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6 de setembro de 2013

Luiz Braga: visão noturna à luz do dia

Retrato de Luiz Braga

O fotodocumentarista paranaense Luiz Braga é celebrado pela forma colorida com que retratou as pessoas e paisagens da região amazônica. Em 2012, somando mais de 35 anos de estrada, abandonou momentaneamente a abundância de tons para explorar novas possibilidades de forma, o que resultou no ensaio Nightvisions, que ilustra este post. Para a série, utilizou-se da radiação infravermelha para fotografia noturna, criando imagens esverdeadas e subvertendo a cor. Uma de suas inspirações, de acordo com o próprio, foi a aplicação militar do recurso durante a Guerra do Golfo, em 1991.

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

Até então, Braga era um fiel adepto da fotografia analógica, celebrado pelo marcante uso de cores em suas fotos. Com a primeira câmera digital adquirida em 2004, descobriu esse recurso para fotografar quase no escuro total, simples e muito utilizado por amadores. Ao explorar o infravermelho nas cenas noturnas, decidiu aprofundar a pesquisa e experimentá-lo na luz do dia, o que deu origem ao trabalho. Monocromática, a série se opõe à saturação tantas vezes comum na fotografia digital: os elementos perdem suas cores naturais e são preenchidos por uma luz densa que parece emanar dos pontos claros que compõem a cena.

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

Luiz Braga nasceu em Belém do Pará em 1956. Como é comum na história de diversos fotógrafos, ganhou sua primeira câmera aos 11 anos e manifestou imediato interesse pela prática. Em 1975, mesmo ano em que entrou na Universidade Federal do Pará, onde formou-se em Arquitetura, montou um pequeno estúdio e passou a trabalhar com fotografias urbanas e publicitárias, além de retratos. Durante a graduação, frequentou o Fotoclube do Pará, colaborou para O Estado de São Paulo e criou o tabloide Zeppelin, onde trabalhava como editor e fotógrafo.  Foi nos anos 1980, depois de fazer parte do projeto Visualidade Popular na Amazônia, da Funarte, que passou a utilizar a cor para ressaltar a riqueza visual da população e das paisagens locais.

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

Foto: Luiz Braga

A forma distante de estereótipos com que retratou a cultura amazônica o rendeu prêmios como o Leopold Godowsky Color Photography Award, da Universidade de Boston (EUA). Também recebeu a Bolsa Vitae de Fotografia para realiza o trabalho Amazônia Intimista. Em 2003, recebeu o Prêmio Porto Seguro Brasil e foi homenageado no XXI Salão Arte Pará.

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