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17 de setembro de 2014

Excessos e sombras de Antoine D’Agata

Retrato de Antoine D'Agata.

Afeito ao lado sombrio de cidades como Londres e Marselha, Antoine D’Agata passou a se dedicar com mais intensidade à fotografia somente após uma série de viagens pela Europa e pelas Américas, vivendo um estilo de vida de excessos. “Meus amigos começaram a morrer de AIDS e acho que eu estava muito deprimido, sem forças para seguir, mas não queria trair todas as minhas antigas ideias. A fotografia era uma boa forma de ter controle sobre mim mesmo, de reunir pensamentos e de introduzir controle na minha vida sem mudá-la”, conta o fotógrafo à revista Gomma.

Foto: Antoine D'Agata.

Foto: Antoine D'Agata.

D’Agata foi convidado a estudar no International Center of Photography (ICP) de Nova York mesmo sem ter uma trajetória como fotógrafo profissional. Bastaram algumas imagens de uma viagem que fez ao México, acompanhado de um fotógrafo amigo seu que morreria pouco tempo depois. Desde então, suas fotografias já mostravam a vida de prostitutas e usuários de drogas. O registro próximo de realidades tão cruas chamou a atenção dos professores da escola. Ao longo da formação, foi aluno de nomes consagrados como Larry Clark e Nan Goldin.

Foto: Antoine D'Agata.

Foto: Antoine D'Agata.

Independente do ensaio, as fotos de D’Agata sempre revelam uma imersão no cotidiano de quem vive à margem da sociedade. “Acredito que a razão pela qual meu trabalho vai tão fundo se deva ao usual da fotografia, tão formatada, bonita, limpa e segura que, quando surge algo que não é normal, pronto para ser consumido, isso provoca reações fortes, machuca as pessoas, faz com que elas pensem, sintam as imagens”, explica o fotógrafo à Emaho Magazine.

Foto: Antoine D'Agata.

Foto: Antoine D'Agata.

Ao refletir sobre seu trabalho, D’Agata aborda a violência, latente em suas fotos, como algo não totalmente negativo no estilo de vida experimentado por ele e seus personagens. Para o fotógrafo, a violência que emerge das imagens se equivale a outras formas de violência menos perceptíveis. “Ela machuca e é danosa às pessoas, mas é a violência que as ajuda e me ajuda a viver nesse mundo, porque a outra violência, mais secreta, é a violência social. A violência dos pecados que fotografo é desesperada, uma tentativa de sobrevivência. O excesso é a única opção para essas pessoas”, conta D’Agata.

Foto: Antoine D'Agata.

Foto: Antoine D'Agata.

Na mesma entrevista à revista Gomma que abre este post, D’Agata deixa muito claro de que forma vê sua relação com a fotografia, distante de fazer “fotografia pela fotografia”: “Não acredito na fotografia como uma arte ou um trabalho. Penso nela como linguagem, e acredito que uma linguagem deva ser usada para expressar o que alguém tem a dizer. Portanto, tudo o que tenho a dizer sobre a minha vida e o que sei do mundo é a forma como vejo as coisas”.

Foto: Antoine D'Agata.

Foto: Antoine D'Agata.

Nascido em Marselha, em 1961, Antoine D’Agata ingressou no ICP em 1990, fazendo parte, mais tarde, do departamento editorial da Magnum. Em 1998, lançou seu primeiro livro, intitulado De Mala Muerte. Em 2001 recebeu o aclamando prêmio Niépce. Participa de diversas exposições e já filmou um curta-metragem. Atualmente, vive e trabalha em Paris.

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