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27 de outubro de 2015

O homem do tempo de Evgenia Arbugaeva

 

 

Isolamento define a rotina de Vyacheslav Korotki, 63 anos, um polyarnik (meteorologista especializado no Polo Norte). Para se ter uma ideia: seu posto encontra-se na localidade de Khodovarikha, na Rússia, situada a uma hora de distância – de helicóptero – de qualquer outra cidade. Esse personagem e esse cenário são o tema da série Weather Man [Homem do tempo], da fotógrafa russa Evgenia Arbugaeva.

 

 

 

 

Korotki começou sua carreira como um entusiasta da vida em espaços abertos – os poliarniki eram exploradores dos tempos da União Soviética, uma espécie de cosmonautas do Ártico. No posto de Khodovarikha, fundado em 1933, Korotki vive em uma casa de madeira com mais de cem anos. Suas atividades incluem a medição das temperaturas, do nível da água, dos ventos e do acúmulo de neve. As informações são enviadas por rádio a uma outra estação meteorológica, que por sua vez encaminha os dados a Moscou.

 

 

 

 

Sua esposa vive em outra localidade, visitada por ele apenas eventualmente. Eles não têm filhos. O outro contato de Korotki com a sociedade se dá uma vez por ano, quando o barco Mikhail Somov lhe entrega comida e suprimentos – a viagem ocorre durante o período do verão em que é possível navegar pelo mar de Barents, que integra o Oceano Glacial Ártico.

 

 

 

 

Mesmo tendo em vista todo esse contexto, Korotki não se sente só – pelo menos conforme a percepção da fotógrafa. “Fui com a ideia de que se tratava de um ermitão que fugira do mundo por conta de algum trauma, mas não era verdade. Korotki é, de forma alguma, um homem solitário. Ele desaparece na tundra e nas tempestades de neve. Não possui uma percepção de si mesmo como a maioria das pessoas. É como se ele fosse o vento, ou o próprio tempo”, conta Evgenia em entrevista a The New Yorker.

 

 

 

 

Evgenia Arbugaeva nasceu na cidade de Tiksi, no Ártico russo, região onde desenvolve grande parte de seus trabalhos. Formou-se pelo International Center of Photography de Nova York e desde então trabalha como fotógrafa freelance. Seus trabalhos já estamparam as páginas de publicações como National Geographic e Le Monde.

 

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