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28 de agosto de 2013

Larry Burrows: registros inequívocos do inferno

Retrato de Larry Burrows.

Embora a história da fotografia mundial esteja relacionada a coberturas em zonas de perigo, guerras costumam causar trágicas perdas para o fotojornalismo. Na Guerra do Vietnã, com a liberdade e a mobilidade dos profissionais comprometida pelas características do embate, mais de 120 fotojornalistas morreram em trabalho. Um deles protagoniza este post e foi um dos principais responsáveis para que a opinião pública tomasse conhecimento do que se passava. Na primavera de 1965, três mil e quinhentos fuzileiros navais americanos chegaram no Vietnã. A experiência do dia-a-dia das tropas no solo e no ar, com a tensão da guerra sendo potencializada rapidamente, foi narrada por um fotógrafo britânico de 39 anos chamado Larry Burrows (1926 – 1971) na revista LIFE. Com imagens definidas pela publicação como “uma combinação de intensidade crua e brilhantismo técnico”, tornou-se admirado tanto por suas fotografias quanto por sua coragem no front.

Foto: Larry Burrows.

Foto: Larry Burrows.

Burrows entrou na fotografia aos 16 anos durante a Segunda Guerra Mundial. Deixou a escola para trabalhar como laboratorialista e “multi-tarefas” o escritório da LIFE em Londres, sua cidade natal. Pela publicação, foi enviado ao Vietnã, onde permaneceu de 1962 a 1971, quando morreu após o helicóptero em que viajava com mais três fotojornalistas (Henri Huet, Kent Potter e Keisaburo Shimamoto) ser derrubado em Laos. Um de seus ensaios mais famosos é “One Ride with Yankee Papa 13”, publicado em abril de 1965, mas todas as imagens que ilustram este post foram registradas em 1966. Entre elas está outro de seus mais icônicos registros, “Reaching Out”, abaixo.

Foto: Larry Burrows.

Foto: Larry Burrows.

Em outubro de 1966, em um monte coberto de lama ao sul da “Zona Desmilitarizada” (DMZ), no Vietnã, Burrows fez uma fotografia que por gerações serve como uma ilustração permanente e lancinante dos horrores inerentes às guerras. Na imagem, um fuzileiro naval ferido (o sargento da artilharia Jeremias Purdie, com uma bandagem manchada de sangue na cabeça), parece desesperado em frente a um companheiro ferido. No quadro, há ternura e terror, desolação e companheirismo. Nos arredores, troncos irregulares, já atingidos por projéteis de artilharia e fogos de rifles, figuras humanas distorcidas por feridas, capacetes, coletes à prova de balas e curativos. Mas o elemento mais insuportável do quadro é, talvez, a naturalidade dos jovens americanos ali reunidos na sequência de um tiroteio,  milhares de quilômetros distantes de suas casas.

Foto: Larry Burrows.

Foto: Larry Burrows.

Em 2002, o livro póstumo de Burrows, Larry Burrows: Vietnam (2002), ganhou o prêmio Nadar Prix. Na época do acidente, os fotógrafos cobriam a Operação Lam Son 719, uma invasão massiva e blindada por forças sul-vietnamitas contra o Exército Popular do Vietnã e o Pathet Lao, um movimento político, nacionalista e comunista organizado no Laos no meio do século XX.

Foto: Larry Burrows.

Foto: Larry Burrows.

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