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25 de fevereiro de 2013

Graciela Iturbide: Fotografia como pretexto para conhecer

Retrato de Graciela Iturbide.

“A fotografia é um pretexto para conhecer o mundo, os países e as culturas de outros lugares. Não há um objetivo político atrás das imagens que produzo”
Graciela Iturbide

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

Uma das mais importantes fotógrafas das América Latina, a mexicana Graciela Iturbide é responsável por imagens em preto e branco repletas de uma delicadeza macabro, suaves e intensas em um só tempo. Natural da Cidade do México, tem seu país como fonte primordial de inspiração. Sua documentação artística e antropológica de vilarejos mexicanos explora a força da cultura pré-colombiana e a figura da morte, materializada na popular festa dos mortos. Além da onipresença de sua terra, Iturbide tem em seu portfólio fotografias de diversas outras localidades, em especial Índia e Estados Unidos.

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

Nascida em 1942, começou a estudar cinema na Universidad Nacional Autónama de México aos 27 anos com o objetivo de se tornar diretora. Rumou para a fotografia de retratos ao trabalhar com o modernista Manuel Álvarez Bravo, seu professor. Como sua assistente, embarcou em diversas jornadas fotográficas pelo México, além de viajar por toda a América Latina, em especial Cuba e Panamá.

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

Em 1978, foi comissionada pelo Ethnographic Archive of the National Indigenous Institute of Mexico para fotografar a população indígena mexicana. Clicou o estilo de vida dos Seri Indians, um grupo de pescadores nômades que vivem no deserto de Sonora, na fronteira com o Arizona. Um ano depois, foi convidada pelo artista Francisco Toledo para fotografar o povoado de Juchitán, parte da cultura Zapotec, nativa de Oxaca no Sul do México. Sua série começou em 1979 e foi concluída em 1988, resultando na publicação do livro Juchitán de las Mujeres (1989).

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

Aos poucos, foi substituindo a figura homem por seus rastros, abandonando a tradição retratista, e penetrou no mundo da paisagem, das pegadas e dos objetos. Em 2005, o banheiro da Casa Azul de Frida Kahlo foi reaberto pela primeira vez desde sua morte, há mais de meio século, e Graciela foi convidada a fotografá-lo, embarcando em uma viagem de descoberta da vida privada da artista. Suprimentos médicos, animais empalhados, espartilhos e uma garrafa de água quente foram alguns dos objetos que Iturbide registrou como “testemunhas” de muitos dos mais emblemáticos trabalhos da pintora mexicana, que tinha em seu banheiro um importante cenário e refúgio.

Para a curadora da retrospectiva em homenagem a fotógrafa sediada na Pinacoteca de São Paulo em 2011, Marta Dahó, Iturbide não é uma antropóloga nem uma documentarista: trata-se de uma “fotógrafa poética”, com a capacidade de colocar em imagens muitas “camadas”. “Às vezes, suas fotos são surrealistas, de uma vontade inconsciente, visceral”, expressa.

 

Foto: Graciela Iturbide.

Foto: Graciela Iturbide.

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