fragilmente sinalizado – nos cenários de minha juventude”, relata Marco, que passou todos os verões de sua infância e adolescência em Tramandaí. Com imagens obtidas entre 2010 e 2013, em épocas de baixa temporada, não somente as paisagens da série, como também os interiores residenciais remetem a uma noção de tempo suspenso.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

“As fotos que Marco A. F. fez em Tramandaí não tratam de ruína, nem de escombro, nem mesmo daquilo que se entende por decadência, talvez nem mesmo por abandono. São, antes, a evocação de um desejo que não se realiza, a não ser como memória”, sugere o curador e professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul Eduardo Veras.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

O impulso das lembranças da infância leva o fotógrafo a um lugar mais universal – ao mar e a nossa mirada em direção ao horizonte. “A praia nos convoca. É possível que compartilhemos uma pulsão primitiva de retorno ao oceano, onde tudo teria começado. Ou, quem sabe, seja só um desejo, histórica e lentamente construído, de experimentar o sol, a brisa, a água e o convívio com as boas almas que estiverem por lá”, reflete Veras no texto curatorial que acompanha o ensaio.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

Além de remeter aos veraneios da infância do fotógrafo e à experiência de encontro com o mar, vemos também particularidades do litoral gaúcho – ainda mais evidentes em dias nublados de inverno.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

Há ainda outra camada do ensaio na qual se percebe um vínculo das imagens com certas características dos retratos. “Tanto o formato quadrado, já clássico, do negativo 6X6, quanto a frontalidade das composições reafirmam a solenidade dos posicionamentos. São retratos, ainda que em nenhum deles se reconheça a figura humana (mesmo que ela se insinue, quase como vestígio, em cada uma dessas imagens)”, aponta Veras.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

Nascido em Lajeado (RS), em 1984, Marco A. F. é formado em Comunicação Social pela Unisinos. Expôs Já não é mais verão no Ateliê da Imagem (Rio de Janeiro, 2014) e na Galeria Augusto Meyer da Casa de Cultura Mario Quintana (Porto Alegre, 2013). Este ano apresentou na Galeria Mascate, em Porto Alegre, o ensaio Viagem pela linha invisível, fruto de uma viagem realizada ao lado de Eduardo Veras pela fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai.

Foto: Marco A. F.

Foto: Marco A. F.

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