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19 de março de 2014

Fred Ramos: um olhar sobre os desaparecidos

Retrato de Fred Ramos

Um dos grandes destaques do World Press Photo e vencedor na categoria “Cotidiano – séries”, o fotógrafo salvadorenho Fred Ramos chama atenção por seu trabalho intitulado de “The last outfit of the missing”. A série fotográfica, tão minimalista quanto chocante, é feita através do retrato de peças de vestuário de pessoas desaparecidas em alguns dos países mais violentos do mundo: Honduras, Guatemala e El Salvador. Em muitos casos, as roupas se tornam a única forma de identificar as vítimas.

Foto: Fred Ramos

Foto: Fred Ramos

Morando e trabalhando em El Salvador até hoje, Fred é graduado em Design Gráfico pela Universidade Don Bosco. Além da paixão pela fotografia – que praticava de forma autodidata desde 2004 –, também trabalhou como designer em agências de publicidade, onde adquiriu uma visão um pouco mais aguçada, principalmente no que diz respeito ao fotojornalismo: seu trabalho mostra que o mesmo pode ser feito de várias maneiras, com linguagens distintas e sem perder a veracidade. Foi em 2011 que Fred deixou de lado o universo publicitário para se dedicar por completo à fotografia documental jornalística. Atualmente, o fotógrafo é colaborador no jornal digital Elfaro.net.

Foto: Fred Ramos

Foto: Fred Ramos

Em “The last outfit of the missing”, a legenda de cada foto é um verdadeiro perfil fúnebre. É nela que constam informações como a data em que as peças foram encontradas, horário, localização, possível sexo da vítima, idade aproximada e tempo de desaparecimento. A série de Fred também nos lembrou o trabalho de Ricardo Chaves, professor do Centro de Fotografia da ESPM-Sul.

Foto: Fred Ramos

Foto: Fred Ramos

Em março de 2012, o governo de El Salvador firmou uma trégua com algumas das principais quadrilhas do território visando diminuir a taxa de homicídio do país, uma das mais altas do mundo. Apesar de o número de assassinatos ter diminuído quase pela metade em razão do acordo – antes, El Salvador registrava 72 homicídios para cada 100 mil habitantes e, atualmente, esse número está em 36 – a população seguiu aterrorizada com a falta de segurança e a violência desenfreada. Ao mesmo tempo, as denúncias sobre entes desaparecidos aumentou de forma considerável, reforçando a ideia de que os homicidas passaram a recorrer a uma forma diferente de ocultar os corpos das vítimas, quase como um esforço para manter a estranha aliança com o governo: enterrando-os em plantações de canas de açúcar e outros espaços descampados ou quase desertos.

Foto: Fred Ramos

Foto: Fred Ramos

A insegurança, já tão enraizada na região, faz com que grande parte da população desista de procurar seus familiares. Quando encontrados, os restos mortais das vítimas do tráfico de drogas e de gangues ficam guardados nos prédios de medicina legal ou em caixas, entre o pó e o esquecimento.

Foto: Fred Ramos

Foto: Fred Ramos

As fotografias de Fred Ramos, feitas em uma Nikon D80, transformaram-se em testemunhas solitárias, responsáveis por contar histórias sem mostrá-las diretamente.

Foto: Fred Ramos

Foto: Fred Ramos

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