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2 de janeiro de 2012

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O espírito de nosso tempo sob as lentes de Andreas Gursky

Retrato de Andreas Gursky

É possível dizer que Andreas Gursky aprendeu fotografia três vezes. Nascido em 1955 como o único filho de um bem sucedido fotógrafo comercial, cresceu em Dusseldorf, na Alemanha, aprendendo os truques do ramo antes mesmo de completar o Ensino Médio. No final dos anos 1970, passou dois anos na Folkwagschule, a Escola Folkwang, onde Otto Steinert havia criado um centro de treinamento para fotógrafos profissionais – em especial fotojornalistas. Por lá, Gursky entrou em contato com a tradição documental da fotografia, que, calcada na observação, se distanciava da fotografia comercial.

Pyongyang V, 2007 Foto: Andreas Gursky

Nos anos 1980, começou a estudar na Staatliche Kunstakademie, em sua cidade natal, onde graças a artistas como Joseph Beuys, Sigmar Polke e Gerhard Richter, tornou-se parte do foco da vibrante Alemanha no cenário pós-guerra. Lá, entrou em contato com o mundo das artes e com o método rigoroso de Bernd e Hilla Becher, fotógrafos que alcançaram destaque dentro do movimento de arte conceitual no país.

Kuwait Stock Exchange, 2008 Foto: Andreas Gursky

Quando Gursky começou a ganhar destaque, suas fotografias eram interpretadas como uma extensão da estética de seus professores. Na maturidade foi que a gama completa de sua educação refletiu na produção fotográfica, fazendo com que ele superasse os mestres — ao menos na opinião do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MoMA, responsável pela curadoria de algumas de suas exposições. Suas fotografias, grandes, vigorosas e ricas em cores e detalhes, constituem, ainda de acordo com informações MoMA, uma das conquistas mais originais e complexas do nosso tempo.

99 Cent II, 2001 Foto: Andreas Gursky

Foi a partir dos anos 1990 que o fotógrafo inclinou seu foco para elementos representativos da identidade coletiva contemporânea — que pode ser definida em alemão, sua língua original, como zeitgeist, o “espírito de nosso tempo”. Na busca por caminhos para retratá-lo, traçou uma rota internacional que incluiu cidades como Hong Kong, Cairo, Nova Iorque, Tóquio, Estocolmo, Chicago, Paris, Cingapura e Brasília. Sob suas lentes, o mundo do fim do século passado é multifacetado, gigantesco, hightech, efêmero, expansivo e global. Dentro dele, o indivíduo anônimo é apenas um entre muitos.

The Rhine II atingiu o recorde como a fotografia mais cara do mundo. A imagem, leiloada na Christie's, foi arrematada por US$ 4,338 milhões.

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