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24 de agosto de 2012

Frederick Sommer (1905 -1999), um artista entre a imaginação e a disciplina

Retrato de Frederick Sommer.

Em sete décadas de carreira, Frederick Sommer (1905 – 1999) criou pinturas, desenhos e colagens, bem como um número relativamente pequeno, mas de excelente qualidade, de fotografias. Inicialmente atraído pela fotografia de paisagens, inclinou-se posteriormente para o registro de formas abstratas, abusando de técnicas experimentais como colagem, sobreposição, superexposição, distorção e manipulação de negativos. De acordo com o próprio, seu objetivo com essas imagens era mostrar as conexões entre as formas do universo, em constante mudança, e reforçar a importância da imaginação dentro da prática artística.

Foto: Frederick Sommer.

Foto: Frederick Sommer.

Nascido na Itália e criado no Brasil, onde expôs alguns de seus desenhos na adolescência, Sommer viajou para os Estados Unidos em 1925 para estudar Arquitetura e Paisagismo na Cornell University. Em 1930, foi diagnosticado com tuberculose e viajou para realizar o tratamento. Confinado em um centro de recuperação na Suiça, passou a estudar Arte e Filosofia, interessando-se, também, por Fotografia. Quando retornou ao país, estabeleceu-se em Prescott, no Arizona. Tornou-se cidadão americano em 1939.

Foto: Frederick Sommer.

Foto: Frederick Sommer.

Em 1935, influenciado por Alfred Stieglitz e Edward Weston, que se tornariam seus amigos, começou a levar a prática fotográfica à sério. Seus cliques idiossincráticos de objetos cotidianos mergulhados na podridão têm não apenas elegância formal, mas profundidade psicológica. Para muitos, suas imagens são marcadas por essa beleza fora do comum combinada com uma abordagem filosófica — muitas vezes até mesmo com um toque de humor. Por casarem seu brilhantismo técnico com sua imaginação surrealista, as fotografias de paisagens do Arizona, onde trabalhou em completo isolamento, são consideradas sua mais pessoal criação — além de estarem entre suas obras mais famosas. Sem marcadores de escala, esses registros panorâmicos são como intermináveis e imensuráveis extenções de espaço.

Foto: Frederick Sommer.

Foto: Frederick Sommer.

Mesmo sem muita experiência no campo dos retratos, Sommer não perdeu a oportunidade de fotografar a jovem menina Livia no verão de 1948, dando origem a uma de suas mais famosas obras. Para compor a imagem, posicionou-a em frente a um painel revestido com material orgânico seco, criando um constraste entre a rusticidade do material e a ternura angelical da modelo. O olhar de Livia sugere que Sommer se levantou antes da exposição. Embora ela tenha permanecido imóvel, seus olhos o seguiram. Outra de suas mais famosas imagens é, também, um retrato, mas repleto de experimentalismo. Para registrar a essência do artista e amigo, Marx Ernst, Sommer sobrepôs dois negativos em uma única folha.

Livia. Foto: Frederick Sommer.

Marx Ernst. Foto: Frederick Sommer.

O fotógrafo gaúcho Felizardo Furtado trabalhou com Sommer nos Estados Unidos em 1984. Da experiência, trouxe não apenas sua conhecida necessidade de excelência, mas intenso aprendizado intelectual. Em um dos textos publicados em sua coluna na revista Aplauso, Felizardo conta que o fotógrafo possuia uma ótima teoria: “A arte não é arbitrária. Uma grande pintura não surge por acidente. Não aparece por sorte. Nós somos sensíveis às tonalidades. A mínima modificação da tonalidade afeta sua estrutura. Algumas coisas ficam melhor grandes, mas elegância é a representação das coisas em suas mínimas dimensões”. Essas observações se referem ao perfeccionismo de Sommer no laboratório fotográfico, que Felizardo afirma ter absorvido no período em que conviveu com ele.

Foto: Frederick Sommer.

Foto: Frederick Sommer.

Sua reputação cresceu na década de 1950, auxiliado por amigos como Ernst, Aaron Siskind, Edward Steichen e Minor White, que mostraram seu trabalho em praças importantes como The Museum of Modern Art (MoMA), Institute of Design de Chicago e a revista Aperture. Sommer teve uma carreira docente ativa, lecionando no Institute of Design e em Prescott College. Depois de se aposentar, permaneceu trabalhando em uma grande variedade de mídias até um ano antes de sua morte, em 1999.

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