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22 de março de 2012

Joel Meyerowitz e a poesia colorida das ruas

Joel Meyerowitz Portrait.

Nascido em 1938 em Nova Iorque, mais precisamente no distrito Bronx, Joel Meyerowitz é um fotógrafo urbano. Quando havia resistência à fotografia em cores como uma forma de arte legítima, foi o seu principal defensor, capturando de forma pioneira e colorida o cotidiano de sua cidade.

Truto, 1976. Foto: Joel Meyerowitz.

Meyerowitz graduou-se em pintura e ilustração médica na Ohio State University em 1959. Inspirado pela fotografia beat de Robert Frank, abandonou o trabalho de diretor de arte em uma agência publicitária e passou a fotografar as ruas de Nova Iorque com uma câmera 35mm e filmes preto e branco — ao lado de nomes como Tony Ray-Jones, Lee Friedlander, Tod Papageorge e Diane Arbus. Sua inspiração também vinha do trabalho de mestres como Henri Cartier-Bresson e Eugène Atget.

Camel Coats, 5th Avenue, New York, 1975. Foto: Joel Meyerowitz.

A partir dos anos 1970, tomou a radical decisão de fotografar exclusivamente em cores. O raciocínio, nas palavras dele, foi o seguinte: “Se eu aceitar a ideia de que a fotografia basicamente apenas descreve coisas, a fotografia colorida descreve mais coisas, existe mais conteúdo nas cores e eu gostaria de ver o resultado disso”. Ao mesmo tempo, o fotógrafo começou a sentir que havia mais neste ofício do que apenas capturar bons momentos nas ruas e que precisaria desistir das táticas precisas que adotara até então.

Dune Grass, 1984(e) e Laundry, 1982(d). Fotos: Joel Meyerowitz.

Eliza, Provincetown, 1982(e) e Heidi, Ballston Beach, 1981. Fotos: Joel Meyerowitz.

Assim, Meyerowitz conta que se distanciou da busca pelo “instante decisivo” de Cartier-Bresson: adotou uma técnica mais dispersa de observação. O resultado foram imagens não-hierárquicas nas quais cada elemento enquadrado cumpre um papel igual. As pessoas nas ruas, a arquitetura, as nuvens, os ângulos da luz, o peso das sombras… “Eu gostaria de registrar a ‘experiência’ de estar na rua, em uma cidade específica, em um dia específico, em uma estação do ano específica, para que os espectadores sentissem, de fato, como foi aquele momento”.

West 46th Street, New York, 1976. Foto: Joel Meyerowitz.

Passo a passo, começou a usar câmeras cada vez maiores, até chegar em uma de grande formato que utilizava chapas de filme rígido medindo 8 X 10 polegadas (20 X 25 cm). “Era antiético, contrário à minha maneira de pensar e trabalhar. Era a câmera usada por homens ‘velhos’ da costa oeste [...] e eu era um nova-iorquino, veloz por natureza”, relembrou, em entrevista realizada em 2005. A motivação era sua mudança de postura como um todo, já que havia abandonado os cliques rápidos e adotado um trabalho mais meditativo, que exigia observação e espaço.

Flower Offering, 2001. Foto: Joel Meyerowitz.

Até hoje suas imagens são produzidas através do processo Day-Transfer – que possibilita longa permanência das cópias e grande controle dos tons da imagem. Além do equipamento de grande formato, utiliza filmes de última geração e controle meticuloso do processamento.

Welders in South Tower, 2001. Foto: Joel Meyerowitz.

Meyerowitz publicou 16 livros, incluindo Cape Light (1979), um clássico da fotografia colorida. Em 2001, clicou o rescaldo dos atentados de 11 de setembro em Nova Iorque e foi o único fotógrafo autorizado a ter acesso irrestrito. Muitas destas imagens estão na obra Aftermath: World Trade Center Archive (2006).

“Acredito que na fotografia o trabalho lhe ensina quais são seus reais interesses e quem você é realmente.”
Joel Meyerowitz

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