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18 de dezembro de 2013

O olhar surrealista de Jerry N. Uelsmann


Retrato de Jerry Uelsman

“Tamanha é a crença na vida, no que a vida tem de mais precário, bem entendido, a vida real, que afinal esta crença se perde”. A frase é do Manifesto do Surrealismo, lançado em 1924 por André Breton, mas diz bastante sobre a obra de Jerry N. Uelsmann – ainda que o próprio fotógrafo fuja do rótulo surrealista. Percussor da fotomontagem na década de 1960, Uelsmann é autor de imagens tecnicamente bem feitas que ajudaram a subverter a fotografia em uma época em que consideravam como seu principal mérito a capacidade de fazer um “retrato fiel da realidade”. Pelo fato de que as fotos eram consideradas infalsificáveis documentos de eventos reais, suas habilidades eram tidas como quase mágicas – causando controvérsia e ajudando a expandir os limites da fotografia artística e da reflexão sobre seu papel.

Foto: Jerry Uelsman

Foto: Jerry Uelsman

Nascido em 1934, Uelsmann encantou-se pela fotografia ainda jovem. Nascido e criado em Detroit, Michigan, dedicou-se a aprender as técnicas fundamentais da prática ainda no ensino médio, dando continuidade à formação no Rochester Institute of Technology, onde trabalhou com Minor White e Ralph Hattersley e gradou-se em 1957. Depois, estudou na Universidade de Indiana e deu início ao desenvolvimento da abordagem que o consagraria. Décadas distante das técnicas de edição de imagens modernas, revolucionou com suas manipulações e foi desaprovado por diversos fotógrafos da época. Através da combinação de vários negativos, criava imagens unificadas de cenários impossíveis, mas harmoniosos, subvertendo as expectativas que se costumava ter em relação à fotografia. Nas palavras do próprio, o cerne de sua obra era basicamente a fotomontagem, mas sem corte ou colagem, com a imagem final projetada diretamente no papel fotográfico. “A foto é produto da combinação de imagens no processo de revelação no laboratório, usando alguns ampliadores e movimentando o papel”. Até hoje, Uelsmann prefere o laboratório químico ao Photoshop.

Foto: Jerry Uelsman

Foto: Jerry Uelsman

Autointitulado “image-maker”, criador de imagens, enfatiza que distingue sua abordagem surrealista do que é considerado arte conceitual: o objetivo é chegar em um ponto onde a resposta é emocional, e não intelectual. Seu processo criativo não se dá apenas no laboratório fotográfico, tem início quando sai com a câmera e interage com o mundo: “Não há coisas desinteressantes, o que há são pessoas desinteressantes. Para mim, dar a volta no quarteirão onde moro levaria cinco minutos, mas, quando estou com a câmera, leva cinco horas”.

Foto: Jerry Uelsman

Foto: Jerry Uelsman

Apesar de suas abordagens distintas, quase contrastantes, Uelsmann era amigo de Ansel Adams, que o convidou para ensinar em um dos workshops de Yosemite. Ueslmann também fez retratos lúdicos de Adams em honra ao amigo. Um dos componentes-chave de sua estratégia era justamente o trabalho de “pós-visualização”, uma referência ao conceito de “pré-visualização” de Adams. Em 1967, Uelsmann foi premiado com uma bolsa da Guggenheim Fellowship para “Experimentos em variadas técnicas em fotografia”. No mesmo ano sediou uma exposição solo no MoMA. Desde então, seu trabalho é exibido em acervos do mundo inteiro.

Foto: Jerry Uelsman

Foto: Jerry Uelsman

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