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22 de junho de 2013

O povo alemão do século XX retratado por August Sander

Retrato de August Sander.

Considerado um dos maiores fotógrafos do período entre-guerras, August Sander fotografou a Alemanha registrando sua arquitetura, paisagens e, em especial, seus habitantes. Através dos retratos desses personagens, construiu seu mais longo e conhecido ensaio: Menschen des 20. Jahrhunderts (Pessoas do Século 20, na tradução literal). Realizado, em grande parte, entre os anos 1920 e 1930, o trabalho documentou diferentes segmentos da sociedade, tornando-se uma fonte de reflexão sociológica e filosófica.
Nascido em 17 de novembro de 1876 em uma comunidade de mineiros e agricultores em Herdorf, norte da Alemanha, August Sander trabalhou por sete anos em uma mina de carvão. Lá, vivenciou seus primeiros contatos com a fotografia, auxiliando um fotógrafo que trabalhava para a empresa mineira. Com a ajuda financeira do tio, adquiriu equipamentos e montou sua sala escura de revelação. Em 1910, Depois de trabalhar em diversos estúdios de pintura fotográfica, abriu seu próprio estabelecimento em Lindenthal.

Foto: August Sander.

Foto: August Sander.

Foi durante a República de Weimar, instaurada na Alemanha logo após a Primeira Guerra Mundial, que August Sander iniciou o projeto que desencadearia no ensaio Menschen des 20. Jahrhunderts. A ideia era retratar o homem alemão contemporâneo fotografando trabalhadores de diversas áreas. A inspiração para o trabalho surgiu quando Sander foi a Westerwald fotografar os agricultores da região. Neste ensaio, Sander identificou sua visão de sociedade segmentada em grupos de trabalho e posição social. Montou um “portfólio de arquétipos” e iniciou o trabalho com o grupo de camponeses e agricultores – que, de acordo com ele, constituíam a base da sociedade alemã –, chamado Stamm-mappe. Outro grupo era formado por profissionais como advogados, parlamentares e banqueiros. Para ele, essas profissões significavam o fundamento da vida cívica. Há ainda as classes mulheres; artistas, músicos e poetas; e, por último, a população marginalizada, constituída por deficientes mentais, ciganos e mendigos.

Foto: August Sander.

Foto: August Sander.

No diagnóstico de August Sander “a fotografia  é, por natureza, uma arte documental”. E, de fato, suas imagens tornaram-se documentos. Os elementos que compunham suas imagens, como roupas, cenários, penteados ou gestos, eram propositalmente utilizados para que permitissem que o status social e a profissão dos fotografados fossem percebidos. Seu trabalho foi tão intenso que, por meados de 1945, ele já reunia um arquivo com mais de 40 mil imagens.

Foto: August Sander.

Foto: August Sander.

Sobrevivendo à Alemanha nazista

Durante o regime nazista da Segunda Guerra Mundial, August Sander enfrentou fortes represálias.  Seu filho, Erich fazia parte do movimento de esquerda Partido dos Trabalhadores Socialistas e foi preso em 1934. A perseguição nazista fez o fotógrafo interromper seu trabalho entre 1933 e 1939 e continuar produzindo apenas fotografias de natureza e paisagens.  Em 1944, pouco antes de acabar sua pena, Erich morreu na cadeia. No mesmo ano, o estúdio do fotógrafo alemão foi bombardeado pelo governo e mais de 40 mil negativos foram destruídos. Após esse incidente, Sander mudou-se para Kuchhausen, onde continuou a trabalhar sob condições precárias.

Foto: August Sander.

Foto: August Sander.

Seu nome estava quase esquecido em Colônia quando L. Fritz Gruber reuniu suas fotografias e as apresentou ao público na exposição Photokina, no ano de 1951. Sander morreu em 1964 na cidade de Colônia, porém,  fotos não publicadas foram lançadas no sétimo volume da coleção Menschen des 20. Jahrhunderts (2002), com cerca de 600 fotografias.

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