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14 de agosto de 2012

Mestres da Fotografia: Edward Weston

Retrato de Edward Weston.

Se digitarmos “Edward Weston” no mecanismo de busca deste blog, encontraremos seu nome em postagens sobre diversos outros fotógrafos. Muitos deles conviveram com ele de forma direta, fazendo parte da cena vanguardista nova-iorquina da década de 1920. Outros integram o grupo intensamente inspirado. Reconhecido como um dos mestres da fotografia do século 20, tem em seu legado milhares de imagens cuidadosamente compostas e impressas que influenciam profissionais do meio por quase um século.

Utilizando câmeras de grande formato e luz natural, ou apenas a iluminação disponível, registrou paisagens e objetos de forma pictórica, dando ares abstratos a conchas, pedras, dunas, alimentos. Para muitos, construía suas imagens com o objetivo de elevá-las ao nível da poesia — e sempre de forma sensual. A exploração da sutileza de tons e do design escultural das formas fizeram com que suas obras se tornassem uma referência de estudo dentro da prática fotográfica. Como dito pelo também fotógrafo Ansel Adams, “Weston é, no sentido real, um dos poucos artistas criativos de nosso tempo. Ele recria a matéria e as forças da natureza, fazendo com que suas formas representem a unidade fundamental do mundo. Seu trabalho ilumina a jornada interna do homem até a perfeição do espírito”.

Foto: Edward Weston.

Artichoke. Foto: Edward Weston.

Americano nascido em Hightland Park, Illinois, e criado em Chicago, ganhou sua primeira câmera ainda na escola, uma Bull’s Eye #2, presente de seu pai em 1902. Começou a fotografar nos parques da cidade nos intervalos de seu trabalho como garoto de recados e vendedor. Em 1906, viajou para California, onde trabalhou de porta em porta como retratista. Nos anos seguintes estudou fotografia na Illinois College of Photography e passou verões em estúdios fotográficos até começar a operar em seu próprio, de 1911 a 1922. Rapidamente bem sucedido e premiado, passou a se sentir cada vez mais insatisfeito com seu trabalho depois de ver uma exibição de arte moderna na San Francisco World’s Fair, em 1915. Em 1920, fez os primeiros experimentos com as semi-abstrações que se tornariam uma de suas marcas.

Shell. Foto: Edward Weston.

Pepper. Foto: Edward Weston.

Em 1922, viajou para Nova Iorque, onde conheceu Alfred Stieglitz, Paul Strand, Georgia O’Keeffe e Charles Sheeler. Na época, visitou a usina de aço ARMCO, em Ohio, e fez imagens despretensiosas que simbolizariam um ponto de virada em sua carreira. Altamente realistas, representavam uma renúncia ao pictorialismo com uma nova ênfase no abstrato, nos detalhes, nas texturas e na nitidez. Mais tarde, escreveu em um de seus diários: “A câmera deve ser usada para a gravação da vida, para revelar a substância e a essência da coisa em si, seja ela de aço polido ou de carne palpitante”.

Mudou-se para a Cidade do México em 1923, onde abriu um estúdio com sua aprendiz e amante Tina Modotti. Muitos de seus mais conhecidos retratos de nus, paisagens e close-ups de formas da natureza foram feitos nesta época. Além de Modotti, que se tornaria uma renomada fotógrafa, Weston tornou-se amigo de artistas da Renascença Mexicana como Rivera, Siqueiros e Orozco, e todos o encorajaram a manter a direção estilística que tomava. Em 1924, abandonou o foco suave por completo e começou seu estudo preciso das formas naturais. Retornou a California em definitivo no ano de 1926.

Foto: Edward Weston.

Foto: Edward Weston.

Em parceria com seu filho Brett, abriu um estúdio em São Francisco em 1928, e no ano seguinte mudou-se para Carmel, onde começou a fotografar na área da praia de Point Lobos. Foi um dos membros fundadores do grupo f/64, em 1932, de fotógrafos como Ansel Adams, Willard Van Dyke, Imogen Cunningham e Sonya Noskowiak. A proposta do grupo para a fotografia artística estava sintetizada em seu nome, termo que designa a menor abertura da maioria das lentes fotográficas para as câmeras de grande formato. Defensores da imagem direta, não manipulada, têm suas fotografias caracterizadas por grande realismo, profundidade de campo e composição rigorosa. Em 1928, também, foi publicado The Art of Edward Weston, com cerca de 40 fotografias. Na mesma época começou sua série de nus e dunas feitas em Oceano, na Califórnia, que estão entre seus mais conhecidos ensaios.

Foto: Edward Weston.

Foto: Edward Weston.

Weston tornou-se o primeiro fotógrafo a receber uma bolsa da Fundação Guggenheim para trabalho experimental, em 1936, e começou a sentir os sintomas do Mal de Parkinson dez anos depois, época em que o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque realizou uma grande retrospectiva de sua carreira, com 300 cópias de seu trabalho. Em 1948, tirou sua última fotografia em Point Lobos. Morreu em primeiro de janeiro de 1958 em sua casa em Carmel. Suas cinzas foram espalhadas na Plebby Beach, Point Lobos.

 

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