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27 de novembro de 2012

“Há mais prazer, para mim, nas coisas como elas são” David Hurn

Retrato de David Hurn.

É possível dizer que David Hurn transitou por quase todas as áreas de sua profissão em seus mais de 50 anos de carreira. Como fotojornalista, documentou a invasão soviética na Hungria. No campo da fotografia publicitária, trabalhou nos bastidores de longas como James Bond e Barbarella, além de ter retratado o País de Gales e seu povo em diversas séries de livros. Agora, aos 78 anos e aposentado, mantem-se tão ocupado quanto sempre.

Foto: David Hurn.

Foto: David Hurn.

Nascido no Reino Unido, mas com origem galesa, David Hurn aprendeu a fotografar de forma autodidata, dando início a sua carreira em 1955, aos 21 anos, como assistente na agência Reflex. Ganhou reputação internacional em 1956 ao documentar como fotógrafo freelancer a revolução na Hungria, mas logo distanciou-se da cobertura jornalística tradicional. Buscou construir um caminho diferente de abordagem fotográfica. Mais pessoal, em sua própria definição. Tornou-se um associado da Magnum em 1965 e membro definitivo dois anos depois. Em 1973, criou a renomada Escola de Fotografia Documental em Newport, no País de Gales, e desde então também ministra workshops no mundo inteiro.

Foto: David Hurn.

Foto: David Hurn.

Em uma de suas mais repetidas citações, Hurn diz: “A forma como a vida se desenrola na frente da câmera é tão repleta de complexidade, magia e surpresa que acho desnecessário criar novas realidades”. E é justamente a poesia da realidade, nua e crua, que busca registrar em suas fotos. Nelas, os assuntos aparecem com uma naturalidade quase desprevenida, preservando até mesmo nos retratos certa neutralidade jornalística. Não por acaso, em primeiro lugar em sua lista de fotógrafos favoritos está Weegee, repórter especializado nas cenas de crime nova-iorquinas nas décadas de 1930 e 1940. Hurn afirma nunca ter compreendido como ele pode ser tão extraordinário ao tratar de um assunto extremamente difícil sem nunca descuidar da composição.

Foto: David Hurn.

Foto: David Hurn.

No ano passado, para celebrar seus 55 anos de carreira, a Third Floor Gallery de Londres sediou a exposição Passing Time, com mais de uma centena de imagens do prestigiado fotógrafo. No lançamento, quando questionado sobre qual a sua foto favorita, Hurn comparou suas fotografias aos filhos: “Qual deles você gosta mais? Acho que o que está fazendo menos bagunça no momento. Se você acorda feliz pela manhã, tende a escolher uma foto mais alegre”. Coincidentemente ou não, essa mesma comparação foi feita pelo professor Ricardo Chaves na última aula do Curso Avançado de Fotografia da ESPM-Sul quando aconselhava os alunos a buscarem ajuda na hora da edição. Sem a curadoria da sua mostra, Hurn afirma, nunca conseguiria decidir quais imagens melhor representavam não apenas as bem vividas décadas de sua carreira, mas sua visão da fotografia como um todo.

Foto: David Hurn.

Foto: David Hurn.

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