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28 de março de 2012

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Mestres da Fotografia: Robert Capa

Robert Capa Portrait.

Nascido em Budapeste em outubro de 1913, Endre Erno Giredmann, conhecido como Robert Capa, foi um dos mais importantes fotógrafos do século 20. Entre as décadas de 1930 e 1950, esteve mais perto dos fatos do que qualquer fotojornalista havia chegado até então. No front das piores guerras, mesclava três de suas mais importantes características: a coragem, o senso apurado de composição e o olhar humano. Nas palavras de seu amigo John Steinbeck, “Capa mostrava o horror de todo um povo no rosto de uma criança”.

Israel, 1950. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1936. Foto: Robert Capa.

A paixão que transparece em muitas de suas imagens era fruto de certa obsessão com o ofício: o mais aclamado fotógrafo de guerra da história odiava a guerra – suas fotografias são justamente um manifesto contra ela. Judeu, deixou a Hungria aos 18 anos e mudou-se para Berlim, onde estudou Ciência Política. Seu desejo original era ser escritor, mas conseguiu um emprego como fotógrafo freelancer e aprendeu a amar a profissão. Com a ascensão do Nazismo, deixou a Alemanha e mudou-se para a França, encontrando dificuldades para conseguir emprego. Adotou o nome Robert Capa nesta época – “cápa”, “tubarão” em húngaro, foi seu apelido na infância. Para incorporar o nome, contou com a ajuda da namorada Gerda Taro, que intermediava o contato de possíveis clientes com o “grande fotógrafo americano”. No começo, ele se dizia tão rico e bem sucedido que podia vender suas imagens pelo preço de tabela padrão.

A French woman who had had a baby with a German soldier was punished by having her head shaved, 1944. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1943. Foto: Robert Capa.

De 1936 a 1939, fotografou os horrores da Guerra Civil Espanhola, ao lado de Gerda, sua companheira e também fotógrafa, e David Seymour. Essa cobertura o tornou famoso mundialmente, com destaque para “The Falling Soldier”, como ficou conhecida sua imagem de um antifranquista no exato momento em que leva um tiro. A fotografia teve repercussão internacional quase instantânea e se tornou um poderoso símbolo da guerra.  Além disso, foi fruto de especulação: muitos, como o jornalista Phillip Knightley, afirmavam se tratar de uma fraude. Nenhum conseguiu abalar a reputação do fotógrafo.

The Falling Soldier, 1936. Foto: Robert Capa.

Spanish Civil War, 1954. Foto: Robert Capa.

Quando Gerta foi morta na Espanha, em 1938, Capa viajou para a China e emigrou para Nova Iorque um ano depois. Como correspondente americano, fotografou a Segunda Guerra Mundial em Londres, Itália e Norte da África, além da Batalha de Normândia. Este episódio deu origem a “The Magnificent Eleven”, um de seus mais famosos ensaios. Na invasão dos Aliados às praias francesas, Capa acompanhou a segunda onda de tropas americanas, que enfrentou grande resistência dos soldados alemães. O fotógrafo tirou 106 fotos e muitas delas foram destruídas em um acidente já no laboratório, em Londres.

Departure of Chiang Kai-shek's German military advisors, 1938. Foto: Robert Capa.

D-day, 1944. Foto: Robert Capa.

Capa era amigo de artistas como Ernest Hemingway, Truman Capote, Pablo Picasso, Henri Matisse, John Huston e Gene Kelly – e todos eles foram belamente retratados por ele. Reza a lenda que seu romance de dois anos com a atriz sueca Ingrid Bergman, amiga do cineasta Alfred Hitchcock, serviu de inspiração para o filme Janela Indiscreta (1954), no qual um fotógrafo de guerra com a perna ferida passa os dias com sua mais potente lente em frente a uma janela, resistindo às tentativas de casamento da namorada.

Françoise Gilot and Pablo Picasso, 1948. Foto: Robert Capa.

Henri Matisse, 1948. Foto: Robert Capa.

É consenso que o título “Fotógrafo de Guerra” é redutor demais para a dimensão e importância de sua obra: Capa esteve na vanguarda da fotografia do século 20. Até então, as fotos de guerra eram feitas com câmeras enormes, que impossibilitavam a espontaneidade e a mobilidade. Ele utilizava uma Leica 35mm, além de uma Contax IIa e uma Nikon S. Por fotografar de perto, deu identidade ao sofrimento e à barbárie, assumindo os mesmos riscos dos soldados que fotografou, com a diferença de que as câmeras eram suas únicas armas. Em 1947, fundou a Magnum Photos ao lado de Henri Cartier-Bresson, David Seymour, George Rodger e William Vandivert. A agência foi uma cooperativa pioneira e trabalhou com fotógrafos freelancers do mundo inteiro.

D-day, 1944. Foto: Robert Capa.

Palermo, 1943. Foto: Robert Capa.

Sua morte, em 1954, foi uma trágica consequência de seu lema, a mais famosa de suas frases: “Se suas fotos não estão boas o suficiente, você não está perto o suficiente”. Pisou em uma mina durante a cobertura da guerra de Indochina para a revista Life. Foi encontrado com a câmera nas mãos.

“Quem se considera artista não consegue trabalho. Considere-se um fotojornalista e, então, faça aquilo que quiser”
Robert Capa para Henri Cartier Bresson

2 Comments Post a comment
  1. mai 9 2012

    Keep functioning ,impressive job!

    Responder

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  1. A liberdade em cores de Ernst Haas | Curso de Fotografia ESPM

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