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6 de janeiro de 2012

“Eu também não entendo! Eu apenas fotografo.”

A frase acima traduz o sentimento de Jan Saudek ao ser questionado, no início de sua carreira, por pessoas que não entendiam o que suas fotografias expressavam, o que ele queria comunicar. Na realidade, o fotógrafo tcheco não queria que suas fotos fossem compreendidas, queria que elas fossem apreciadas:

Retrato de Jan Saudek.

“(…) as pessoas do meu país, adolescentes sem barba, mães com dois filhos, homens adultos sugados pela indústria, a jovem menina que está sempre se olhando no espelho… são eles que sabem. Não quero instruí-los com ‘articismos’, quero dizê-los que são lindos e que é com honra e humildade que apresento a eles minhas fotos.”

My mother, 1979. Foto: Jan Saudek.

Beautiful girl I loved, 1994. Foto: Jan Saudek.

Saudek nasceu em Praga, em 1935. Ainda na infância, perdeu sua família, morta no campo de concentração nazista Theresienstadt durante a Segunda Guerra Mundial. Viveu anos em um campo para crianças localizado nos arredores da Polônia e sobreviveu, junto com seu irmão.

Coca-Cola, 1971. Foto: Jan Saudek.

Aos 15 anos, passou a trabalhar em uma loja de impressão, mas foi logo chamado para o serviço militar. De lá, saiu com o desejo de tornar-se fotógrafo, inspirado e encorajado pelo influente curador americano Hugh Edwards. Viajou para os Estados Unidos e, ao retornar, foi forçado a trabalhar clandestinamente em um porão, evitando a atenção da polícia secreta. Na época, já fotógrafo, começou a preencher sua obra com temas eróticos e libertários, usando, explícita ou implicitamente, símbolos de corrupção, poder e inocência.

New York, New York!, 1985. Foto: Jan Saudek.

A partir da década 1970, começou a se tornar conhecido na República Tcheca. Publicou seu primeiro livro de imagens em 1983 e um ano depois foi autorizado pelo governo comunista a abandonar seu emprego informal, presenteado com um visto que o permitia trabalhar como artista. Desde então, seu único problema com a polícia foi quando alguns de seus negativos foram apreendidos, em 1987.

Pavla, the first Time and the last, 1978. Foto: Jan Saudek.

Suas imagens parecem ser feitas em cenários provenientes do mundo dos sonhos. Seja em preto e branco ou em cores saturadas (Saudek pinta à mão as fotografias em tom sépia), seu trabalho têm uma atmosfera nostálgica recheada de elementos contemporâneos. Há certa influência dos retratos feitos em estúdio por fotógrafos eróticos em meados do século XIX, bem como das obras do pintor Balthus e do fotógrafo francês Bernard Faucon.

120 km/h, 1975. Foto: Jan Saudek.

Enquanto seus primeiros cliques são cheios de referências à infância, muitos dos posteriores mostram o crescimento da criança até a chegada da idade adulta — durante anos, muitas de suas imagens foram refeitas, com os mesmos personagens em poses, cenários e figurinos similares. A religião e a dualidade entre o feminino e o masculino também são temas constantes em sua obra. Certos países do Ocidente tentaram censurá-lo nos anos 1990, classificando seu trabalho como puramente pornográfico. No fim das contas, apenas aumentaram sua popularidade.

St. Christopher, 2002. Foto: Jan Saudek.

“O artista também não compreende. Ele é um idiota, criando em função de um tipo de necessidade”
Jan Saudek

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