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1 de agosto de 2014

Lisa Kristine: registros da escravidão

Retrato de Lisa Kristine

Após documentar a vida de populações indígenas em aproximadamente uma centena de países, a fotógrafa Lisa Kristine teve uma descoberta chocante a respeito de lugares que vinha visitando: em muitos deles a escravidão ainda era uma realidade. A informação chegou a ela quando participava de uma exposição no Canadá. “Em meio a todas as pessoas surpreendentes que encontrei lá, conheci um apoiador da Free the Slaves [Libertem os escravos], uma ONG dedicada a erradicar a escravidão moderna”, relata a fotógrafa em uma palestra do TED Talks.

Foto: Lisa Kristine

Foto: Lisa Kristine

Embora soubesse que se tratava de uma questão social ainda existente, Lisa ficou surpresa com a dimensão da questão: “Após terminarmos a conversa, eu me senti tão mal e honestamente com vergonha da minha falta de conhecimento sobre essas atrocidades acontecendo durante minha vida, e pensei, se eu não sei, quantas outras pessoas também não sabem?”. Estima-se que atualmente, em todo o mundo, haja em torno de 27 milhões de pessoas vivendo em regime de escravidão – mais de duas vezes o número de pessoas levadas da África para as Américas entre os séculos 16 e 19. Após ter contato com o tema, Lisa passou a colaborar com o grupo Free the Slaves.

Foto: Lisa Kristine

Foto: Lisa Kristine

Na Índia e no Nepal, por exemplo, ela fotografou a escravidão nos processos de produção de tijolos. “Em uma temperatura de 54 graus, homens, mulheres, crianças, famílias inteiras, na verdade, estavam envoltas em uma densa nuvem de poeira, enquanto mecanicamente empilhavam tijolos em suas cabeças. Até 18 vezes por dia, eles carregavam os tijolos dos fornos escaldantes para os caminhões a centenas de metros de distância”, lembra a fotógrafa.

Foto: Lisa Kristine

Foto: Lisa Kristine

Em Gana, ela foi às profundezas de uma mina de ouro para encontrar homens forçados a trabalhar em turnos de até 72 horas, carregando somente uma lanterna presa à cabeça. Eles retiram das minas sacos de pedras que são submetidas ao processo de extração do ouro. A tuberculose e a contaminação por mercúrio são recorrentes entre os trabalhadores.

Foto: Lisa Kristine

Foto: Lisa Kristine

Com muita dificuldade, Lisa adotava a postura de acompanhar a ONG sem interferir diretamente nos contextos onde se encontrava. Ela lembra de como agiu ao ver as famílias escravas da produção de tijolos. “Eu não podia oferecer nenhuma ajuda direta. Eu não podia dar dinheiro, nada. Eu não era uma cidadã daquele país. Eu poderia colocá-los em uma situação pior do que a que já estavam. Tive que confiar no Free The Slaves e trabalhar dentro do sistema pela libertação, e confiei que eles conseguiriam”, conta. Lisa atualmente difunde suas experiências por meio de exposições, publicações e palestras, compartilhando o que presenciou em suas viagens.

Foto: Lisa Kristine

Foto: Lisa Kristine

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