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20 de março de 2012

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O fotógrafo beat

Frank Robert Portrait, 1995. Foto: Breukel Koos.

“Robert Frank… ele extraiu da America um poema triste diretamente para a película, cravando seu nome entre os grandes poetas trágicos do mundo”. A frase é de Jack Kerouac e faz parte do prefácio da primeira edição de The Americans (1959), a mais famosa e influente obra de Frank. Como afirma o fotógrafo e curador Jim Casper, o texto do mais icônico escritor da Geração Beat complementa perfeitamente as imagens: ainda que forte e poderoso, é triste e inocente, como o Jazz dos anos 1950.

Fish Kill, 1955. Foto: Robert Frank.

Indianopolis, 1955. Foto: Robert Frank.

Filho de judeus, Frank nasceu em 1924 em Zurique, na Suíça. Seu pai se tornou sem pátria após a Primeira Guerra Mundial e teve de lutar para conseguir cidadania suíça para Robert e seu irmão, Mandred. Apesar da família estar em segurança durante a Segunda Guerra Mundial, a ameaça nazista afetou Frank profundamente — e seu interesse por fotografia nasceu da vontade de expressar este sentimento. Para escapar do foco em negócios característico de sua família, treinou com alguns fotógrafos e designers até criar seu primeiro livro de imagens feito à mão, 40 fotos (1946).

Fourth of July, 1956. Foto: Robert Frank.

Parade, 1955. Foto: Robert Frank.

Um ano depois, Frank emigrou para os Estados Unidos. Foi morar em Nova Iorque, onde conseguiu um emprego como fotógrafo na Harper’s Bazaar, que logo deixou para viajar pelos continentes europeu e sul-americano. Retornou aos EUA em 1950, ano em que conheceu Edward Steichen, participou da exposição coletiva 51 American Photographers no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) e se casou com a artista Mary Frank (antes Mary Lockspeiser), com quem teve dois filhos, Andrea e Pablo.

Cafe-Beaufort, 1955. Foto: Robert Frank.

Trolly, 1955. Foto: Robert Frank.

Ainda que sua visão inicial da sociedade e da cultura norte-americana fosse otimista, sua perspectiva mudou quando entrou em confronto com o acelerado ritmo de vida do país — o que interpretou como uma valorização exagerada do dinheiro.  Frustrado, também, com o controle exagerado dos editores sobre seu trabalho, ele passou a ver os Estados Unidos como um lugar triste e solitário, o que se tornou evidente em sua fotografia. Permaneceu viajando, mudou-se com sua família para Paris por um breve período e, em 1953, começou a trabalhar como jornalista freelancer para revistas como Vogue, Fortune e McCall. Sua união com fotógrafos como Saul Leiter e Diane Arbus fez com que se tornasse parte do movimento de vanguarda que a curadora Jane Livingston classificaria como The New York School.

New York City, 1955. Foto: Robert Frank.

Picnic Ground-Grendale, 1958. Foto: Robert Frank.

Em 1955, sob influência do fotógrafo americano Walker Evans, que registrou os efeitos da Grande Depressão de 1929 no país, Frank conseguiu uma bolsa para viajar pelos Estados Unidos e fotografar todos os estratos de sua sociedade. Visitou cidades como Detroit, Miami, Reno, Utah e Chicago, quase sempre acompanhado de sua família. Ao longo de dois anos, e sempre de carro, tirou mais de 28 mil fotos. Oitenta e três delas foram selecionados para The Americans.

Charleston, 1955. Foto: Robert Frank.

Funeral, 1955. Foto: Robert Frank.

Com a publicação, Frank se tornou um dos principais artistas visuais a documentar a subcultura Beat. No retorno a Nova Iorque, conheceu Kerouac e Allen Ginsberg, afinado com seu interesse em registrar as tensões entre o otimismo da década e a realidade norte-americana, cheia de contrastes como as diferenças entre classes e as tensões raciais. Frank captou essa ironia com imagens contrastadas e enquadramentos e focos pouco tradicionais.

Rach Market, 1956. Foto: Robert Frank.

Assembly Plant, 1955. Foto: Robert Frank.

Na época do lançamento da obra, Frank abandonou a fotografia para se concentrar em fazer vídeos. Em seu portfólio está o curta Pull My Daisy (1959), escrito e narrado por Kerouac e estrelado por Ginsberg e outros poetas. Seu filme mais famoso é Cocksucker Blues, um documentário sobre a turnê mundial dos Rolling Stones de 1972. Quando viu o resultado, Mick Jagger falou: “É um filme muito bom, Robert, mas se você mostrá-lo nos Estados Unidos, nunca mais vai poder entrar no país novamente”.

 “É sempre a reação instantânea a si mesmo que produz uma fotografia.”
Robert Frank

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