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13 de fevereiro de 2014

Michael Kenna: onde a descrição é menos importante do que a sugestão

Retrato de Michael Kenna

Michael Kenna assina obras centradas no retrato de paisagens desprovidas de figuras humanas, mas onde elas se insinuam, sempre de forma estranha, fantasmagórica, nostálgica, solitária. Uma das marcas registradas de seu trabalho é a maneira como a forma da paisagem emerge em longas exposições noturnas, o que amplia os contrastes entre textura e matéria e cria jogos suaves entre luz e sombra. Kenna também está entre os artistas cujo trabalho não se encerra na primeira impressão: é fascinado pela alquimia da gravura, buscando materializar com perfeição sua visão original.

Foto: Michael Kenna

Foto: Michael Kenna

Foto: Michael Kenna

Kenna nasceu em 1953 em Widnes, Lancashire, uma cidade industrial no nordeste da Inglaterra. Estudou na católica St. Josephs College de 1964 a 1972, cursando a Artes na Banbury School of Art após se formar no colégio. Decidiu fazer um curso de Fotografia na London College of Printing um ano depois, graduando-se com distinção em 1976. Da primeira faculdade, recorda que era ótimo em pintura: “era isso o que eu queria fazer na época”, resgata, “mas percebi que havia uma grande chance de que eu não sobrevivesse como pintor na Inglaterra. Migrei para a fotografia em parte porque sabia que conseguiria viver trabalhando comercialmente e com publicidade”. O interesse pela fotografia artística veio em 1975, pouco antes de se formar, quando conferiu a exposição The Land, seleção de 201 fotografias de paisagens  britânicas assinadas Bill Brandt – uma de suas maiores influências –, no Victoria and Albert Museum.

Foto: Michael Kenna

Foto: Michael Kenna

Foto: Michael Kenna

Enquanto trabalhava comercialmente no início de sua carreira, começou uma pesquisa sobre paisagens, perseguindo sua obra pessoal como um hobby, o que permaneceu por anos. No final da década de 1970, mudou-se para os Estados Unidos, estabelecendo-se em São Francisco. Por lá, conheceu Ruth Bernhard, fotógrafa legendária por seus estudos de nus, que também o influenciou fundamentalmente. Passou a viver logo depois em Portland e depois em Seatlle, onde está até hoje.

Foto: Michael Kenna

Foto: Michael Kenna

Foto: Michael Kenna

Kenna constrói seu trabalho em grandes capítulos: projetos de longo prazo que podem exigir-lhe retornar a lugares que já conhece e já fotografou, explorando-os novamente. “Gosto de trabalhar em três ou quatro projetos ao mesmo tempo, e mesmo quando eles supostamente acabaram, continuo por tempo indeterminado”. Foi o caso de The Rouge, Le Nôtre’s Gardens, Monique’s Kindergarten, Japan, Ratcliffe Power Station e Mont St Michel, representados neste post. Às vezes, eles levam ainda mais tempo: o estudo sobre campos de concentração, exibido em 2000, o levou a todos os campos nazistas remanescentes e demorou mais de 10 anos para ser concluído.

Foto: Michael Kenna

Foto: Michael Kenna

Foto: Michael Kenna

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